Comício reforça confiança para presidenciais
Avançar e crescer
No grande comício do passado dia 21, realizado numa sala Tejo do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, transbordante de gente e confiança, o secretário-geral do PCP e candidato comunista às eleições presidenciais de Janeiro voltou a desafiar a resignação e o fatalismo e a insistir que Portugal pode ter futuro. Segundo Jerónimo de Sousa, para isto é necessário inverter o rumo da política nacional – praticada ao longo dos anos por PS e PSD – e reforçar o PCP e o seu projecto. Com o candidato estavam, no palco do comício, dirigentes do PCP e da JCP, sindicalistas e membros de comissões de trabalhadores e autarcas. Publicamos, na íntegra, a intervenção de Jerónimo de Sousa.
Depois do sucesso das eleições legislativas de Fevereiro, os resultados obtidos pelo PCP e pela CDU nas recentes eleições para as autarquias locais constituem outra importante vitória que tem um triplo significado.
Em primeiro lugar, os resultados confirmaram e reforçaram a CDU como uma grande força nacional no poder local.
Em segundo lugar, tornaram evidente que não só o distinto projecto da CDU permanece válido, como continua a ser uma referência, portador de grande poder de atracção no qual se revêem centenas de milhares de portugueses e que, apesar da desproporção de meios de campanha, dos silêncios e das propositadas omissões de certa comunicação social, é possível crescer e vencer tendo como suporte o abnegado e empenhado esforço dos activistas do PCP e da CDU, da sua coerente e séria intervenção ao serviço das populações.
Daqui quero saudar todos os obreiros deste grande sucesso eleitoral. Os eleitos da CDU que nestes últimos quatro anos continuaram, tal como no passado outros, a servir as populações com o seu trabalho, honestidade e competência que credibilizaram e projectaram a CDU como uma grande e fecunda força autárquica com um elevado nível de realização e capaz de dar expressão aos problemas e aspirações e das populações.
Saudar os candidatos e activistas da CDU pela dedicação e entrega na combativa campanha eleitoral que travámos. Saudar os militantes do PCP e da JCP, os nossos aliados, a quem se deve também este sucesso eleitoral – o Partido «Os Verdes» e ID e os muitos milhares de independentes – que connosco generosamente participam nesse projecto democrático e unitário que é a CDU.

Uma grande vitória

Vitória no plano nacional com o aumento do número de maiorias CDU de 28 para 32 nas câmaras municipais e com a conquista de mais assembleias de freguesia, mais mandatos, mais votos e mais percentagem. Resultados significativamente superiores aos de 2001 e que os 650 mil votos para as assembleia de freguesia muito bem atestam.
Vitória da CDU, aqui, na Área Metropolitana de Lisboa que, com a reconquista de mais três câmaras, passou nestas eleições a primeira força política com mais presidências de câmara e reafirmando e confirmando a CDU como a grande alternativa à gestão da direita.
Resultados que abrem perspectivas para novos avanços no futuro e que desmentem todos aqueles que pressagiavam o nosso declínio irreversível, convencidos de que com as seus agoirentas profecias nos dávamos como vencidos ou rendidos perante as dificuldades ou os percalços da história.
Alguns já se vão calando de tanto prognóstico falhado e outros se calarão no futuro.
Aqueles que lutam por profundas transformações sociais nunca tiveram a vida facilitada.
Foi assim no passado, no longo caminho de luta, um caminho de avanços e recuos, mas que permitiram importantes progressos e conquistas políticas, sociais e civilizacionais. Assim será no futuro, estamos certos.
É essa consciência das dificuldades da luta que travamos e a firme convicção da justeza dos nossos ideais na realização de uma sociedade mais justa e mais fraterna que não nos deixa claudicar perante as contrariedades e nos dá ânimo e força para continuar o combate. Foi assim, certamente no Barreiro, na Marinha Grande, em Alcochete, em Barrancos, em Sesimbra e na Vidigueira que agora regressaram à gestão CDU, foi assim, convictos de que é possível avançar e crescer, que pela primeira vez a CDU conquistou a câmara de Peniche.
E se resistir é já vencer, estas vitórias que nos encheram de alegria e confiança confirmam que estamos no bom caminho, no caminho do nosso reforço e da nossa afirmação e ainda mais convictos de que é possível continuar a avançar e a crescer.
A vitória da CDU é também a vitória contra as estratégias da manipulação, das sondagens construídas para condicionar as opções dos eleitores, como aqui em Lisboa, com as duas últimas sondagens publicadas a 7 de Outubro a indicarem a existência de um empate técnico entre PS e PSD, quando a diferença real foi de quase 16%, para forçar a bipolarização e promover o voto útil.
Vitória também contra a manipulação e pressão ideológica e o rolo compressor dos fazedores de opinião encartados e legitimados pelo cartel oligárquico que em rotação têm o monopólio do poder que tudo fizeram para depreciar a campanha da CDU.
Vitória contra a campanha caluniosa e sem princípios que o BE protagonizou contra a CDU deturpando a nossa postura de responsabilidade nos municípios onda a CDU está em minoria.
Campanha que teve no Porto a sua mais insolente versão, mas que utilizou com uma enorme desfaçatez onde a CDU e bem, partilha com inteira independência, responsabilidades no poder local.
Secundando e objectivamente assumindo as concepções do PS e do PSD de parlamentarização do poder local e dos seus objectivos de poder absoluto, o BE fez dos ataques à CDU uma das principais bandeiras da sua campanha eleitoral, onde não faltaram as mais torpes insinuações anticomunistas que punham em causa a honestidade e isenção da CDU nas autarquias.
Constrangimentos e condicionamentos que, certamente, no seu conjunto, pesaram no resultado final, mas que valorizam ainda mais a nossa importante vitória eleitoral.

Os resultados revelam muito

Mas o que estas eleições e os resultados também revelam é o profundo descontentamento e discordância dos trabalhadores e do povo com as medidas e as políticas do governo do PS/José Sócrates.
Os resultados obtidos pelo PS, um dos mais baixos de sempre em eleições autárquicas e apenas quando estão decorridos meia-dúzia de meses da sua maioria absoluta, são, sem dúvida, um sério aviso ao seu Governo, ao rumo das suas políticas e à sua desmedida arrogância de nelas persistir.
Resultados que para o PSD estão longe também de corresponder à empolada vitória anunciada como se tornou também visível pela sua quebra de votação, inferior à de 2001, e pela obtenção também de um menor número de presidências de câmaras. Desfecho eleitoral que mostra que o povo português não se esqueceu de que o PSD, juntamente com os seus aliados do CDS-PP, são também os outros grandes responsáveis pela degradação das condições de vida dos portugueses.
Também o BE ficou muito aquém dos objectivos proclamados, apesar de ostensivamente favorecidos pela comunicação social e por uma descarada manipulação das sondagens, acabou por ter parcos resultados, mantendo-se como uma força inexpressiva no poder local, bem patente nos apenas sete vereadores eleitos em quatro municípios. É bom lembrar hoje que nas cinco últimas sondagem, aqui no concelho de Lisboa, em duas colocaram a CDU a empatar com o BE e outra pôs o BE à frente da CDU. Não abona nada a favor da cientificidade e seriedade das empresas de sondagem e dos órgãos de comunicação que os patrocinam o facto de, nas últimas 18 sondagens realizadas em Lisboa, Oeiras, Sintra, Porto e Faro, um larguíssimo número, 15 em 18, tenham dado resultados do BE acima dos verificados, enquanto em 14 destas a CDU tivesse sempre resultados inferiores aos realmente obtidos.

Um forte Partido Comunista

Estes resultados eleitorais abrem boas perspectivas para o trabalho do Partido e são um factor de confiança que é necessário aproveitar para o seu fortalecimento orgânico e para o reforço da sua intervenção junto dos trabalhadores e do povo. Desde já continuando com audácia o recrutamento de novos militantes, particularmente dos jovens, potenciando o bom ambiente e o sucesso com que temos vindo a travar importantes batalhas no presente ano.
Saímos do XVII Congresso com uma nova energia e convicção, armados de orientações e instrumentos de acção com o objectivo de concretizar de um conjunto integrado de medidas visando o reforço generalizado da organização partidária.
Medidas e orientações que consubstanciadas nesse movimento geral de reforço do Partido que difundimos sob o lema Sim é possível. Um PCP Mais forte!.
Numa situação, tal como o sublinhou o Comité Central do PCP da semana passada, marcada por uma forte exigência de intervenção face à ofensiva do Governo e à importante batalha das eleições presidenciais, as tarefas do reforço orgânico do Partido têm que contar com o esforçado empenhamento, generosidade, combatividade e a militância do nosso grande colectivo partidário. Estamos certos que assim será!
Precisamos de um partido organicamente mais forte e permanentemente rejuvenescido, mais influente, ainda mais ligado às massas, com uma acrescida acção e organização nas empresas e locais de trabalho, com um maior dinamismo das organizações de base, com a integração dos seus militantes na vida partidária e a renovação de organismos, com mais e melhor trabalho colectivo.
Este tem que ser também o momento de reafirmarmos o PCP como grande partido comunista, forte, organizado e com iniciativa e intervenção, capaz de travar as batalhas que se avizinham com êxito redobrado.
O Partido que o País precisa para construção de uma alternativa de esquerda, indispensável e insubstituível para os trabalhadores e o povo.

PS e PSD são faces da mesma moeda

Verdade que a vida mostra e crescentemente se afirma quando PS e PSD se apresentam e agem como faces da mesma moeda.
Uns e outros são o rosto das políticas de direita que continuam a afundar o País. Uns e outros a alternância sem alternativa.
E se há muito tempo assim é, esta realidade tornou-se ainda mais evidente com as recentes políticas de Governo do PS de Sócrates e a sua proposta de Orçamento de Estado para 2006. Orçamento apresentado esta semana no mesmo dia em que se assinalava o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, essa amarga realidade que em Portugal tem uma expressão que só pode envergonhar quem conduziu os destinos governativos do País nos últimos anos.
Um Orçamento que, pelo que já se conhece, vai tornar mais dura e mais dramática a vida e a situação dos cerca de 2 milhões de portugueses, com rendimentos abaixo do limiar da pobreza e crescentemente depauperados também por uma política que tem cavado o maior fosso de desigualdades sociais da Europa.
Um Orçamento que continuará a estender a pobreza e exclusão social a novas camadas da população em resultado do crescimento do desemprego de longa duração, da consecutiva marginalização das minorias étnicas, da exploração desenfreada da mão-de-obra imigrante e da desvalorização dos rendimentos mais baixos do trabalho e das pensões.
É neste país que os 10% mais ricos dispõem de cerca de 30% do rendimento nacional, enquanto que os outros, 10%, os mais pobres, dispõem de, apenas, 2% desse rendimento.
É neste país onde a fortuna pessoal das 10 famílias mais ricas, avaliada em 7.552 milhões de euros, que pesa tanto quanto o rendimento anual de cerca de 2 milhões de pensionistas e reformados do sistema público de segurança social.
É neste país onde o grande patronato maximiza a concentração exponencial de capital pelos baixos salários e, também, por uma política fiscal que beneficia os grandes rendimentos.
É neste país onde mais de um milhão de reformados recebem pensões que oscilam entre os 150 e 200 euros e onde milhares de seres humanos vivem em barracas e habitações degradadas e cerca de um milhão de cidadãos vivem em casas onde não existe água canalizada ou electricidade, esgotos ou instalações sanitárias.
É neste país que, apesar da crise e à sombra da crise, os grandes grupos económicos privados continuam a ter lucros fabulosos. Só no 1.º semestre de 2005, os 4 maiores bancos privados portugueses lucraram 727 milhões de euros e as 500 maiores empresas portuguesas não financeiras, registaram em 2004 uma subida nos lucros líquidos de 42,1%.

Orçamento agrava situação do País

Não é para combater esta realidade que o PS construiu o seu primeiro Orçamento, mas para a perpetuar e aprofundar esta injusta realidade que produz uma sociedade assente neste aberrante e inaceitável modelo de desenvolvimento dual.
Se há conclusão óbvia do que já foi possível avaliar do Orçamento de Estado proposto pelo Governo do PS, é a de que se trata da mais cabal prova de que estamos perante a continuidade das políticas anteriores, que embora derrotadas pelo voto de 20 de Fevereiro, se mantêm agora pela mão do Partido Socialista.
Aliás, se houvesse dúvidas, bastaria ver a dificuldade do PSD em encontrar justificações para um voto contrário, tal é a similitude das opções actuais com as que praticou no passado.
Este é um Orçamento que continua a obsessão com o défice das contas públicas e os ditames da política monetarista da União Europeia. É um orçamento que sacrifica o crescimento económico, o emprego e o desenvolvimento ao sacrossanto défice. Que, mesmo acreditando no crescimento que o Governo prevê para a nossa economia – 1,1% – isso corresponderá a mais um ano de divergência e de afastamento da União Europeia, que vai crescer 1,8%.
Com este Orçamento e a sua política, o desemprego vai aumentar, mesmo nas previsões do Governo, atirando para o baú do esquecimento os 150 mil postos de trabalho que José Sócrates prometeu na campanha eleitoral.
É um Orçamento que vai continuar a contribuir para a estagnação e o fraco crescimento da economia, designadamente através de mais um brutal corte no investimento público.
É um Orçamento que vai continuar a penalizar os salários, já que se prevê uma nova diminuição real dos salários da administração pública, e sabemos como isso serve de referência para o patronato no sector privado.
É um Orçamento que continua a cortar de forma cega na despesa pública com graves consequências no funcionamento de serviços públicos fundamentais.
No que toca a privatizações é que o PS não se limita a manter a política anterior.
O Orçamento que o PS propõe multiplica por quatro o volume das privatizações do ano corrente. Aí estão as perspectivas de privatização do sector da energia (Galp, EDP), do papel, dos transportes e das comunicações; aí está também a continuação da linha de entrega de novos hospitais aos privados e também, embora de forma disfarçada, a intenção de privatizar a gestão da água, negócio há muito em preparação e a que a Lei da água recentemente aprovada pelo PS abre portas.
Novamente se fazem previsões sem demonstração convincente do aumento das exportações, sobretudo quando o Governo nada faz para defender o nosso aparelho produtivo. Mais uma vez se empola a expectativa de receitas fiscais sem sustentação nas medidas propostas.
E bem se percebe por que não quis o Governo divulgar os principais dados do Orçamento antes das autárquicas, já que não vai cumprir a lei das finanças locais, nem a lei de bases da segurança social nas transferências para o seu fundo de capitalização para garantir as reformas no futuro e poupa na saúde à custa dos utentes e da qualidade dos serviços.
Este é o Orçamento em que, no plano fiscal, se mantém uma incidência fundamental, até na actividade de combate à fraude, nos rendimentos do trabalho, ao mesmo tempo que se mantêm os escandalosos benefícios fiscais à banca e ao sector financeiro.
José Sócrates afirmou que este é um Orçamento «sem truques». Mas o truque maior não está nas contas do Orçamento, está na definição invertida das prioridades da política económica e financeira.
O truque que faz do combate ao défice das contas públicas a da sua justificação o pretexto para transferir para as costas dos trabalhadores e do povo os sacrifícios e o peso das dificuldades. É esse o verdadeiro truque alimentado também pelos novos gurus do pensamento económico neoliberal e da ortodoxia monetarista com assento privilegiado em tudo que é debate na televisão.
O truque que quer fazer crer que fosse qual fosse o Governo, eram estas as medidas no Orçamento que tinham que ser tomadas. É este o truque que se restringe a uma única saída – as mesmas de sempre e contra os mesmos de sempre.

Orçamento agrava situação do País

É preciso dizer e o PCP afirma com clareza que há outras alternativas para a diminuição das despesas que não sejam a de impor pelo quinto ano consecutivo a diminuição dos salários dos trabalhadores da função pública.
Só se vê a despesa para conter e limitar os salários dos trabalhadores, mas não se olha para as mordomias, para os cartões de crédito, para os bólides, para os que ganham mais que o Presidente da República. Para os enormes gastos com pareceres dos gabinetes dos advogados e dos consultores amigos. Não se olha para os alçapões da Lei e para práticas que permitem o pagamento dos impostos do IRC a preço de saldo à banca. Não se olha para o escandaloso volume de trabalhos a mais nas obras públicas, mecanismo que suga milhões e milhões ao erário público, como é exemplo o caso das obras do aeroporto Sá Carneiro, trazido a público pelo patrão dos patrões do Norte – Ludgero Marques.
Obra orçada inicialmente em 30 milhões de euros, mas que depressa saltou para 300 milhões. Sim, ouviram bem, de 30 milhões para 300 milhões!

Toda a solidariedade a quem luta

Quero daqui saudar todos aqueles que atingidos nos seus interesses e vendo uma política que compromete o futuro do País, usam os seus direitos, os direitos que a Constituição da República Portuguesa lhes consagra.
Aqueles que manifestam a sua opinião, o seu descontentamento, o seu protesto, a todos os que não se resignam e lutam contra o que acham injusto e por um futuro melhor para si e para o país.
Aqueles que são ofendidos na sua dignidade, como os militares, os profissionais das forças de segurança, os juízes, magistrados e demais trabalhadores da justiça, os professores e outros trabalhadores da educação, os enfermeiros, médicos e demais profissionais da saúde, os trabalhadores da administração pública em geral e da administração local, chamados de privilegiados pelos verdadeiros privilegiados do capital financeiro e dos seus arautos e propagandistas, damos a nossa palavra de solidariedade e apoio.
Aqueles trabalhadores dos mais diversos sectores de actividade que vêm os seus salários, direitos, condições de vida e de trabalho postos em causa, aos desempregados, aos jovens, às pessoas portadoras de deficiência, aos reformados e pensionistas o nosso apoio às suas causas e às suas lutas.
Aos quadros técnicos, aos investigadores e cientistas, aos homens e mulheres da cultura a nosso exigência para que sejam criadas condições mais favoráveis à sua actividade o nosso apoio às suas acções e lutas.
A todos o nosso reconhecimento pelo seu trabalho, pela contribuição que deram e dão para o País, a nossa rejeição pelos insultos de que são alvo por parte daqueles que vivem da especulação bolsista, que acumulam lucros e fortunas numa ambição sem limites.
A nossa solidariedade e apoio aqueles que exercendo direitos democráticos, lutam em defesa dos seus interesses, pela defesa de condições de vida e de trabalho, contra uma política anti-social e antinacional e que resistindo e lutando estão a dar um importante contributo para a construção de um futuro diferente e melhor para Portugal.
Aos que no Governo receiam e condenam essa luta, nós lembramos que só houve liberdade, progresso, mais justiça social e democracia quando os trabalhadores e o povo lutaram.

Para as presidenciais,
marcando a diferença


Depois destes meses de árduo trabalho, uma nova e importante batalha eleitoral se perfila no horizonte dos próximos três meses. A batalha das eleições para a Presidência da República.
Combate eleitoral que assumimos de corpo inteiro pela afirmação de um projecto de futuro para Portugal e para travar um firme e decidido combate ao candidato da direita e aos velhos projectos dos partidos que o apoiam de apropriação do órgão de soberania – Presidência da República.
Partimos para este combate com a necessária e imprescindível mobilização de todo o Partido, afirmando que é possível transformar Portugal num país mais livre, mais justo e mais fraterno.
Vamos, por isso, para este combate marcando a nossa genuína diferença e proclamando a imperiosa necessidade de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita que têm conduzido o país ao atraso.
Ontem, depois de meses de calculada e bem encenada expectativa e falsa reflexão, Cavaco Silva, o candidato da direita, apresentou formalmente a sua candidatura à Presidência da República. Uma candidatura que se sabia que antes de o ser já o era, cuidadosamente preparada, planeada e gerida com o objectivo de branquear o seu passado de governante ao serviço dos grandes interesses e do processo de recuperação capitalista contra Abril que liderou em favor do grande capital nacional e internacional.
Processo que está na origem dos nossos atrasos estruturais e das actuais dificuldades que o país atravessa. Operação de branqueamento cuidadosamente pensada com o objectivo da construção de uma nova e falsa imagem que quer mostrar Cavaco Silva como o economista de rigor e neutro, predestinado a «salvar a pátria», a pairar por cima dos partidos e dos interesses e que ontem culminou naquela seráfica declaração de «anjo» sem mácula.
Quis sacudir o passado não clarificando o pensamento e objectivos que persegue!

Candidatura de Cavaco é a candidatura do grande capital

Maquilhagem para esconder a real natureza da sua candidatura – uma candidatura de submissão do poder político ao poder económico – e da uma visão instrumental dos partidos que o apoiam pelos homens do grande capital. É este D. Sebastião do século XXI que deixou o País numa profunda crise após dez anos do seu Governo, que se pôs em fuga perante o desastre da sua política e que o povo português maioritariamente condenou e derrotou que se apresenta agora, messiânico, a oferecer a salvação do País. O governante que trocou o futuro e a defesa da nossa agricultura, das pescas e da nossa indústria por uma mão cheia de Ecus que se esvaíram por entre os dedos dos poderosos, como o ouro do Brasil, ficando o País mais pobre e exaurido.
Cavaco Silva faz parte desse cortejo de ex-governantes que têm o monopólio dos espaços de debate, onde se sentam apenas os «prós» e onde os «contras» são, quando são, a flor decorativa para salvar as aparências e que, do alto do seu pedestal e quantas vezes com petulante jactância, passam a vida a dar receitas e a apontar caminhos, mas que sempre que assumiram responsabilidades deixaram o País pior do que o encontraram.
Não há camuflagem que esconda as enormes responsabilidades e as malfeitorias dos governos de Cavaco Silva, a sua arrogância e o seu autoritarismo. E se o tempo as pode fazer esquecer, e as outras candidaturas o deixam passar em branco, a nós compete lembrá-lo.
Foi Cavaco Silva que, durante os dez anos que esteve à frente do governo do País, que protagonizou uma das maiores ofensivas contra os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores e deu rosto ao mais grave desrespeito pelos valores e princípios básicos do regime democrático com uma prática governativa à revelia e contra a Constituição da República.
Foi com Cavaco Silva e no seu ciclo governativo que se iniciou o processo de subversão das leis laborais, da lei da greve, dos despedimentos, abrindo as portas aos despedimentos colectivos e ao aumento da idade da reforma das mulheres dos 62 para os 65 anos, que executou o primeiro acto repressivo contra elementos das forças de segurança.
Foi Cavaco Silva que, insensível às injustiças, promoveu um redobrado ataque ao trabalho com direitos, apoiou e incentivou as rescisões e as pré-reformas forçadas de acordo com os interesses do grande capital e aprofundou as desigualdades sociais
Foi com Cavaco Silva no governo que se acelerou o processo de reconstituição das grandes fortunas e de entrega do melhor património público empresarial, nomeadamente as empresas dos sectores básicos ao capital estrangeiro. Olhando para os seus mais destacados apoios é caso para dizer que «amor com amor se paga».
Não é por acaso que ainda hoje Cavaco Silva tem o apoio incondicional dos grandes senhores do dinheiro e dos grandes interesses, dos Belmiros, dos Teixeira Pinto do BCP, dos Dias Loureiro do BPN.
Realidade bem patente também nos apoios e na constituição do núcleo duro da sua campanha, a começar pelo seu director de campanha, um dos fundadores do conclave do Beato e acérrimo defensor dos despedimentos selvagens.
Foi Cavaco Silva, o responsável pela entrada sem preparação de Portugal na moeda única que conduziu à perda de mais de 20% da nossa competitividade em relação à média europeia.
É este o candidato da instabilidade democrática com o qual a direita acalenta a esperança de subversão do sistema de poder constitucionalmente consagrado e de um presidencialismo autocrático. Esta é a candidatura que se impõe derrotar no próximo mês de Janeiro!

Uma tarefa de todo o Partido

Chegou o momento de nos lançarmos com determinação no desenvolvimento da campanha eleitoral da nossa candidatura.
Esta não é nem pode ser a tarefa apenas de um homem, o seu êxito, tal como nas autarquias, depende do envolvimento de todo o colectivo. Não estamos neste combate para descarregar o voto que alivia e tranquiliza a nossa consciência, mas determinados a chegar tão longe quanto seja possível e o nosso povo queira, nos apoios e nos votos que quantos mais forem mais força dão à exigência de mudança e ao movimento de ruptura com as políticas de direita.
Apoios e votos para que alargue a torrente da exigência de uma nova política de esquerda para um Portugal com futuro.
Apoios e votos que dêem mais força à esperança na construção de um Portugal mais solidário e mais fraterno.
Apoios e votos que nos projectem mais fortes para os combates futuros na defesa dos trabalhadores e do povo.
Chegou a hora de nos dirigirmos aos portugueses e a todos os que em nós confiam, aos homens, mulheres e jovens das mais diversas opções partidárias, apelando ao seu apoio e ao seu envolvimento. Apoio que mais que a uma pessoa é a um projecto colectivo para abrir o caminho de esperança.

Um novo rumo para Portugal

Apresentamos a nossa candidatura assumindo o compromisso solene de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
Uma candidatura que se demarca, crítica o caminho que se vem trilhando de desfiguração e empobrecimento da nossa democracia, cada vez mais reduzida à dimensão da representação política.
Somos uma candidatura que afirma claramente que a origem da crise, incluindo a da representação política e dos males que o País padece não é o resultado da existência de um inadequado sistema político, carente de reforma, mas do facto de ser enorme a distância entre as promessas e as práticas e do conteúdo das políticas de quem governa.
Uma candidatura que assume a independência e soberania nacionais como um valor indeclinável, condição e garantia também do exercício da democracia.
Somos uma candidatura que afirma a necessidade de um novo rumo para o País no respeito pelo legado da Revolução de Abril e que aspira à construção em Portugal de uma democracia simultaneamente política, económica, social e cultural.
Uma candidatura que, no quadro dos vastos poderes que a Constituição confere ao Presidente da República, coloca como prioridade da sua intervenção e acção e como primeiro grande desígnio de uma política nacional o crescimento económico e o desenvolvimento sustentado, no respeito pelo ambiente, virados para a satisfação das necessidades de todos, particularmente dos que vivem apenas dos salários, pensões e reformas.

Com confiança

Uma política de desenvolvimento que finalmente assuma a defesa da produção nacional, o emprego, a valorização do trabalho nacional e o desenvolvimento e modernização das nossas capacidades produtivas, como uma questão fundamental e básica para assegurar o presente e o futuro do País e uma vida melhor para os portugueses.
Uma nova política que promova os valores do direito ao trabalho e do trabalho com direitos como um eixo democrático essencial; os direitos sociais como um suporte essencial de um Estado democrático que se reclama de moderno e avançado e a justiça social e o combate às exclusões como valores inalienáveis de uma sociedade solidária.
Uma nova política e de esquerda que aprofunde a democracia com o restabelecimento da liberdade de organização política; um sistema eleitoral que respeite a vontade dos portugueses; a autonomia do poder local; a liberdade de organização e acção sindical nos locais de trabalho; a concretização de uma reforma democrática do Estado.
Uma nova política que não negligência, antes assume a promoção da educação, da ciência e da cultura, como condição para assegurar um mais elevado patamar de qualificação e formação dos portugueses e o aproveitamento pleno e dinâmico das suas potencialidades ao serviço de um projecto de desenvolvimento nacional.
Somos uma candidatura que luta por um Portugal aberto ao mundo e por uma nova orientação na construção da integração europeia baseada em países soberanos e iguais em direitos, que não abdica da sua pátria e do seu povo.
Somos uma candidatura que afirma os direitos das mulheres, na participação em igualdade, no apoio a uma maternidade e paternidade responsáveis, na criação de condições para eliminar a chaga do aborto clandestino, no combate às discriminações.
Uma candidatura que dá estímulo à participação dos jovens, à sua realização presente e futura, ao seu contributo para o desenvolvimento.
Somos uma candidatura que reafirma o nosso compromisso colectivo com os trabalhadores, o povo português, os jovens, os mais idosos, as mulheres, os trabalhadores, os pequenos e médios empresários, os intelectuais e quadros técnicos, os desempregados, com os portugueses concretos que são e fazem Portugal.
Uma candidatura para combater a resignação e o fatalismo, afirmando convictamente que Portugal não está condenado ao atraso e ao subdesenvolvimento.
Uma candidatura que não desiste de Portugal, que afirma que Portugal pode ter futuro, para lutar por um futuro com mais desenvolvimento e mais justiça social.
Tal como afirmei na primeira declaração de candidatura:
Há um direito à esperança. E há uma esperança que não fica à espera, antes se transforma em acção, em trabalho e em luta.
Organizar para lutar, resistir para crescer, unir para vencer, transformar Portugal num país mais livre, mais justo e mais fraterno.
Sim camaradas!
Não tivemos nem teremos facilidades no rasgar das alamedas da liberdade e dos avanços sociais.
Mas cada passo dado na direcção certa mais certo e concretizável será o projecto justo e transformador que determina a nossa acção e a nossa luta!
Com toda a confiança!


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