Milhares de estudantes abandonaram o ensino por razões financeiras
Protesto nacional em Lisboa
Estudantes do superior manifestam-se em Novembro
Lisboa vai ser palco de uma manifestação nacional dos estudantes das universidades e institutos politécnicos no próximo dia 9 em protesto contra as medidas do Governo.
Os estudantes do ensino superior manifestam-se em Lisboa no dia 9 de Novembro contra a política do Governo para o sector. A decisão foi tomada no fim-de-semana, no Encontro Nacional de Dirigentes Associativos (ENDA), que se realizou em Coimbra.
«Não era para sair daqui uma acção nacional, mas entendemos que já basta de reuniões com o ministro» da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, afirmou Fernando Gonçalves, presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC).
A manifestação insere-se numa campanha nacional de «informação e sensibilização para alertar para os problemas» do ensino superior, que inclui associações de estudantes de todo o país, à excepção da Federação Académica do Porto (FAP), que, como explicou Fernando Gonçalves, «quer ter a sua própria acção».
Os cortes orçamentais nas universidades e institutos politécnicos constituem um dos alvos da contestação. Por exemplo, na Universidade de Coimbra, este ano lectivo os cortes atingem os três por cento, o maior dos últimos dez anos, a que se junta a redução de 200 mil euros nas verbas da acção social escolar. «Temos estudantes a dizer que não têm condições para andar na universidade. Estas realidades têm de ser mostradas», declarou o dirigente associativo.
Na segunda-feira, a AAC entregou uma carta aberta e um relatório ao ministro do sector, Mariano Gago, que visitou Coimbra para inaugurar uma exposição. O documento mostra que Portugal é o terceiro país da Europa que investe menos no ensino superior: uma média de 3900 euros por aluno.
Num conjunto de 17 países, apenas a Eslovénia e a Grécia apresentam investimentos inferiores – 2787 e 3752 euros respectivamente –, mas em compensação os estudantes não pagam propinas. A Suécia e a Dinamarca são os países onde mais se investe no ensino superior: 12369 e 9822 euros.
Em Portugal, o orçamento dedicado às bolsas de estudo é também dos mais baixos (6,7 por cento) e a propina máxima é de 901 euros.
«Estes números revelam uma aposta clara de outros países da Europa no ensino superior, ao contrário do que acontece em Portugal», comentou Fernando Gonçalves. A carta aberta entregue a Mariano Gago «repudia de forma veemente, as opções políticas deste governo, que continuam a elitizar o acesso e frequência do ensino superior». «Foram milhares os estudantes que, nos últimos dois anos, foram obrigados a abandonar o ensino superior por razões de ordem financeira», refere o documento, sublinhando o «atraso do sistema de ensino superior português».


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