Editorial

«As lutas travadas nos últimos meses constituem um sério aviso ao Governo»

REFORÇAR O PARTIDO<br>INTENSIFICAR A LUTA

A dimensão e a força da resistência e da luta dos trabalhadores em resposta à ofensiva geral do Governo do PS contra os seus direitos e interesses, constitui um traço marcante da situação actual. Outro traço relevante da situação que vivemos é o do significado da derrota dos projectos federalistas e neoliberais decorrente da rejeição do «Tratado Constitucional», bem como o do desenvolvimento, no plano internacional, da resistência e da luta dos povos contra a política agressiva, belicista e expansionista do imperialismo norte-americano e dos seus aliados. Um terceiro traço essencial da situação é o que se prende com o reforço orgânico, interventivo e da influência do PCP, condição indispensável para dar mais força à luta necessária e para criar as condições indispensáveis para a concretização de uma alternativa de esquerda.
Estes foram, por isso mesmo, alguns dos temas em debate na recente reunião do Comité Central do PCP.

C onhecido que é o papel da luta de massas enquanto forma de protesto, acto de mudança e elemento essencial de construção do futuro, o desenvolvimento impetuoso dessa luta nos tempos que se têm seguido à tomada de posse do Governo PS/Sócrates, constitui um dado de enorme relevância. Tanto maior quanto, como se sabe, as ameaças e chantagens (vindas do grande patronato e do Governo) a que estão sujeitos os trabalhadores (que, usando um direito constitucional, lutam pela defesa dos seus direitos) tornam a participação na luta num acto de grande coragem e numa manifestação inequívoca de elevada consciência política – e conferem às impressionantes lutas das últimas semanas um significado de grande alcance.
Como sublinha o Comité Central do PCP no Comunicado aprovado na sua reunião de 30 de Junho, as lutas travadas nos últimos meses constituem um sério aviso ao Governo para que não prossiga pela via do aprofundamento da política de direita que sacrifica os interesses nacionais. E, como igualmente se acentua, o prosseguimento, o alargamento e a intensificação da luta dos trabalhadores e do povo português constitui o caminho mais seguro e mais certo para obrigar o Governo a recuar nas medidas injustas e desastrosas que anunciou e desencadeou. Ao mesmo tempo, a intensificação e alargamento dessa luta, confirma-a como condição indispensável – a par do reforço do PCP - para impor a alternativa de esquerda que os interesses dos trabalhadores, do povo e do País exigem.

A vitória do Não nos referendos realizados na França e na Holanda e, na sequência disso, o fracasso que foi o Conselho Europeu de Bruxelas de 16 e 17 de Junho, constituiu uma séria derrota para as forças sociais e políticas do grande capital europeu, para todas as forças e partidos que têm conduzido a integração europeia ao sabor dos interesses das grandes potências e do grande capital, para os que têm como objectivo a criação de um super-estado, de um bloco económico-político-militar para a guerra económica e a competição imperialista com os EUA e o Japão, na disputa e convergência para o domínio do mundo.
A vitória do Não na França e na Holanda, liquidando o projecto do Tratado e excluindo a ideia de qualquer adiamento do referendo, veio dar mais força e confirmar a justeza da oposição do PCP a uma qualquer «Constituição europeia» que - seja a que, agora, foi derrotada, seja qualquer sua substituta - significará sempre uma violação da soberania dos países e dos povos. Veio, igualmente, dar mais força à luta dos trabalhadores e do povo português por um Portugal soberano e de progresso numa Europa de paz e cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos.

D a situação actual emerge, destacada, a importância «da natureza, do papel e da acção do PCP; do seu compromisso indestrutível com os interesses dos trabalhadores, do povo e do País; do seu objectivo de ruptura com a política de direita; da sua luta por um Portugal com futuro; do seu projecto de democracia e socialismo». Com efeito, só uma força política com estas características e com uma intervenção com este conteúdo, está em condições de dar resposta, através da luta, à situação gerada por 29 anos de política de direita contrária aos interesses da imensa maioria dos portugueses e que apenas serve os interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.
Daí a importância do reforço do PCP – reforço que passa pela intensificação da intervenção do Partido, quer nas instituições, quer nas empresas, quer nos locais de habitação; que passa, igualmente, pela concretização das orientações do movimento geral de reforço da organização partidária «Sim, é possível! Um PCP mais forte» (em particular da acção nacional de contacto com os membros do Partido e da campanha nacional de adesão de novos militantes e sua integração na vida partidária); que passa, também, pelo reforço da acção e organização nas empresas e locais de trabalho, pela intensificação da difusão do Avante!, pela mobilização exigida pelo processo de construção da Festa do Avante!; que passa, ainda, por uma intervenção ampla e intensa na batalha eleitoral das autárquicas - uma batalha que diz respeito a todo o colectivo partidário, o qual, no espaço amplo, plural, democrático, aberto que é a CDU, deverá desenvolver todos os esforços com vista ao aumento da sua influência no poder local, de forma a levar a mais concelhos e freguesias o projecto autárquico da CDU baseado no trabalho, na honestidade, na competência.


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