«As pessoas estão descontentes e identificam-se com as nossas reivindicações»
Campanha dos Jovens Trabalhadores da JCP
Agir para melhorar o País
A Organização dos Jovens Trabalhadores da JCP iniciou há três semanas uma campanha por melhores salários, emprego e direitos, que inclui a distribuição de folhetos e um abaixo-assinado. Andreia Pereira e Vasco Rodrigues falam sobre os resultados já alcançados e a forma de aproximar os trabalhadores ao Partido.
Os jovens comunistas apontaram como objectivo recolher cinco mil assinaturas em todo o País. Em Lisboa, a organização local apontou inicialmente para mil, 200 dentro de empresas e 800 fora. Na sexta-feira já tinham 400 assinaturas, a maioria recolhidas dentro de firmas.
Como explica Andreia Pereira, «tem sido muito mais fácil dentro das empresas. Aí há mais tempo para conversar». Vasco Rodrigues, funcionário dos CTT na central de Cabo Ruivo, explica o seu método de abordagem: durante o período de trabalho, dirige-se aos colegas e conversa com eles, em geral individualmente. O pretexto é a distribuição do documento e a subscrição do abaixo-assinado, o que facilita a conversa.
«Se eu fosse falar de política com os meus colegas, eles não iam ligar. Assim há um motivo. É mais fácil abordar os colegas por eu trabalhar lá também. A maioria são jovens. Eu e outro camarada já falámos com 110 pessoas. Ainda falta cerca de 50. Todos se identificaram com o documento e subscreveram o abaixo-assinado, excepto dois ou três», conta.
Ao mesmo tempo que recolhem as assinaturas para reivindicar mais emprego e melhores salários, prestam informações e tiram dúvidas. «A maioria não sabe o que é o contrato colectivo de trabalho», refere Vasco Rodrigues, que explica a grande aceitação da iniciativa com a desilusão dos trabalhadores com o Governo de José Sócrates: «As pessoas estão descontentes e identificam-se com as nossas reivindicações. Algumas dizem logo que assinam o documento. Outras lêem e comentam que tudo aquilo é verdade. Algumas pessoas com quem tenho uma discussão mais aprofundada reconhecem que o PCP é o único partido que consegue mobilizar os trabalhadores.»

Onde leva o descontentamento?

Em três semanas, muitos foram os trabalhadores do distrito de Lisboa contactados pelos militantes comunistas, nomeadamente no Metropolitano, nos centros comerciais Colombo, Vasco da Gama e Corte Inglez, na Lever, na Opel, nos CTT, na PT e no Intermarché de Cascais.
A JCP já é presença habitual em muitos destes locais e os activistas já notam mudanças de comportamento. «Nos centros comerciais nunca fomos mal recebidos, mas no Corte Inglez costumavam ser mais agressivos ou recusavam os panfletos. Desta vez aceitaram muito bem a campanha. Não sei se é por já estarem habituados a verem-nos ou se é por estarem mesmo descontentes com a política do Governo», comenta Andreia Pereira.
O descontentamento leva ao desinteresse pela política ou leva ao PCP? Andreia responde: «Isso depende da nossa acção. Quanto mais presentes estamos ao lado dos trabalhadores, mais fácil é perceberem que a alternativa é o PCP. Infelizmente ainda há muita gente que opta pela passividade.» E a opção pelo PCP é óbvia? «Quem quer agir identifica-se com o PCP e não com outros partidos que se dizem de esquerda», acrescenta.
Andreia não ignora que passar a mensagem do Partido é mais difícil do que a do PSD, «até porque a comunicação social ajuda pouco». A solução passa por falar individualmente com os colegas, os amigos e os conhecidos. Isso depois traz frutos, como diz Vasco: «Falamos com um colega, mas ele depois fala com outras pessoas.»
Outro problema que os militantes comunistas têm de enfrentar são os preconceitos em relação ao PCP. «Se calhar as pessoas nem pensam por que é que têm esse preconceito e não conhecem o nosso programa e os estatutos. Não acreditam que seja possível uma sociedade alternativa ou pensam que defendemos uma sociedade como a chinesa ou a cubana. Temos um projecto próprio para Portugal, adequado ao nosso país», lembra Andreia. «Votar na CDU é um passo muito mais responsável. Quem vota em nós sabe mesmo o que está a fazer», acrescenta.

Esclarecer

Andreia Pereira sublinha que a aproximação dos trabalhadores ao Partido depende bastante do envolvimento dos militantes nos locais de trabalho. «Em muitos casos, sabe-se que determinada pessoa é comunista - e muitas vezes delegada sindical – e os colegas dirigem-se a ela quando têm dúvidas ou problemas laborais. Há muitos camaradas que prestam informação frequentemente.» Tornar claros os direitos dos trabalhadores, lutar contra situações de injustiça e de desrespeito pela lei e impedir a retirada de direitos laborais constituem passos fundamentais.
«As pessoas estão muito descontentes, mas é preciso dar o passinho e perceber que é possível haver uma mudança. Muitos dizem que os partidos são todos iguais e nós temos de explicar que não são», afirma Andreia.

«Com políticas de direita isto só vai piorar»

O Governo e as consequências das políticas seguidas pelo PS são o grande alvo da campanha da JCP. A perda do poder de compra é uma das questões mais sentidas pela população, segundo Vasco Rodrigues: «Os preços dos produtos subiram e os salários não. É uma política que favorece o grande e corta os mais pequenos.»
«O Governo segue as mesmas políticas de direita do PSD. Prometeu novos empregos durante a campanha eleitoral, mas só se vê o desemprego a aumentar. Há cortes nas carreiras da função pública, sobe a idade da reforma, o IVA aumentou...», enumera Andreia Pereira.
«José Sócrates tinha dito pouco durante a campanha, mas ainda consegue fazer o contrário. Nunca se viu haver tanto descontentamento tão pouco tempo depois de um Governo ser eleito. As medidas tomadas ainda vieram piorar mais a vida dos trabalhadores. Usam o argumento que temos todos de fazer sacrifícios, mas depois sabemos quanto ganha o Governador do Banco de Portugal e quais as suas regalias... Todos pedem sacrifícios, mas o que é preciso é mudar de política. Com políticas de direita isto só vai piorar», garante.


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