Editorial

«Avançar e crescer é o caminho: dissemo-lo aqui, há uma semana e repetimo-lo hoje»

COM RAZÕES ACRESCIDAS

Mais votos, mais percentagem, mais mandatos, mais presidências de câmaras, mais presidências de juntas de freguesia: eis alguns dos mais em que se traduziu o resultado da CDU – no Continente e nas Regiões Autónomas - nas eleições de domingo passado e que constitui o dado mais relevante desse acto eleitoral. Desse resultado notável emergem, ainda, como dados plenos de significado e de importância, a vitória, pela primeira vez, em Peniche e a recuperação de seis municípios: Alcochete, Barrancos, Barreiro, Marinha Grande, Sesimbra e Vidigueira - vitórias que, no caso das três câmaras do distrito de Setúbal, fazem com que a CDU volte a ser a primeira força na Área Metropolitana de Lisboa.
Estes resultados, não obstante alguns aspectos negativos como sejam a perda das câmaras de Alcácer do Sal, Estremoz e Redondo – perda cujas consequências recairão essencialmente sobre as populações dos respectivos concelhos - reflectem o alargamento da influência e do prestígio do Partido. Reflectem o bom andamento do processo iniciado com a realização do XVII Congresso; prosseguido com o magnífico resultado obtido nas eleições legislativas de 20 de Fevereiro; reforçado com a impressionante homenagem ao camarada Álvaro Cunhal e acentuado com o enorme êxito que foi a Festa do Avante!, construída em simultâneo com a elaboração das listas para os diversos órgãos autárquicos.
Tudo isto confirmando a elevada consciência militante do colectivo partidário e a sua capacidade para atrair à luta muitos e muitos homens, mulheres e jovens independentes. Tudo isto confirmando as possibilidades reais de recuperação das três câmaras acima referidas. Tudo isto confirmando as possibilidades de dar mais força à luta de todos os dias. Tudo isto confirmando as potencialidades de avançar e crescer.

Outro dado marcante, e pleno de significado, das eleições de domingo passado é a profunda derrota sofrida pelo partido do Governo. Trata-se de uma derrota que assume expressão evidente não apenas no fracasso total no que respeita aos principais objectivos traçados pelo PS (a reconquista de municípios como Lisboa, Porto e Sintra) e na perda de câmaras como as de Santarém e Aveiro, mas ainda porque ela vem acentuar a derrota sofrida em 2001.
Esta derrota do PS não pode desligar-se do descontentamento generalizado provocado pela política do Executivo de José Sócrates. Pelo contrário: ela está tão ligada a esse facto, hoje (sete meses após a tomada de posse do actual governo), como o esteve, em 2001, a derrota do PS (ao fim de seis anos de Governo) que levou à demissão de António Guterres.
Bem podem – Sócrates e os seus pares – fingir que não há qualquer ligação entre uma coisa e outra e que os eleitores, no dia 9, fecharam numa gaveta da memória todas as malfeitorias do Governo do PS: a verdade é que, como a evidência mostra e o Comité Central do PCP sublinha, estes resultados constituem «um sério aviso ao PS e às políticas do seu Governo, um claro sinal de discordância com as medidas anti-populares que tem prosseguido».
Importa também denunciar a falsa ideia, lançada logo na noite das eleições, e, a partir daí, amplamente propalada, de um progresso significativo por parte do PSD. A verdade é que, como pode ver-se no Comunicado do Comité Central, em relação a 2001, o PSD registou uma diminuição de votos e de expressão eleitoral e viu reduzido o número de presidências de câmara.
Quanto ao BE, registe-se o facto de, apesar de apaparicado pelos média e pelas sondagens, ter ficado manifestamente aquém dos seus objectivos e de se ter mantido como uma força inexpressiva no poder local nacional – mesmo no município que apanhou à boleia e manteve, perdeu três das seis freguesias de que dispunha.
Viu quem quis ver que o peso da derrota sofrida pelo BE foi superior à capacidade de representação de Francisco Louçã, cujo rosto, na noite das eleições, espelhava iniludivelmente o que lhe ia na alma e tornava patéticas as suas tentativas desesperadas de inventar vitórias inexistentes.

Foi através da luta permanente contra a política de direita – uma luta que se travou, igualmente, no Poder Local - que o PCP e os seus aliados na CDU alcançaram esta importante vitória eleitoral. É com o desenvolvimento da luta pela defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores – uma luta que, nas autarquias, se desenvolve através da aplicação do nosso projecto autárquico – que alcançaremos novas e importantes vitórias.
Entretanto, novas batalhas nos esperam e, entre elas, a das eleições presidenciais. Confirmado o acerto da decisão do CC de lançamento de uma candidatura - singular pelos objectivos e conteúdo que transporta – trata-se agora de, desde já, mobilizar todo o Partido no sentido da obtenção de uma forte votação na candidatura do camarada Jerónimo de Sousa, Secretário Geral do PCP.
Neste quadro, o reforço do Partido apresenta-se como questão central e prioritária, sabido que é que o seu reforço orgânico, social, interventivo é condição indispensável para dar continuidade e força à luta em todas as suas frentes. Assim, a concretização das orientações para o reforço da organização e intervenção do Partido decididas pelo XVII Congresso coloca-se como tarefa essencial para o colectivo partidário – tanto mais que o reforço do Partido, mais do que uma necessidade é, na situação actual, uma possibilidade real, comprovada pela disponibilidade, pela participação militante, pela capacidade de atracção visível no alargamento do prestígio e da influência do Partido.
Avançar e crescer é o caminho: dissemo-lo aqui, há uma semana e repetimo-lo hoje. Com razões acrescidas.


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