Os dois maiores partidos alemães perdem votos e deputados no parlamento
Eleições na Alemanha
A derrota das políticas de direita
Os eleitores alemães infligiram, nas eleições de domingo, dia 18, uma derrota simultânea à coligação governativa SPD/Verdes e à «oposição» conservadora formada pela democracia cristã e o partido liberal.
A rejeição das políticas anti-sociais do chanceler Schroeder traduziu-se numa acentuada descida eleitoral do Partido Social Democrata (SPD), que baixou de 38,5 por cento obtidos em 2002, para 34,3 por cento no sufrágio de domingo, registando assim um dos seus piores resultados desde a fundação da República Federal.
Quase tanto perdeu a democracia-cristã (CDU/CSU), descendo de 38,5 por cento para de 35,2 por cento. Também os «Verdes», que garantiram a maioria parlamentar aos governos de Schroeder, foram penalizados nas urnas, conseguindo apenas 8,1 por cento dos votos, ou seja, menos 0,5 por cento do que nas eleições de 2002.
A grande surpresa foi a espectacular subida do Partido do Socialismo Democrático, que recentemente adoptou o nome de «A Esquerda.PDS», em cujas listas concorreram membros da Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), liderada pelo antigo presidente do SPD, Oskar Lafontaine, bem como do Partido Comunista da Alemanha (DKP).
O partido «A Esquerda.PDS» atingiu 8,7 por cento dos votos, isto é, mais 4,7 por cento do que o PDS conseguira nas últimas eleições, superando pela primeira o limite de cinco por cento exigido para a eleição deputados nacionais para o parlamento, onde obtém 54 lugares.
Em consequência, «A Esquerda» tornou-se a quarta força mais votada na Alemanha, à frente dos «Verdes» e logo a seguir aos Liberais (FPD) que recolheram 9,9 por cento dos votos.
Nos estados da antiga RDA, «A Esquerda» sobre entre cinco e nove por cento em relação à votação anteriormente conseguida pelo PSD, conquistando 25,4 por cento dos votos, ligeiramente acima da CDU/CSU (25,3%) e só abaixo do SPD, que baixa para 30,5 por cento.
Na parte ocidental onde, há dois anos, o PDS obtivera 1,5 por cento dos votos, consegue ultrapassar a barreira dos cinco por cento em seis estados, alcançando o resultado excepcional de 18 por cento no Sarre, que teve Lafontaine como primeiro-ministro. Nos restantes quatro estados federais, o resultado oscilou entre os três e os 4,5 por cento.

Oposição às reformas

No rescaldo eleitoral, o partido «A Esquerda» reafirmou a sua recusa em formar governo com o SPD, devido à orientação neoliberal dos sociais-democratas, sublinhando que esta posição de princípio manter-se-á até serem revogadas as contestadas reformas dos sistemas de protecção social, incluídas na chamada Agenda 2010, também conhecida por pacote Hartz IV.
Por outro lado, regozijou-se com a entrada para o Bundestag (parlamento) «de um partido que se opõe a que a segurança da Alemanha se defenda no Afeganistão».
Até ao momento, todas os restantes partidos declararam também que recusam formar alianças com «A Esquerda».
Com programas políticos muito semelhantes, ambos defendendo o prosseguimento da Agenda 2010 e do pacote Hartz IV, SPD e CDU/CSU optaram por campanhas personalizadas, assentes nas figuras de Schroeder e de Merkel, que se revelaram incapazes de convencer o eleitorado descontente e desiludido com as políticas liberais.

Crise política
agravada


Depois de o SPD ter vindo a perder sucessivos sufrágios regionais, o chanceler Schroeder, tentando travar o processo de decomposição do seu partido, provocou a convocação de eleições antecipadas como o pretexto estabelecer uma relação de forças clara no parlamento. Contudo, a situação resultante do escrutínio de domingo não podia ser mais confusa.
A CDU/CSU de Angela Merkel, a força mais votada (com 225 deputados), não reúne o apoio parlamentar suficiente para formar governo. Por seu turno, também o SPD (com 222 deputados), mesmo contando com os 51 lugares conquistados pelos «Verdes», não tem o apoio parlamentar necessário para chegar à chancelaria.
Por isso, não é de excluir que, caso se verifique a impossibilidade de constituir governo, a actual direcção do SPD procurem ganhar tempo, exigindo a realização de novas eleições, para travar a contestação interna.
No dia das eleições, a correspondente em Berlim do semanário francês Le Point observava, numa mesa redonda, que Schroeder «levou a cabo mais reformas (destruição de direitos e conquistas sociais) do que os governos da direita em França, com a vantagem de não ter encontrado grande oposição por parte dos sindicatos».
E para que não restem dúvidas sobre o carácter de classe das políticas conduzidas pelo SPD, o presidente da Federação Patronal, Jürgen Thulmann, manifestou-se surpreendido e desapontado com o resultado, notando que para «continuar as reformas de Schroeder é necessária uma maioria estável e clara». O capital também está desorientado e neste momento não sabe qual o cavalo que lhe traz mais vantagens.

PCP felicita Esquerda PDS

O secretariado do Comité Central do PCP enviou uma mensagem à direcção do partido «A Esquerda.PDS» em que transmite «calorosas felicitações» pelos «resultados alcançados nas eleições legilativas de domingo».
Na missiva, os comunistas portugueses sublinham que «os trabalhadores e o povo alemão dispõem finalmente no Bundestag de uma força política empenhada na defesa e promoção dos seus direitos e conquistas e no apoio à luta conta a ofensiva do grande capital e por uma Alemanha de progresso social, antimilitarista, pacífica»



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