Euclides Pereira dedicou a sua vida à causa da democracia e do socialismo
O corolário de uma vida de luta
Um imenso adeus a Euclides Pereira
Foi uma enorme e comovente homenagem a que foi prestada ao camarada Euclides Pereira. Centenas de camaradas e amigos, na hora da despedida, assumindo a qualidade de um imenso e fraternal abraço, quiseram dizer-lhe adeus reiterando a sua inabalável confiança no futuro.
De punho erguido e bem cerrado, afirmando a sua condição de comunistas, num emocionado gesto, em uníssono, um coro de vozes gritou «até sempre camarada, a luta continua». Tinham sido essas, exactamente, momentos antes, as palavras proferidas pelo camarada José Casanova, da Comissão Política do PCP e Director do Avante!, palavras com que terminou o elogio fúnebre, sublinhando a sua convicção de que «era assim que o Euclides queria que nos despedíssemos dele».
E foram muitos os que não quiseram faltar à despedida ao camarada, ao amigo, ao companheiro de luta, naquele momento de partilha colectiva no cemitério dos Olivais onde o corpo de Euclides Pereira foi a cremar no sábado passado. Presente, entre os muitos dirigentes comunistas a nível nacional e regional, esteve também o Secretário Geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
Pelo Sport Grupo Sacavenense, onde o corpo de Euclides Pereira esteve em câmara ardente desde o dia anterior, apresentando pêsames à família, passaram igualmente muitos camaradas e amigos, trabalhadores e cidadãos anónimos, bem como dirigentes de estruturas sindicais e do movimento popular e associativo, em particular do concelho de Loures e, de um modo especial, da freguesia de Sacavém.
Falando do «amigo e camarada que ainda agora partiu e já nos deixa uma saudade do tamanho do mundo», José Casanova lembrou as muitas batalhas travadas e os «momentos de grande amizade e fraterna solidariedade» com ele compartilhados na Concelhia de Loures, na DORL e nos seus organismos executivos, no Comité Central e no seu Secretariado.

Resistir até ao fim

«É nestes momentos que mais sentimos a necessidade de invocar todas as nossas forças, a força que nos dá o nosso colectivo partidário, a força dos nossos ideais de justiça, de liberdade, de solidariedade, de fraternidade, de camaradagem, de amizade – porque esses ideais são eternos, vão para além das vidas de cada um de nós, são as nossas vidas e são as vidas das gerações que nos sucederem; porque esses ideais são sementes carregadas de futuro», afirmou José Casanova, concluindo:
«Foram esses ideais que deram ao nosso Euclides a força para resistir até ao fim, até ao último instante, até muito para além das suas próprias forças humanas – foram esses ideais que lhe deram a enorme força, o enorme ânimo para, na véspera da sua morte, estar presente – porque quis estar, porque fez questão de estar ! – na despedida ao camarada Álvaro Cunhal».
Em nota emitida pelo Secretariado do Comité Central no dia do falecimento de Euclides Pereira, no dia 23, destaca-se a sua adesão ao Partido em 1971 e a sua funcionalização em 1975. Em 1973 e 1974, foi delegado sindical e membro da coordenadora das comissões de trabalhadores do grupo empresa (Fima-Lever-Iglo) até 1975. Foi também dirigente do Sindicato dos Empregados de Escritório do distrito de Lisboa. Após o 25 de Abril, presidiu ainda à Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Sacavém.
Euclides Pereira foi membro da Comissão Concelhia de Loures e do seu Secretariado, do Executivo e da Comissão Distrital da Organização Regional de Lisboa. Entre 1984 e 2004, foi membro do Comité Central, tendo sido membro do Secretariado entre 2000 e 2004. Falecido aos 64 anos, o Secretariado do Comité Central destaca a dedicação de Euclides Pereira à causa dos trabalhadores, da democracia e do socialismo.


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