• Miguel Inácio

«As pessoas começaram a ver que nós não andávamos na política por interesse próprio»
Almeida está na rota do desenvolvimento
Vontade de fazer melhor
Há quatro anos nascia em Almeida, distrito da Guarda, um projecto novo. Um projecto ambicioso. As eleições autárquicas de 2001 deram um resultado inédito para a Freguesia de Almeida. Assim, uma nova equipa, da CDU, passou a estar à frente dos destinos da Junta de Freguesia. O entusiasmo e a vontade de fazer com que a vila de Almeida tenha finalmente o lugar a que tem direito no mapa do desenvolvimento e do progresso deram-lhes ânimo para, com todo o tipo de dificuldades e de obstáculos, fazer o seu melhor em prol da terra que amam.
Este é um projecto onde cabem todos. Todos os que partilham este amor por Almeida. Todos os que querem um futuro para esta vila histórica digna do seu passado. Todos os que desejam que Almeida não desapareça na voragem do centralismo e da desertificação do interior.

Este Executivo, composto por dois elementos da CDU e um do PS, luta para que Almeida seja um lugar não só bonito para visitar e onde é agradável voltar, mas sobretudo onde se goste de viver e que dê oportunidade aos seus filhos para lá viverem se assim o desejarem. Quer-se uma vila dinâmica, progressiva, que dê trabalho aos seus, que atraia os de fora.

Localizada no distrito da Guarda encontra-se a freguesia de Almeida. Projectada para a defesa da nacionalidade, Almeida é hoje um dos marcos da arquitectura militar abaluartada em Portugal, orgulhando-se das suas muralhas e na revitalização do espaço que os antepassados legaram. Foi a coragem de generais, dos soldados e, sobretudo, da população que na luta contra os invasores incutiam alma ao País na defesa lusa e esta lhe respondia «Alma até Almeida».
Mas, esta vila, uma das mais bonitas do nosso País, não vive apenas do passado. Aqui, para além de um projecto que tem como principal objectivo a defesa dos interesses das populações, e uma confiança alicerçada num curto mas importante percurso de trabalho e obra realizada, há também presente e esperança de um futuro melhor.
Foi com a eleição de um elemento da CDU para a Junta de Freguesia de Almeida, há duas eleições autárquicas atrás, que tudo começou. Aristides Valente de Sampaio Rodrigues, professor do ensino básico, actual presidente da Junta de Almeida, a única freguesia do distrito da Guarda, amante incondicionado desta terra que o viu nascer e crescer, em entrevista ao Avante!, falou-nos do percurso da coligação naquela localidade, nas dificuldades enfrentadas, nas propostas e programas a apresentar, sempre com vista há resolução dos problemas e aspirações locais.
«A CDU, ao longo dos actos eleitorais, sempre se apresentou a sufrágio. Mas, nesta terra, como é a nossa, extremamente conservadora, tradicionalista, com um voto muito fixado à direita, sempre obtivemos poucos votos. A certa altura algo mudou, as pessoas começaram a ver que nós não andávamos na política por interesse próprio, que tínhamos iniciativa, vontade e possibilidade de fazer coisas», contou Aristides Rodrigues, recordando que, há oito anos, a CDU apenas elegeu um elemento, ele próprio.
Nas eleições autárquicas seguintes, continuou, «até porque as pessoas viram que a diferença entre os executivos anteriores e aquele era o elemento da CDU, deram-nos a vitória, ficando a vinte votos da maioria absoluta. O que foi pena, porque o processo de formação da Junta de Freguesia foi muito complicado. O PS e o PSD, contra aquilo que se tinham comprometido, coligaram-se e eu estive a uma hora ou duas de ser o único membro da CDU no Executivo. Estava tudo preparado, eles (PS e PSD) combinaram o voto para eleger, na primeira Assembleia de Freguesia, um indivíduo do PS e outro do PSD. Isso era a coisa pior que podia acontecer, a Junta de Freguesia de Almeida não ia funcionar de maneira nenhuma».
Sublinhando que foi preciso vencer muitas barreiras, «às vezes sociológicas e psicológicas», o actual presidente e candidato à Junta de Freguesia de Almeida salientou que, nesta terra, não se trata de uma transferência ideológica da população, mas sim o reconhecimento de um colectivo de pessoas, que são de esquerda, que têm uma maneira diferente de estar na política.
«Não vamos dizer que o eleitorado de Almeida passou a ser de esquerda. O nosso eleitorado foi sempre reduzido. Apenas conseguimos por as pessoas, de vários sectores, ideológicos e partidários, a votar na CDU», concluiu.

CDU sempre com a população
A diferença está no projecto

Mas o que mudou, para além dos carimbos nos atestados, com a entrada deste Executivo na Freguesia de Almeida?, interroga-se certamente o leitor e também o jornalista.
«Temos uma grande dificuldade que é o orçamento que a Câmara Municipal (PSD) dá à Junta de Freguesia e que anda na ordem dos 17 mil euros. No entanto, embora já houvesse uma funcionária, isto ainda no anterior mandato, convenci os elementos da Junta de que valia a pena apostar na criação de postos de trabalho e comprar mais equipamentos. Hoje temos mais dois trabalhadores, para áreas semi-qualificadas, e que já estão no quadro do pessoal. Comprámos tractores, alfaias, uma retro-escavadora e uma carrinha. Ou seja, passámos a ter uma intervenção muito grande em termos de actividade, com a feitura de caminhos rurais, manutenção desses caminhos, de fontes, pontos de água, entre outros», enumerou o autarca do PCP.
Lembrando ainda que mais de metade do orçamento vai para os vencimentos dos trabalhadores, Aristides Rodrigues enalteceu a intervenção da Junta de Freguesia de Almeida nas diversas áreas, que vão desde a cultura ao turismo e sua divulgação, ao desporto e tempos livres, às novas tecnologias, ao ordenamento cinegético e ao recuperar de velhas tradições.
A educação, nesta freguesia, é outras das prioridades. «O apoio às crianças, da pré-primária ao segundo-ciclo, fazia parte do nosso programa eleitoral. Tínhamos um conjunto de promessas e iniciativas que nos propusemos fazer e que cumprimos», disse, citando a criação de um ATL, que não havia em Almeida. «Foi uma iniciativa nossa e que tem uma grande adesão e importância para a vida das pessoas. A escola primária, o primeiro-ciclo, terminava às 16 horas e havia pais que não conseguiam ir buscar os seus filhos à escola. Agora podem ir buscá-los mais tarde», lembrou Aristides Rodrigues.
De destacar, de uma enorme coragem e amor pelas gentes da sua freguesia, foi a aquisição de uma carrinha, para transporte de crianças, de casa para a escola e da escola para casa, paga a prestações com o vencimento dos dois eleitos da CDU.
Como forma de encorajar os alunos, a Junta de Freguesia, entre várias outras iniciativas, atribui ainda, todos os anos, o prémio de melhor aluno de Almeida dos 4.º e 12.º anos de escolaridade. O prémio consiste na compra de material escolar para o melhor aluno do 4.º ano e do pagamento das propinas do primeiro ano da Faculdade em instituições do ensino público para o melhor aluno do 12.º ano.
A nível cultural, ou até de apoio à economia da freguesia e do concelho, destaca-se a Feira do Fumeiro e Artesanato, com cada vez mais participações de vendedores e compradores, a Festa das Vindimas e produtos regionais, a dinamização da feira anual de 1 de Setembro, mais conhecida como Feira Nova, o Encontro de Tunas, a Fogueira de Natal e de Fim do Ano e a Iluminação de Natal.
A Junta de Freguesia de Almeida dá ainda especial atenção ao desporto, proporcionando, a várias dezenas de crianças, com o apoio do IPJ, intensa actividade desportiva, cultural e de contacto com a natureza. Organiza, também, todos os anos, em colaboração com a Associação dos Amigos de Almeida, caminhadas que dão a conhecer alguns dos antigos caminhos da freguesia.
«O nosso interesse é divulgar Almeida. Esta é uma terra rica em termos de património arquitectónico e histórico, está junto da fronteira, numa zona privilegiada de acessos, a agricultura de subsistência acabou, a indústria não se concentra aqui, temos que pegar nas armas que temos, ou seja, fomentar o turismo», afirmou o presidente da Junta de Freguesia.

Optimismo e empenho

Sobre o futuro, Aristides Rodrigues não gosta de falar. Até porque a limitação orçamental da autarquia PSD não lhe permite fazer tudo o que queria. No entanto, está optimista em relação às próximas eleições autárquicas. «As pessoas estão satisfeitas, sabem que temos trabalho e iniciativa, sabem que a nossa maneira de fazer política é servir as populações, não temos outros intuitos nem benefícios pessoais ou qualquer outro tipo de carreirismo», assegurou.
Interrogado sobre um possível bom resultado para o concelho, o autarca do PCP pôs como meta a conquista da Câmara Municipal. «Há muita gente que ainda hoje tem dificuldades em aceitar que a Junta de Freguesia de Almeida é da CDU, sendo a Câmara do PSD, tendo sido do CDS. Para mim é o exemplo de que é possível, eventualmente, ganhar a Câmara. Hoje somos a única Junta de Freguesia da CDU no distrito da Guarda. Anos atrás nunca se pensaria que isso acontecesse. Penso que com o nosso fruto, com o nosso exemplo, será possível, não só neste distrito, mas em outros distritos igualmente difíceis, elegermos mais candidatos, porque sabemos que isso é meio caminho andado para que a vida das pessoas melhore, para que haja mais condições nas freguesias e nos concelhos».


CDU apresenta listas a todas as Câmaras e Assembleias Municipais
Confiança no futuro!

Apesar do prazo legal só ter terminado no dia 16, a CDU do distrito da Guarda fez a entrega, dia 12, nos tribunais de comarca respectivos, dos processos correspondentes à formalização das suas candidaturas a todas as câmaras e assembleias municipais do distrito, e a 58 assembleias de freguesia, mais duas do que aquelas em que concorreu em 2001.
Correspondendo ao reconhecimento da CDU como espaço unitário e plural e atraídos pela prática de gestão autárquica da Coligação, consubstanciada na consigna de «Trabalho, Honestidade e Competência», as listas da CDU, agora apresentadas, receberam a adesão de centenas de cidadãos independentes e sem filiação partidária, ascendendo a mais de 70 por cento do total dos candidatos, numa manifestação inequívoca de confiança na CDU e na sua capacidade de trabalho, para resolver os muitos problemas com que se defrontam as populações.
A CDU, como expressão política de ideias e projectos novos, viu aumentar significativamente o número de jovens candidatos nas suas listas, assumindo alguns deles o desafio maior de liderar as respectivas candidaturas às câmaras municipais (Gouveia e V.N. de Foz Coa, por exemplo), sendo igualmente de realçar o facto de várias listas para as assembleias de freguesias terem médias de idade inferiores a 25 anos (Âlvoco, Santiago e Seia, por exemplo).
Também o número de mulheres candidatas quase duplicou. Sem a mascarada artificial e humilhante das quotas, as mulheres reconhecem na CDU o apoio consequente à sua luta pela emancipação e pela igualdade de oportunidades. Contudo, apenas três aceitaram liderar as listas para as câmaras e assembleias municipais (Gilberta Avelãs - Aguiar da Beira, Maria do Céu Ferreira - Gouveia, Maria Paula Cristina Rodrigues - Trancoso).
Neste sentido, concluído o processo de apresentação das listas e tendo como referência a verificada adesão e apoio suscitado pelo seu projecto autárquico, a CDU alimenta fundadas esperanças de vir a obter no distrito da Guarda um resultado eleitoral significativo, quer a nível de mandatos para os órgãos autárquicos quer em número de votos.

Relembrar o passado

Vila fronteiriça bem preservada, Almeida é sobretudo notável pelas suas construções defensivas em forma de uma estrela de doze pontas. Estas fortificações, erguidas no estilo de Vaubon, arquitecto militar de nacionalidade francesa, eram características de um período (século XVII e XVIII) em que as guerras eram travadas com estrepitosas armas de fogo.
A fortaleza foi construída em 1641, depois de os espanhóis terem destruído as anteriores defesas que protegiam a vila e o seu castelo medieval. Mais tarde, em 1810, durante as invasões francesas, uma explosão nos paióis fez ir pelos ares a torre de menagem e abriu grandes brechas nas muralhas.
Hoje, ainda é possível visitar as casamatas dos soldados, subterrâneas, e também a sala de armas que recorda a história militar de Almeida. Destacam-se também, na vila, a igreja paroquial e a Igreja da Misericórdia (século XVII), o Convento da Barca (século XVIII) e os Paços do Concelho (século XVIII).
Ainda no concelho, Castelo Mendo oferece ao visitante as ruínas do seu castelo do século XIII, interessantes casas dos séculos XV e XVI e a igreja paroquial com um belo tecto mudéjar.
Para além desta povoação, a dramática paisagem do vale do rio Côa, que corre entre rochedos e fragas, nunca deixa de impressionar quem por lá passa.


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