Uma vitória do nosso trabalho colectivo
Transformar a Moita num concelho melhor
CDU festeja vitória
Com um almoço-convívio realizado nos Bombeiros Voluntários da Moita e que contou com a presença de 400 pessoas, a CDU celebrou, no passado dia 23, a sua vitória eleitoral no concelho.
No período dedicado às intervenções políticas, falaram José Paleta, João Lobo, actual e futuro presidente da Câmara Municipal da Moita e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e candidato às próximas eleições presidenciais.
José Paleta procedeu a uma breve análise dos resultados alcançados pela CDU no concelho, sublinhando a amplitude da vitória da CDU, traduzida na renovação da maioria absoluta de mandatos na Câmara e Assembleia Municipal mas no quadro de um significativo aumento da votação e da conquista da presidência de cinco das seis juntas de freguesia, com especial realce para a freguesia da sede do concelho anteriormente de presidência PS.
Na sua intervenção, João Lobo começou por saudar todos os candidatos e activistas da CDU pela sua «contribuição determinante para a expressiva vitória alcançada», considerando que essa vitória foi sobretudo «uma vitória do nosso trabalho colectivo, da nossa capacidade de unir e agregar esforços, sempre com confiança na justeza das causas e objectivos por que nos batemos».
João Lobo sublinharia também que esta «nossa grande vitória decorre sobretudo do trabalho que há 30 anos fazemos no Poder Local em prol do progresso do nosso concelho e do bem-estar da sua população e da capacidade que temos tido de enfrentar, com audácia, sensibilidade e espírito inovador, os novos desafios que a vida vai colocando».
O presidente da Câmara da Moita saudou de seguida «o importante êxito nacional da CDU» e, em especial, «as vitórias alcançadas no Barreiro, em Alcochete e em Sesimbra que comprovam que vale a pena persistir no trabalho e na luta, que é possível recuperar posições perdidas e que, também no plano autárquico, os profetas do irreversível declínio eleitoral do PCP e da CDU foram desta vez obrigados a meter a viola no saco».
Noutro passo da sua intervenção, João Lobo considerou que a vitória obtida pela CDU no concelho deve ser vivida como «uma acrescida responsabilidade que sobre nós recai de dar cumprimento e desenvolvimento ao programa que apresentámos e aos 10 grandes eixos estratégicos que propomos para transformar a Moita num concelho melhor para viver e trabalhar.»
Depois de referir que, apesar do «sério aviso que estas eleições deram ao PS, o seu Governo continua a insistir numa política que acrescenta crise à crise e que afronta direitos e conquistas duramente alcançadas depois do 25 de Abril», João Lobo criticou as anunciadas reduções das transferências financeiras para as autarquias previstas na proposta de Orçamento de Estado para 2006, sublinhando que, a irem por diante, «limitarão gravemente a capacidade de realização do poder local e atrasarão ou adiarão muitos projectos necessários.»
A terminar a sua intervenção, João Lobo chamou a atenção para a importância das próximas eleições presidenciais, e afirmou que o Concelho da Moita se empenhará na próxima batalha eleitoral dando assim o seu contributo para alcançar o objectivo Avançar e Crescer por um Portugal com Futuro.

Reconhecimento popular

Por fim, usou da palavra Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e candidato deste partidos às presidenciais, que abordou as principais questões da actualidade política. O secretário-geral do PCP sublinhou que a vitória alcançada na Moita traduzia um amplo reconhecimento popular dos méritos da gestão autárquica da CDU, criticou vivamente as orientações do proposto Orçamento de Estado para 2006, salientou a importância decisiva da luta dos trabalhadores e de outros sectores sociais contra a política do Governo.
Abordando as eleições presidenciais, o candidato comunista criticou afirmações de Manuel Alegre no sentido de que só haveria «três candidaturas» (a dele próprio, a de Mário Soares e a de Cavaco Silva) e, quanto a este último, recordou que, em 1995, pressentindo a derrota nas legislativas, Cavaco Silva «deu à sola» e, de seguida, foi derrotado nas eleições presidenciais.
Jerónimo de Sousa apelaria ainda a uma vasta e convicta mobilização em torno da candidatura comunista às eleições presidenciais como a candidatura que efectivamente defende um rumo e uma política alternativas para o País.

Continuar a lutar

Saudando a população do concelho, designadamente os eleitores e em especial os que pela primeira vez entregaram o seu voto à CDU, a Comissão Concelhia de Olhão do PCP, em comunicado enviado ao Avante!, procedeu à analise dos resultados das últimas eleições autárquicas.
«A luta eleitoral na freguesia de Moncarapacho proporciona algumas notas curiosas e indirectamente determina os resultados para a Câmara Municipal. O PS beneficia da disputa, pois embora perdendo essa eleição, a sua votação nesta freguesia permite que o método de Hont o favoreça e faça ganhar, sem esperar, o 5.º vereador na autarquia», afirma o documento, informando que «o PSD mantém a presidência da junta, mas o aumento global de votos no PS, acaba por levar à perda do seu terceiro vereador».
Por via dessa «anormal» subida da votação no PS, a CDU, que nas anteriores eleições perdera o seu vereador por cerca de 300 votos, apesar de agora ter subido 336 votos, não o recupera, ficando a 123 votos de conseguir a eleição de Josué Marques.
«Assinalem-se os vultuosos investimentos feitos e a grande quantidade de dinheiro gasto, quer pelo PS, quer pelo PSD, nas respectivas campanhas eleitorais. Que interesse terão pago tudo isto?», interrogam-se os comunistas de Olhão, sublinhando que os números da abstenção dão que pensar, «pois mostram que mais de metade dos eleitores do concelho, não quiseram participar na vida da comunidade. Nas freguesias de Olhão e Quelfes, esses números atingem 59 e 57 por cento, respectivamente. Curiosamente, até os votos em branco aumentaram 54 por cento».
Referiram ainda que o PS realizou uma campanha em que nada trouxe de novo, «a não ser a “vassourada” na lista para a Câmara». «Aqueles que há quatro anos, eram considerados o “supra-sumo” da competência em Olhão, foram agora impiedasamente varridos. Dá que pensar... Que se preparem os que estão a seguir...», destacam os comunistas.
Por seu lado, «o PSD procurou apresentar caras novas, mas para alguns analistas da nossa praça, isso representou desde logo a entrega da Câmara ao PS. De facto, onde estiveram as caras mais conhecidas do PSD a nível local? Terá sido por isso que o PSD perdeu 332 votos na freguesia de Olhão? Ou foi por causa das cavalas?», interrogam-se, com alguma ironia.
Por último, foi evidenciado que o CDS/PP «quase deixa de ter expressão eleitoral, embora em termos locais tenha pessoas estimáveis».
Por fim, a Comissão Concelhia de Olhão do PCP, analisando os resultados da CDU, valorizou o aumento de 400 votos para a Assembleia Municipal, o que corresponde a mais um deputado, o que revela que muitos dos eleitores, embora votando PS para a Câmara Municipal, confiam na CDU para fiscalizar a actividade camarária.
«A CDU não procurou pôr-se em “bicos dos pés”. Ao contrário, tentou estar, esteve e vai continuar a estar serenamente e procurando ajudar, junto dos mariscadores, dos pescadores e armadores de Olhão e da Fuseta, dos operários da zona industrial, dos agricultores de Pechão e Moncarrapacho, das mulheres moradoras nos bairros de Quelfes, dos reformados da Avenida. dos jovens de todas as escolas, dos comerciantes e empresários do concelho, daqueles que não têm voz na Câmara», prometem os comunistas.

Mais votos e mandatos

Em Portimão os comunistas têm razões para continuar a lutar em prol das populações. «Os objectivos foram alcançados no município com o aumento significativo dos votos, a eleição de mais mandatos e a recuperação do vereador no Executivo camarário. Em consequência de tais resultados, a CDU passou a estar representada em todos os órgãos de Poder Local no concelho de Portimão», disse, em comunicado, a Comissão Concelhia de Portimão do PCP, saudando «os eleitores e eleitoras que com o seu voto confiaram nos candidatos da CDU e que de forma decisiva contribuíram para uma expressão mais quantitativa de eleitos nas autarquias».
Manifestou ainda «a sua disponibilidade em lutar pelas justas aspirações das populações, pela transformação qualitativa do município e por melhorar as condições de vida dos seus habitantes na perspectiva do desenvolvimento sustentado e ambiental».
Em Alcochete, a CDU ganhou a Câmara Municipal, a Assembleia Municipal e as juntas de freguesia de Samouco e Alcochete por maioria absoluta, retomando a gestão autárquica do concelho, interrompida no último mandato. Relativamente à freguesia de S. Francisco, embora não tenha ganho, o PCP «considera que se deixaram bases para aperfeiçoar o trabalho futuro».
Por seu lado, em Palmela a CDU subiu 1450 votos para a Câmara Municipal, ou seja, mais 4,9 por cento, uma situação de reforço que se repercute na Assembleia Municipal e na generalidade das freguesias, onde se destaca a vitória na freguesia de Palmela, gerida nos últimos três mandatos pelo PS. Vencendo de novo no Pinhal Novo, Poceirão (sempre com maiorias absolutas) e Quinta do Anjo, só na freguesia da Marateca a CDU não atingiu o seu objectivo, mas não sem aumentar a sua votação em 31,3 por cento, retirando assim um mandato ao PS. Também na freguesia de Pinhal Novo e na Assembleia Municipal a CDU conquistou mais um mandato.
Nestes eleições, o PS perde 2214 votos e o PSD sobe 802. O BE aumenta os votos aquém das expectativas que a mediatização benevolamente lhe ia criando, mas é em Palmela que, no conjunto da Península, este aumento é dos menos expressivos.
«O voto reforçado da CDU prova que para a população não há alternativa à sua gestão. Foi ainda a rejeição de posições a roçar o anti-comunismo primário, quando o apelo à “mudança” a propósito de 30 anos da presença da CDU no Poder Local democrático se deixou confundir com o desejo de escorraçar conquistas do 25 de Abril», afirma a Comissão Concelhia do PCP de Palmela.


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