Concertação contra quem trabalha

O acordo de Concertação Social «é um retrocesso muito grande e choca ver uma organização que se diz representativa dos trabalhadores a pactuar com os objectivos do patronato», afirmou à Lusa, na segunda-feira, o secretário-geral da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva, aludindo ao comportamento da UGT.
Governo, confederações patronais e UGT, firmaram o acordo que «deixa os patrões em melhores condições para encostar os trabalhadores à parede e chantageá-los, caso seja aprovado na Assembleia da República», considerou ainda.
A CGTP-IN recusou a manutenção de preceitos relativos à arbitragem na resolução de conflitos e bloqueios negociais, contida no artigo 4.º do Código, e a forma como ficou redigido e tratado o princípio do tratamento mais favorável.
Segundo Carvalho da Silva, ficou evidente a falta de cumprimento de compromissos assumidos anteriormente pelo Governo, e a concertação de interesses com o patronato.


Seca não dá tréguas

As vagas de calor e a total ausência de precipitação que se tem verificado nos últimos meses em Portugal atirou já todo o território continental para os índices de classificação de seca extrema ou mesmo severa.
O sinal mais recente de que a seca pode chegar mesmo às torneiras de milhares de portugueses foi dado no Algarve pelo administrador da Águas do Algarve.
Em declarações à Lusa, Artur Ribeiro admitiu que o abastecimento pode ser interrompido durante várias horas por dia na época alta do turismo regional.
Nesse sentido, foi já lançado um apelo às populações e às autarquias para que evitem ao máximo os consumos não essenciais de água, ao mesmo tempo que muitos furos e captações próprias das autarquias estão a ser reactivados.
De acordo com os dados avançados, o volume total de fornecimento no Algarve foi já reduzido em cerca de 45 por cento face a 2004. No Barlavento o corte no abastecimento é já de 25 por cento, situação que se repete no Sotavento, onde o abastecimento público foi reduzido em 20 por cento.
Para além das necessárias medidas compensatórias, resta apurar se o rigor no consumo de água se fica pelos utilizadores domésticos e autarquias ou atinge de igual forma os complexos turísticos com hectares de campos de golf verdejantes.


António Gaio homenageado

Decorreu anteontem, pelas 16 horas, no Auditório da Casa de Animação, no Porto, uma sessão de homenagem a António Ferreira Gaio, responsável, desde 1981, pela direcção do Cinanima – Festival de Animação de Espinho.
António Gaio é, aos 80 anos, uma das figuras mais marcantes da cultura e do movimento cineclubista em Portugal, tendo publicado, em 2000, o livro «História do Cinema Português de Animação – Contributos».
No campo do associativismo desportivo, Gaio foi dirigente do Sporting Clube de Espinho e da Associação Académica de Espinho, clubes a que se dedicou durante quase três décadas.
Apesar de ser bancário de profissão, Gaio teve uma breve passagem pelo jornalismo, tendo colaborado activamente com títulos locais como o Defesa de Espinho ou o Maré Viva, periódico ao qual fica intimamente ligado como co-fundador.
Politicamente comprometido com os ideais de esquerda, António Gaio exerceu responsabilidades autárquicas na Câmara Municipal de Espinho, em representação da APU, entre 1974 e 1982.
Foi ainda candidato por diversas vezes nas listas da APU e da CDU à Assembleia da República e, para as próximas autárquicas, apresenta-se como mandatário concelhio da CDU.
Em nota enviada pela Direcção Regional de Aveiro do PCP, os comunistas expressaram a António Gaio «um forte abraço» e enalteceram «a sua entrega ao bem comum», na certeza de que «continuamos a contar com o seu inestimável contributo para as muitas lutas que travamos em comum».


Bolhão pode ruir

O mais famoso espaço de comércio tradicional da cidade do Porto, o Mercado do Bolhão, encontra-se em risco de ruir e alguns comerciantes foram já intimados para abandonarem o espaço até ao primeiros dias do próximo mês de Agosto.
Aproximadamente metade do edifício, toda a ala sul, foi dada por um relatório recente do Instituto Nacional de Engenharia Civil como em sério perigo de derrocada, facto que vem confirmar suspeitas antigas relativamente à segurança da estrutura, abalada nos últimos meses pela intensificação das obras do metropolitano.
Em alternativa, os vendedores locais – alguns com mais de quatro décadas de actividade naquele mercado municipal e uma vida inteira na dinâmica peculiar do espaço – podem continuar os respectivos negócios na ala norte do edifício ou mudarem-se para os mercados do Bom Sucesso, na Boavista, ou dos Anjos, junto à Torre dos Clérigos.
Muito embora admitam a necessidade de efectuar obras urgentes no Bolhão, alguns comerciantes exigem mais tempo para a deslocação e alertam para o perigo de desmantelamento de alguns postos de trabalho.


Resumo da Semana