Primeiros prisioneiros partiram há 69 anos
Tarrafalistas homenageados
69 anos depois da partida de Lisboa do paquete Luanda com os 152 deportados que inauguraram o campo de concentração do Tarrafal, os presos políticos foram homenageados pelo Presidente da República. Sérgio Vilarigues, comunista e antigo prisioneiro, não pôde estar presente mas enviou uma mensagem.
Os presos políticos que estiveram detidos na prisão política do Tarrafal, em Cabo Verde, foram homenageados no passado dia 3, numa iniciativa organizada pela Presidência da República com a colaboração da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP), a Associação 25 de Abril e a Amnistia Internacional.
A homenagem teve início de manhã no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, onde foram evocados, um a um, os 32 mortos no campo do Tarrafal por um grupo de clarins da Armada.
Jorge Sampaio depôs um ramo de flores, perante quatro dos cinco tarrafalistas vivos: Edmundo Pedro e os presos da Revolta dos Marinheiros de 1936, Joaquim de Sousa Teixeira, José Barata Júnior e José Martins Romão. O quinto tarrafalista, o comunista Sérgio Vilarigues, não esteve presente por questões de saúde. Participaram ainda familiares de outros detidos no Tarrafal, Caxias, Peniche e outras prisões políticas, cidadãos ligados à Comissão de Socorro aos Presos Políticos, membros das associações promotoras, militares do MFA e outros democratas.
A sessão de homenagem prosseguiu no auditório do Palácio de Belém, com a participação de cerca de duas centenas de pessoas. Na ocasião intervieram Luísa Irene Dias Amado, presidente da URAP, Jorge Sampaio e os sobreviventes. A seguir, publicamos a intervenção de Sérgio Vilarigues, lida na cerimónia.


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