• Isabel Araújo Branco

Cidade da Juventude
O poder da união dos jovens
Uma parte importante dos visitantes da Festa do Avante! são jovens que vêem reflectidos na Cidade da Juventude os seus problemas e aspirações. O lema do 8.º Congresso da JCP marcou o ritmo: «Transformar o Sonho em Vida».
O ambiente está especialmente descontraído na Cidade da Juventude. Casais namoram junto aos murais, sonolentos grupos descansam à sombra, outros cantam as canções preferidas em coro. O calor está a apertar, mas visitar a Festa é também celebrar o sol, o Verão final, a alegria do dia luminoso... mesmo que seja difícil de suportar 35 graus. Por isso, os jovens descobrem a pele, mostram os braços e a barriga, bebem uma cerveja, compram garrafas de água. «’Bora ver! O concerto está mesmo bacano!» exclama um jovem visitante. E apressa-se a regressar para junto do Palco Novos Valores, que durante os três dias da Festa acolheu as 12 bandas seleccionadas nos concursos regionais da JCP.
Na Cidade da Juventude há essencialmente jovens. Mas nem só, porque os problemas dos jovens não são exclusivos da sua faixa etária e as suas reivindicações são muito justas. O espaço tem uma decoração marcadamente política. «Adere à JCP» lê-se num canto, no outro «Propinas e Bolonha não». A abelhinha da CDU não foi esquecida, piscando o olho ao visitante com um boletim de voto na mão. A exposição política aborda as principais iniciativas realizadas pela JCP no último ano, as lutas dos estudantes do ensino secundário e superior, as propostas da organização, a presidência da Federação Mundial da Juventude e dos Estudantes e a vitória dos povos contra o nazismo e o fascismo na 2.ª Guerra Mundial.
As bancas vendem cadernos, t-shirts, lápis, blocos, isqueiros, agendas... A lista de produtos é grande. Os fundos são muito importantes para a organização, mas o objectivo essencial é «intervir e afirmar a JCP através dos nossos materiais», como explica Filipe Rodrigues.
«Temos documentos na banca, os visitantes desfolham, lêem, perguntam... É uma forma de consciencializar a juventude. O Agit – o jornal da JCP – é o material que tem mais informações sobre a nossa organização e os problemas dos jovens», refere Filipe, acrescentando que as vendas da publicação foram tão boas que o investimento financeiro feito no número de Setembro estava pago a meio da tarde de sábado.
Os restantes materiais servem como pretexto para um início de conversa nas escolas, nas ruas e nos locais de trabalho. «É também uma forma de chegar às pessoas. Com o actual quadro político, muitos jovens nunca ouviram falar na JCP. Um amigo que veio às jornadas de trabalho nem sabia que podia haver colectivos nas escolas. Se as pessoas têm um caderno da JCP é porque têm alguma ligação connosco, surgem perguntas e a conversa vai-se desenvolvendo», diz Filipe Rodrigues.

Preparar o Congresso

No cimo da Cidade da Juventude brilha o lema do 8.º Congresso da JCP, «Transformar o Sonho em Vida», que se realiza a 20 e 21 de Maio de 2006. O congresso foi marcado há duas semanas na Atalaia, numa reunião da Direcção Nacional, depois de uma jornada de trabalho. Até lá, os jovens comunistas têm como objectivo inscrever mil novos militantes e recolher 60 mil euros na campanha de fundos.
«A preparação do congresso começa já esta semana. Começaremos por discutir o que deve ser a resolução política a levar ao congresso para que em Janeiro já esteja redigido o projecto de resolução política», declara Mário Rui Peixoto ao Avante!. «Vamos partir para a preparação do Congresso, mas não vamos dar menos atenção à sociedade. Como organização revolucionária de juventude, não vamos fechar para congresso. Vamos prepará-lo em estreita ligação com as lutas da juventude, dinamizando-as», acrescenta.
O balanço do trabalho desenvolvido desde Novembro de 2002, data do último congresso, será feito em Maio, mas Peixoto adianta que «no geral, os objectivos traçados estão a ser cumpridos. Há desenvolvimentos muito importantes, nomeadamente na área do ensino profissional e da juventude trabalhadora. Tem-se registado passos muito significativos, no número de colectivos, nas actividade e na mobilização para a luta.»
O reforço da organização da JCP dos jovens trabalhadores reflectiu-se na luta sindical. «Neste período houve uma actividade intensa, com os jovens comunistas na linha da frente», afirma o dirigente, fazendo referência à queda do Governo, à contestação à Lei de Financiamento do Ensino Superior, à revogação de alguns conteúdos do pacote laboral e aos protestos contra o fim dos fundos comunitários do ensino profissional.
Sem a acção da JCP o País estaria diferente para pior. «Os governos e as políticas de direita só vão mais além se a juventude deixar. O Governo PS não diz que vai revogar as propinas ou baixar o seu valor, mas já diz que não vai aumentar. Isto resulta da luta dos estudantes, porque se tivesse condições para isso continuava as decisões do PSD/CDS», considera Peixoto.


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