Havendo dúvidas, não se devia avançar
Autarquia vai auscultar população em Novembro
Resíduos perigosos, não!
O presidente da Câmara de Setúbal anunciou que a autarquia pondera sair da comissão de acompanhamento que avalia o impacte da co-incineração, devido à intenção do Governo em avançar com o processo no Outão.
Em conferência de imprensa, realizada, na passada semana, nos Paços do Concelho, Carlos de Sousa adiantou ainda que a Câmara Municipal – frontalmente contra a queima de resíduos industriais perigosos na cimenteira da Secil – estará ao lado da população em manifestações públicas que venham a realizar-se sobre esta matéria, enquanto reiniciará o trabalho de pressão junto de órgãos de poder e políticos.
A autarquia CDU, especificou, reatará os contactos com a Presidência da República e o Parlamento, com vista a tentar impedir que a co-incineração seja implementada no Outão, em área do Parque Natural da Arrábida (PNA), pretendendo ainda fazer chegar a sua voz à União Europeia.
Uma medida já agendada é uma audiência pública dirigida à população de Setúbal, bem como aos habitantes dos outros dois concelhos do PNA – Palmela e Sesimbra –, destinada a ouvir a opinião dos munícipes sobre o assunto e a decidir que acções serão desencadeadas. Esta iniciativa decorrerá no dia 4 de Novembro, às 21h30, no Fórum Municipal Luísa Todi.
Na sequência do anúncio feito dia 18 pelo primeiro-ministro, Carlos de Sousa indicou que será ponderada a continuidade da Câmara Municipal na Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil. «Se o Governo já decidiu avançar com esta solução, de que vale o nosso trabalho de avaliação do impacte da queima de resíduos perigosos?», questionou o autarca do PCP.
Entretanto, o presidente da Câmara de Setúbal defende que, como solução técnica para a eliminação dos resíduos industriais perigosos, devia ser «continuada e aprofundada a opção do anterior governo, com os Centros Integrados de Recuperação e Valorização de Resíduos Perigosos».

Continuar a lutar

A atitude de José Sócrates demonstra, na opinião de Carlos de Sousa, «teimosia», uma vez que «abandonou uma solução que tinha amplo consenso nacional e com a qual até as organizações ambientalistas estavam de acordo, para pegar noutra que gera tanta polémica».
O presidente da Câmara Municipal destacou que a opinião dos técnicos e cientistas relativamente aos impactes da emissão de dioxinas na saúde pública se divide e que «havendo dúvidas, não se devia avançar».
O autarca considera ainda «interessante verificar o paralelismo entre a decisão do Governo e o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida», explicando: «Não se pode andar de parapente, mas é permitido fazer queima de resíduos industriais perigosos».
Carlos de Sousa entende que «o Governo não pode, por um lado, querer impor pesadas restrições, através de um Plano de Ordenamento como o que aprovou para o Parque Natural da Arrábida, à pesca artesanal, pondo em causa a subsistência de uma importante comunidade piscatória, e, por outro, autorizar uma actividade nociva para o ambiente num parque que confina com uma reserva natural».
Em face da decisão do Governo, assegurou que «os setubalenses e a Câmara Municipal de Setúbal vão continuar a lutar com todos os meios disponíveis contra a teimosia da co-incineração» no Outão, para «impedir mais um grave atentado ambiental em pleno Parque Natural da Arrábida».


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