Indecisão paralisa mercado

As indecisões na construção do novo aeroporto internacional de Lisboa levaram à quase paralisia do mercado imobiliário, fazendo estagnar ou mesmo descer o preço dos terrenos na zona da Ota, negociados a preços três e quatro vezes acima do seu valor, quando da decisão da construção do aeroporto. Os adiamentos que se lhe seguiram criaram, porém, um tal descrédito que, quando este Governo voltou a anunciar o aeroporto na Ota, o mercado imobiliário nem sequer mexeu. Só no concelho de Alenquer existem quatro mil fogos aprovados a aguardar a definição das áreas destinadas ao aeroporto e seus acessos. Neste momento, os grandes grupos económicos que haviam comprado terrenos a um preço elevadíssimo não conseguem vendê-los nem sequer aprovar projectos, enquanto afrouxa o interesse das empresas em instalar-se na zona.


O segundo pior dos últimos anos

Desde o início do ano, que poderá registar uma das piores épocas de incêndios dos últimos 15 anos, já foram detidos 108 suspeitos de fogo posto, 26 dos quais ficaram em prisão preventiva. Embora ainda não exista um balanço exaustivo, o presidente da Liga dos Bombeiros admite que a área ardida ultrapasse este ano a de 1991, em que arderam 185 mil hectares, ficando apenas atrás da devastação de 2003. Os fogos atingiram proporções tais que o Governo foi obrigado a pedir ajuda à União Europeia, atitude que os comandantes dos bombeiros criticam por atrasada. Independentemente de haver ou não mão criminosa atrás dos incêndios, a facilidade com que os mesmos se propagam deve-se em grande medida à falta de ordenamento, de limpeza e ao abandono em que se encontram as matas e florestas portuguesas, na sua quase totalidade pertencente a privados.


Quebra de vendas nos combustíveis

Os portugueses estão a consumir menos combustíveis, sobretudo gasóleo, devido aos aumentos de preços verificados neste último ano e meio. Estes aumentos, que segundo o sector determinam o fenómeno, contrariam a teoria económica que defende que os preços, no caso da energia, não afectam o comportamento dos consumidores.
Um documento do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia aponta entretanto para uma quebra de 7,5 por cento nas vendas da gasolina até Abril face a igual período do ano passado e de 1,6 no gasóleo, enquanto a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas referentes a Julho – baseada na média-móvel contabilizada em litros –, para uma quebra de 5 por cento na gasolina nos últimos as meses e uma desaceleração no crescimento do gasóleo.
Apesar da escalada de preços, o consumo de energia subiu 10 por cento até Abril na indústria, relativamente a igual período de 2004, afectando grandes, pequenas e médias empresas e levando alguns sectores mais afectados a procurar outras fontes de energia.


Fosso aprofunda-se

As regiões mais ricas do Norte e Centro da Europa recebem fundos substancialmente superiores aos recebidos pelas regiões menos desenvolvidas do espaço comunitário, concluíram investigadores britânicos, com base em dados estatísticos da União Europeia referentes à distribuição de subsídios agrícolas.
Assim, segundo o estudo das Universidades de Newcastle e Aberdeen, a Política Agrícola Comum aprofunda o fosso entre regiões ricas e pobres. Ou seja, enquanto por exemplo a maioria das regiões do Sul da Europa têm médias de subsídios inferiores aos 10 000 euros por unidade de trabalho agrícola, as ajudas recebidas pelas regiões do Norte e Centro oscilam entre os escalões dos 25 000 a 40 000 euros e acima dos 40 000 euros, devido principalmente ao facto de terem explorações agrícolas com maior dimensão e ao tipo de agricultura que realizam.


Não esquecer a escravatura

A propósito da passagem do Dia Internacional de Memória do Tráfico de Escravos e da sua Abolição, na terça-feira, o director-geral da UNESCO para a Educação Ciência e Cultura divulgou uma mensagem convidando a humanidade a recordar a escravatura e a reflectir sobre a construção de novas formas de cidadania.
«O tráfico, a escravatura e a sua abolição pertencem à história. Mas não pertencem ao passado, porque servem para entender um presente lamentavelmente marcado pelo racismo e discriminações», considerou Koichiro Matsuura, salientando, entretanto, que apesar «da persistência de estereótipos mais radicais e de política discriminatórias brutais, se deu um passo inesperado na comunicação inter-cultural e criou-se uma nova oportunidade de diálogo».


Resumo da Semana