• Ângelo Alves

Os EUA enfrentam hoje sérias dificuldades no Iraque e começam a preparar fugas para a frente
Manobras…
Paralelamente ao anúncio dos resultados do referendo farsa à dita constituição do Iraque, cuja veracidade deixa muito a desejar, e aos desenvolvimentos do caso «Plamegate» que confirma tudo o que temos vindo a dizer sobre a natureza e métodos da administração norte americana, assistimos na última semana a desenvolvimentos importantes no «puzzle» do Médio Oriente que importa analisar.
Fruto da resistência iraquiana e da crescente contestação interna, os EUA enfrentam hoje sérias dificuldades no Iraque e começam a preparar fugas para a frente (de que o referendo é parte integrante) tentando lançar manobras para «regionalizar» o conflito e acima de tudo desviar atenções. A pressão sobre a Síria aumenta de dia para dia utilizando-se para isso o assassinato do ex-primeiro ministro Libanês Rafiq Hariri e um suposto relatório que, envolvendo as Nações Unidas, é acima de tudo uma declaração política que, parca de factos, tenta a todo o custo incriminar a Síria. Face às pressões os dirigentes sírios multiplicam-se em acções diplomáticas e políticas que possam retirar campo à calúnia, às manobras de destabilização internas e à chantagem, mas são de esperar desenvolvimentos que visam retirar autonomia à Síria e sobretudo vergar a sua corajosa posição de repúdio pela ocupação do Iraque e de solidariedade para com o povo palestiniano.

Do outro lado do Iraque, o Irão é também visado usando-se para isso a questão da produção de energia nuclear ao mesmo tempo que o silêncio relativamente ao enorme arsenal militar nuclear de Israel é a melhor denúncia da hipocrisia e falsidade desta questão. Mas neste caso do Irão é necessário distinguir bem as ilegítimas ameaças e acusações contra um país soberano - que merecem a nossa frontal condenação - da análise da situação interna no Irão, marcada pela recente ascensão ao poder do Presidente Mahmoud Ahmadinejad e de toda uma ala conservadora religiosa com uma linha política que põe em causa avanços progressistas conquistados no período da revolução iraniana e avança na repressão das forças progressistas iranianas, nomeadamente dirigentes e membros do Partido TUDEH do Irão.

A pressão aumentou quando no dia 26 o presidente iraniano proferiu declarações que, não sendo novas no discurso iraniano e enquadradas nas acções tradicionais do povo iraniano de solidariedade com o povo palestiniano, foram de imediato amplificadas e difundidas por todo o mundo. Com base na afirmação de Ahmadinejad de que «Israel deveria ser riscado do mapa» lançou-se de imediato a ideia de que o Irão, estando a preparar uma arma nuclear (o que não está provado), proferia assim uma ameaça contra o Estado de Israel.
A afirmação de Ahmadinejad é no mínimo irresponsável e confirma como o fudnamentlismo islâmico faz o jogo do imperialismo. Mas, daí a propor-se a expulsão do Irão das Nações Unidas, como o fez Israel, ou a deixar-se no ar a possibilidade de uma agressão militar, ou ainda convocar-se de emergência uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para condenar tal «ameaça», desmentida por Teerão, vai uma grande distância. Analisando tal corropio de declarações e o comportamento tão “cioso” do Conselho de Segurança da ONU, apetece perguntar onde está a ONU quando os EUA, potência nuclear, não só repetem ameaças contra um grande conjunto de países soberanos e igualmente membros da ONU como concretizam essas ameaças, como é o caso do Iraque. Apetece perguntar onde está a ONU, quando Israel, potência nuclear, pela sua prática diária e desrespeitando as próprias resoluções da ONU, prossegue uma política de autêntico genocídio do povo palestiniano. Política essa que, não sendo travada, não só inviabilizará a edificação do Estado Palestiniano como poderá «riscar do mapa» o próprio povo palestiniano.

É assim que a demagogia e hipocrisia alimentam e dão cobertura às manobras de diversão que os EUA e Israel tentam levar a cabo para desviar atenções dos crimes que cometem no médio oriente. Resta saber até que ponto é que, e como é que, forças obscurantistas e retrógradas, do Hamas aos fundamentalistas do Irão, jogarão o jogo do imperialismo e do sionismo.


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