A jornada de trabalho de um motorista é de mais de doze horas
Contra a sobrecarga horária e a sinistralidade
Rodoviários exigem fiscalização
Centenas de motoristas de transportes rodoviários portugueses e espanhóis cortaram a fronteira do Guadiana e manifestaram-se em Vilar Formoso num Dia Internacional de Luta.
A acção «A fadiga mata», contra o excesso de horas de trabalho dos motoristas profissionais partiu da Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes e contou com a participação da Festru/CGTP-IN, das Comisiones Obreras e da UGT espanhola.
Durante mais de uma hora, o trânsito esteve interrompido, na ponte do Guadiana, por cerca de 400 motoristas e em ambas as fronteiras foram entregues aos condutores panfletos onde se lia que «A fadiga mata», explicava que a acção pretendia que fossem reduzidos os tempos de condução e se exigiam estradas mais seguras.
Em Vilar Formoso, na Guarda, uma outra concentração de centenas de motoristas rodoviários sensibilizou os condutores com o mesmo propósito.

Trabalhar por dois ou três

«Além de reduzir a sinistralidade, a redução de horas de trabalho permitiria reduzir o desemprego, já que um motorista faz normalmente o trabalho de dois ou três», afirmou à Lusa, em conferência de imprensa, um dirigente da Festru.
Elvino Valente recordou que «Portugal é um dos países onde se verifica maior excesso de horas de trabalho, o que prejudica não só a vida dos motoristas como a segurança dos utentes das estradas», salientando que os motoristas portugueses trabalham entre 12 e 16 horas diárias, «a troco de um salário base extremamente baixo, que ronda os 600 euros mensais».
A Festru/CGTP-IN denunciou ainda as formas de pagamento ilegais praticadas pelo patronato e exigiu uma maior fiscalização nas estradas, de forma a evitar abusos.

PCP solidário

Pedro Guerreiro, eurodeputado do PCP esteve na raia de Vilar Formoso junto dos motoristas em protesto, onde exigiu uma efectiva fiscalização da Inspecção-Geral do Trabalho sobre as irregularidades denunciadas há anos pelas federações sindicais de transportes, e o fim do bloqueio à contratação colectiva no sector, cujo último acordo data de 1997.
O eurodeputado exigiu que as empresas passem a ser efectivamente fiscalizadas na forma como organizam o trabalho e os horários dos motoristas de transportes internacionais de mercadorias.
Pedro Guerreiro denunciou «as pressões do patronato sobre os trabalhadores para que os horários e os tempos de repouso não sejam respeitados, sendo esta a causa de inúmeros acidentes e de doenças profissionais». Lamentou ainda o facto de os acidentes rodoviários não serem tratados como acidentes de trabalho, situação que «desresponsabiliza as entidades patronais».


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