• Hugo Janeiro

Chamusca
«Confiar nas populações, sempre!»
Entre a margem do Tejo e a lezíria ribatejana, o concelho da Chamusca apresenta índices de qualidade de vida que nem a força do fogo conseguiu destruir.
Em 2003, o fogo devastou dezenas de hectares de mato e floresta consumindo bens e recursos, tantas vezes parcos, construídos com esforço durante vidas inteiras.
O concelho da Chamusca foi um dos mais afectados pelo drama dos incêndios. Cerca de um terço do seu território foi delapidado pelas chamas, mas a pronta intervenção de diversas entidades - com destaque inteiramente merecido para a Câmara Municipal e os seus responsáveis - permitiu minimizar os prejuízos e relançar, com confiança e dedicação, as bases para a continuidade da obra desde sempre desenvolvida pelos eleitos da CDU.
O trabalho de tantos anos, generoso, honesto, competente e visível mesmo aos olhos de quem não vivendo no concelho por ele passa fruindo da sua qualidade de vida, torna-se difícil de sintetizar.
Não obstante, o actual presidente da Câmara e candidato da CDU nas eleições autárquicas de Outubro próximo, Sérgio Carrilho, sublinha a profundidade das intervenções realizadas no último mandato, «sobretudo em três ou quatro vectores».
Nas várias dimensões da área do ensino, o autarca explicou, em conversa com o Avante!, que a aposta centrou-se «na melhoria e construção de equipamentos, no reapetrechamento dos espaços, na intervenção global em todos os edifícios escolares, na dotação de melhores condições de trabalho e aprendizagem, nomeadamente jardins de infância em substituição de estruturas que se encontravam degradadas».
«Por outro lado interviemos também na área dos equipamentos desportivos, como ilustram a construção do novo pavilhão da Escola Básica 2+3 da Chamusca, que é um equipamento central, e, nas freguesias, alguns polidesportivos acompanhados da requalificação dos parques infantis», continuou.
Muito embora as estruturas tenham merecido a justa atenção do executivo camarário, Sérgio Carrilho destaca ainda no âmbito da educação e formação das crianças e jovens do concelho «a intervenção social, que vai desde o apoio nas refeições para os alunos carenciados, passando pelo transporte para a escola, até à utilização da piscina municipal por todas as nossas crianças, isto apesar dos custos pesados que tal comporta para uma autarquia com as características da nossa».

Dificuldades não são impossibilidades

Com uma área que se estende por 760 Km2 e uma população a rondar os 12 mil habitantes - o mais baixo índice de população do distrito de Santarém - a Chamusca encontra na dispersão das localidades que compõem a sua malha residencial uma das principais dificuldades.
Mas como a CDU tem provado em dezenas de concelhos um pouco por todo o País, não existem dificuldades inultrapassáveis quando o empenho e a vontade em servir as populações é mais forte que algumas impossibilidades aparentes.
«Para responder às necessidades das populações com a devida qualidade é necessário ter uma série de equipamentos descentralizados que evidentemente custam a manter, desde os equipamentos desportivos, aos centros de saúde, já completamente requalificados», afirmou Sérgio Carrilho
O cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal explicou também que «os programas de revitalização urbana nas várias freguesias, desde o arranjo e embelezamento dos espaços públicos à valorização de pequenos espaços verdes» foram sempre prioridades, isto porque, «a qualidade dos equipamentos urbanos ajuda a que as pessoas se sintam bem».
Um outro exemplo claro desta marca distintiva dos comunistas e dos seus aliados nas autarquias é que, na Chamusca, o abastecimento de água às residências é total – foram mesmo feitas algumas melhorias nas freguesias do Pinheiro e da Carregueira – e, na área do saneamento básico, «temos neste momento 55 por cento de cobertura, já com ETAR’s, estando a decorrer o concurso para uma obra em duas freguesias que acreditamos, no prazo de dois anos, nos vai elevar até aos 80 por cento de cobertura às populações do concelho», indicou o presidente.
Para além de dispersa, a população residente no município também se caracteriza pela sua composição.
«Somos um concelho com muita gente idosa, de baixos rendimentos, e com muitas famílias carenciadas», disse o candidato da coligação, facto que torna indispensável a intervenção da autarquia na dinamização de projectos sociais como o arranque dos centros de dia do Chouto e da Parreira, ou «colaborando em estreita relação com várias entidades que no terreno fornecem refeições e apoio domiciliário, transportam as populações e auxiliam-nas nos cuidados de saúde, ou simplesmente procuram tornar menos difícil o dia-a-dia dos sectores mais débeis da população».

Confiança para continuar

Apontadas as prioridades de intervenção nos últimos quatro anos, procurámos saber com que moldes se talham as ideias para o futuro do concelho.
O actual presidente da Câmara avança com linhas de continuidade como «a relação de cooperação com as associações, as colectividades e os seus programas próprios, mas também actividades de caracter lúdico mais geral, como o Festival de Teatro dinamizado por uma associação do concelho ou a ocupação dos tempos livres e das férias das crianças».
Na área da cultura e dos espectáculos, explica o responsável municipal, «não descuramos a existência de espaços dignos e, onde os equipamentos são centrais, comparticipamos com a maior parte dos fundos» mantendo, desta forma, «o investimento em obras de requalificação das respectivas instalações, como acontece nesta fase através da recuperação do Cine-Teatro, da construção uma nova biblioteca municipal - que só não estará concluída neste mandato porque o processo se complexificou- – ou da valorização do projecto Valtejo de aproveitamento das margens do rio, como acontece no Arrepiado».
«Os grandes esforços», continua Sérgio Carrilho, «serão feitos, no entanto, nas áreas do desenvolvimento económico, no sentido de criar emprego; no ensino, combatendo a exclusão e fomentando a formação; na área social, insistindo na cooperação com os agentes locais nas iniciativas de apoio à terceira idade, porque só assim podemos melhorar as condições de vida das populações e garantimos que esse espírito se mantém e reforça».
Quanto à resposta a dar à desinformação que o PS transformou em cartazes pelo concelho, Sérgio Carrilho não se mostra preocupado e rebate a pergunta lançada sem medo do desafio: «as pessoas devem mesmo ver o estado em que está o concelho. Temos que confiar nas populações, sempre!»

O fogo e as cinzas

«A situação mais difícil que nos aconteceu neste mandato foi em Agosto de 2003, nos grandes incêndios. A nossa vida foi profundamente afectada porque ardeu cerca de um terço da área florestal, ou seja, mais de 22 mil hectares».
A violência da catástrofe e a crueza dos números avançados por Sérgio Carrilho deixam claro que, de um dia para o outro, a paisagem do concelho se modificou radicalmente, arrastando património, habitações, recursos naturais e económicos.
Apesar de tudo, o presidente da Câmara garante que «não houve alteração das prioridades. Confrontámo-nos foi com a introdução de novas exigências, de situações que reclamaram um esforço violentíssimo, sobretudo ao nível das soluções imediatas, das intervenções na área da solidariedade, mas persistem as principais questões de fundo, nomeadamente o facto de termos ficado sem um terço da área florestal com fortes implicações na economia do concelho e das populações. Arderam empresas, postos de trabalho, morreram pessoas, animais, perdeu-se muito gado».
Qualquer que seja a estimativa, «ficará sempre aquém», afirma Sérgio Carrilho, na medida em que fica por fazer a reposição do potencial económico. «Por exemplo», continua, «recuperar a floresta é uma coisa que leva muitos anos. Se falarmos de pinheiro ou de eucalipto, mesmo que haja apoios para essas intervenções, a reposição do potencial não se fará em menos de 20 ou 25 anos, e um sobreiro leva quatro décadas a crescer. Mesmo quando falamos do período pós incêndios, podemos afirmar que o sucesso das ajudas que se seguiram só foi possível fruto de um grande apoio e dinâmica dos serviços sociais da Câmara, até porque foi a autarquia quem coordenou as operações em cooperação com outros envolvidos. De outra forma, num ano não teríamos conseguido fazer 14 casas novas para realojamentos, e efectivar ainda as intervenções feitas no âmbito do apoio do Fundo de Solidariedade da UE, aplicado em infra-estruturas afectadas pelos fogos».

Fixar emprego, conservar o ambiente

Contando com poucas receitas próprias, a economia do concelho da Chamusca permanece em muito baseada na agricultura e na exploração dos recursos florestais.
Muito embora seja lento e complexo, o processo de revitalização e reconversão da economia local já está em marcha.
«O aterro sanitário, que é o maior do distrito, funciona com estruturas como uma estação de triagem e selecção do lixo e vai ainda ser construída uma Central de Valorização Orgânica. Desenvolvemos também um trabalho importante na discussão da política de resíduos, na instalação de um aterro de resíduos industriais banais, e na definição de uma grande zona para a instalação de empresas na área da reciclagem, das industrias do ambiente e das energias alternativas e renováveis», afirmou Sérgio Carrilho exemplificando que produção e ambiente não têm obrigatoriamente de se encontrar em pólos opostos.
Segundo nos relatou o eleito da CDU, «foi dada particular atenção ao desenvolvimento de espaços que permitam a instalação de empresas, o que levou a que chegássemos ao fim deste mandato com a consciência de que atingimos os objectivos possíveis e pensamos que nos próximos quatro anos iremos continuar a trabalhar nestes e noutros projectos que promovam o desenvolvimento económico».
Quanto ao percurso a seguir, Sérgio Carrilho afirma que o caminho já se encontra “asfaltado”, na medida em que «criámos Zonas de Actividades Económicas, que oferecem condições para a instalação de empresas. Neste momento temos quatro espaços deste tipo: na Chamusca, em Ulme, na Carregueira e no Chouto. Estão todos parcialmente ocupados, mas já investimos somas avultadas na sua infra-estruturação, desde a compra dos terrenos até aos arruamentos e acessos».
O que falta então para que as empresas comecem a fixar-se no concelho?
«A nossa maior deficiência é em relação à rede viária. Não a rede viária municipal, porque isso fizemos o que pudemos e o que não pudemos», explica Sérgio Carrilho.
«O constrangimento que esperamos que o Governo resolva para que não continuemos a ser penalizados é, por um lado, a concretização do troço rodoviário entre Almeirim-Alpiarça-Chamusca - que está novamente em estudo prévio depois do primeiro estudo não ter sido assumido, perdendo-se 10 anos - e o lanço viário de ligação entre a Chamusca, a nova ponte, a Golegã e Vila Nova da Barquinha, que se encontra na fase de projecto, mas que temos esperança que seja lançado o concurso com a máxima urgência», concluiu.

Candidatos apresentados

Sérgio Carrilho e José Melão, primeiros candidatos das listas da CDU à Câmara e Assembleia Municipal da Chamusca, respectivamente, foram apresentados, juntamente com os restantes candidatos aos órgãos autárquicos do concelho, num convívio que decorreu no passado domingo.
A iniciativa, que contou com as presenças de Bernardino Soares, membro da Comissão Política do PCP e deputado na Assembleia da República, e de Joaquim José Garrido, mandatário da CDU na Chamusca, juntou mais de centena e meia de militantes, amigos e apoiantes em Vale de Cavalos.
Para além do necessário balanço da obra feita e da análise das linhas mais gravosas da política de direita que ameaça afundar ainda mais o País condicionando o desenvolvimento local, a nota dominante da sessão de apresentação situou-se no entusiasmo e confiança dos presentes no reforço da CDU enquanto força política consequente, empenhada e responsável na condução dos destinos da Chamusca e das suas populações.


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