Editorial

«Para o colectivo partidário comunista, a rentrée é todos os dias»

COM A LUTA

Assim se faz a opinião pública: informados pela comunicação social dominante, os comentadores de serviço à política de direita desconhecem parte grande do que no País se passa e, possuidores desse desconhecimento, escrevem e falam como se fossem donos e senhores da verdade; opinam e concluem como se estivessem estribados em dados e factos concretos e reais; e deliciam-se com o facto de a sua opinião publicada, à custa de tanto repetida, se ir transformando em opinião pública – uma opinião pública que, depois, invocam nas suas análises como se nada tivessem a ver com ela.
O exemplo mais evidente desta realidade nestes meses de Verão é o que diz respeito aos comícios e sessões relacionados com as próximas eleições autárquicas. Começou um comentador por dizer que esses comícios e sessões, em geral, eram uma tristeza, autênticos fiascos com meia dúzia de participantes, e logo outros colegas de ofício se fizeram eco do primeiro e aproveitaram para recordar o que há três anos estabeleceram como verdade absoluta sobre os comícios da chamada rentrée: coisas do passado, modelos desactualizados, iniciativas sem ponta de modernidade e das quais os cidadãos estão fartos e já não querem mais. É certo que, ultimamente, corrigiram um bocadinho o tiro: quando o PS, o PSD e o BE anunciaram as suas rentrées para os mesmos dias em que ocorre a Festa do Avante!...

Sobre a chamada rentrée, sublinhe-se que, sendo palavra que assenta como uma luva em todos os restantes partidos nacionais, é pouco apropriada ao PCP. Na verdade, a Festa do Avante!, realizada no primeiro fim de semana de Setembro, não é rentrée de nada. É, isso sim, o culminar de vários meses de trabalho voluntário e colectivo, durante os quais milhares de militantes e simpatizantes comunistas constroem a maior iniciativa política, cultural, artística e de convívio realizada no nosso País – um espaço de alegria e de reflexão onde Portugal está presente através das representações das diversas organizações regionais do PCP; um espaço de cultura e intervenção artística onde cabem as mais diversificadas expressões e onde a exigência primeira e fundamental é a da qualidade; um espaço de solidariedade internacionalista e de luta pela paz e contra a guerra; um espaço de fraternidade e camaradagem, de recarregar de baterias e de forças para prosseguir a luta contra a política de direita que há quase trinta anos flagela o País e a democracia; um espaço de reflexão sobre os grandes problemas do País e do mundo; um espaço jovem porque cada vez mais construído e participado por jovens; um espaço novo e moderno, porque apontando para o futuro.
Por tudo isto, também em matéria de dar resposta aos problemas decorrentes da situação política, a Festa é, ela própria, uma forma de luta, na continuidade da luta de todos os dias pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

Se, desta realidade concreta, pouco ou nada transparece na comunicação social dominante, é natural que tal realidade esteja arredada da base de dados onde vão beber os comentadores de serviço e é natural que os escritos por estes vertidos falem de uma realidade... irreal. Se, na cobertura das iniciativas relacionadas com as eleições autárquicas, os órgãos de comunicação social marginalizam as que são promovidas pela CDU, é natural que os comentadores falem de todas as forças em presença menos da CDU – que, para eles, não existe, ou existe mal… Se diariamente, mais coisa menos coisa, esses órgãos de comunicação social, numa azáfama diligente e cheios de preocupações informativas, nos mostram José Sócrates e Jorge Coelho e Manuel Maria Carrilho e Francisco Louçã e Marques Mendes e Ribeiro e Castro e por aí fora, não lhes restando tempo nem espaço para tratarem de igual modo os dirigentes do PCP e os candidatos da CDU, que outra coisa resta aos ditos comentadores que não seja o recurso à velha cassette, recauchutada que baste para bem cumprir a sua missão?

Daí os tais comícios e sessões eleitorais que são uma tristeza, autênticos fiascos… Para o comentador-pai do referido comentário, os milhares de pessoas que, de norte a sul do País e nas regiões autónomas, participaram, até agora, nas centenas de apresentações de listas da CDU, pura e simplesmente não existem: porque os jornais que ele lê, as rádios que ouve, os canais de televisão que vê, não deram a notícia, não mostraram nem falaram desses comícios e sessões, não mostraram nem falaram das salas cheias de activistas e simpatizantes da CDU.
Entretanto, e enquanto o coro de comentadores comenta, a caravana passa… e a luta continua. E, por isso, a confiança cresce. Para os militantes do PCP, para o colectivo partidário comunista, a rentrée é todos os dias. É de luta que se trata quando constroem, na Quinta da Atalaia, a cidade que durante os próximos dias 2,3 e 4 de Setembro vai ser o local com o maior índice de fraternidade por metro quadrado em todo o País. Foi luta a Festa da Unidade que, no passado fim-de-semana, juntou, em S. Pedro da Cova, duas mil pessoas. E, como aí afirmou o responsável da JCP, Daniel Vieira, a Festa foi construída, também, «com a militância da juventude, sem deixar para trás a luta em prol dos seus problemas mais sentidos» – e, como sublinhou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, «o futuro da CDU é crescer porque é um projecto cimentado no trabalho, na honestidade e na competência»; e, «um dia, Portugal pode ser melhor». E há-de ser. Com a luta.


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