Editorial

«Os votos da CDU terão que ser conquistados com trabalho, com convicção, com confiança»

AVANÇAR E CRESCER

Desviar as atenções do eleitorado da política do Governo e das suas consequências, é a preocupação essencial do discurso do Primeiro-ministro José Sócrates na campanha eleitoral. Pudera! Ele bem sabe o que o seu Governo está a fazer e como isso se reflecte no agravamento das condições de vida e de trabalho da imensa maioria dos portugueses. Ele bem sabe que a política que tem vindo a fazer e se prepara para continuar tem como preocupação primeira a defesa dos interesses do grande capital nacional e internacional. Ele bem sabe que, na memória dos eleitores, estão ainda vivas as promessas falsas através das quais obteve a maioria nas eleições de Fevereiro passado.
Daí que lhe convenha que os eleitores procedam como se houvesse dois PS distintos: o que está no Governo e o que quer estar nas autarquias; daí que lhe convenha que os eleitores esqueçam, agora, o PS da política de direita e votem nas promessas do PS das autarquias; daí que reincida, agora, na caça ao voto utilizando as mesmas promessas falsas e abusando do mesmo desprezo pela inteligência e pela sensibilidade dos eleitores de que fez uso nas eleições legislativas– sabendo que quanto mais votos tiver nas eleições de 9 de Outubro, mais condições tem para prosseguir, no dia 10, a política que tem vindo a fazer no Governo; sabendo que os votos que obtiver no dia 9, são votos para dar força ao novo pacote de medidas gravosas para a maioria dos portugueses que o Governo se prepara para lançar depois do dia 10.
Esta é uma questão para a qual o eleitorado deve estar prevenido de forma a que, no domingo, vote em consciência e saiba no que está a votar.
No próximo acto eleitoral, os eleitores - para além de poderem escolher para o poder local os que, ao longo do tempo, nos diversos órgão autárquicos, melhor têm defendido os seus interesses – têm uma oportunidade soberana para punir o partido do Governo pela péssima política que tem vindo a fazer.

Com efeito, as eleições de 9 de Outubro são um momento privilegiado para, através do voto, dar voz ao protesto contra a política de direita do Governo PS/José Sócrates e contribuir para a sua substituição por uma política de esquerda – para dizer não ao desemprego e impor o direito ao trabalho como um direito humano fundamental; para dizer não ao congelamento de salários, ao aumento do custo de vida, à perda do poder de compra da maioria dos portugueses; para dizer não à violação de direitos dos trabalhadores; para dizer não às baixas reformas e pensões e ao aumento da idade da reforma; para dizer não ao aumento dos impostos; para dizer não à privatização da água; para dizer não ao agravamento das desigualdades sociais; para dizer não ao aumento brutal e escandaloso dos lucros dos grandes grupos económicos e ao agravamento brutal das condições de vida e de trabalho de quem trabalha e vive do seu trabalho; para dizer não a uma política externa de servil obediência aos ditames do imperialismo norte-americano e do grande capital europeu – enfim, para dizer não a esta política agora executada pelo Governo PS e que, executada por vários governos PS e PSD, tem vindo a flagelar os trabalhadores, o povo e o País, ao longo de 29 anos.
As eleições de domingo próximo são, por isso mesmo, também um momento privilegiado para dar força aos que todos os dias lutam e resistem a esta política; aos que todos os dias se batem pela defesa dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos; aos que afirmam e agem com a profunda convicção de que Portugal não está condenado a prosseguir esta política de desastre nacional e lhe contrapõem uma política de esquerda que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que flagelam Portugal e os portugueses – ou seja, aos comunistas e aos seus aliados na CDU que são quem, todos os dias, ocupa a primeira linha da luta contra a política de direita.

Os eleitores que confiarem o seu voto à CDU sabem que estão a votar na defesa dos seus interesses pessoais e na defesa dos interesses nacionais: sabem que estão a votar no trabalho, na honestidade e na competência comprovadas dos autarcas da CDU e que, simultaneamente, estão a dar mais força à luta por uma mudança de política. O que confere às eleições de 9 de Outubro uma relevância particular e coloca a todos os activistas da CDU a importante tarefa de, nestes últimos dias de campanha eleitoral, desenvolverem todos os esforços para levar junto de mais e mais eleitores a mensagem da CDU – esforços que devem prolongar-se até ao próprio dia das eleições, incitando a ir votar todos os eleitores da CDU e assegurando a democraticidade da contagem e do registo oficial dos votos.
Nesta, como em todas as outras batalhas em que participamos, não podemos contar se não connosco. Todos os votos que obtivermos terão que ser conquistados com trabalho, com perseverança, com convicção, com confiança – e lutando contra os habituais silenciamentos e manipulações da comunicação social dominante que, na actual campanha, tem logrado superar-se a si própria em matéria de parcialidade, de desprezo pela inteligência de leitores, ouvintes e telespectadores, de exibição ostensiva da sua tarefa de bem defender os interesses dos seus patrões e mandantes.
Assim, conscientes das dificuldades e dos obstáculos que temos pela frente, mas com uma enorme confiança nas nossas possibilidades, no valor das nossas propostas e das nossas candidaturas, estamos nestas eleições para avançar e crescer. E para, no dia 10, darmos continuidade à luta.


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