Jerónimo de Sousa em Santiago do Cacém
«Marcar a nossa diferença»
O candidato comunista às eleições presidenciais, Jerónimo de Sousa, esteve no passado sábado num convívio em Santiago do Cacém. Perante dezenas de apoiantes, o secretário-geral do PCP realçou a importância das eleições presidenciais, afirmando que é um combate que os comunistas assumirão de «corpo inteiro» pela «afirmação de um projecto de futuro para Portugal e para travar um firme e decidido combate ao candidato da direita e aos velhos projectos dos partidos que o apoiam» de se apropriarem desse importante órgão de soberania.
Comentando a apresentação formal da candidatura de Cavaco Silva – «depois de meses de encenada expectativa e falsa reflexão» – o candidato comunista que aquela candidatura está a ser «cuidadosamente planeada e gerida com o objectivo de branquear o seu passado de governante ao serviço dos grandes interesses e do processo de recuperação capitalista contra Abril». Processo este, recorda, que liderou «em favor do grande capital nacional e internacional e que está na origem dos atrasos estruturais e das actuais dificuldades que o País atravessa».

Revelar a real natureza da candidatura de Cavaco Silva

Esta operação de branqueamento foi, considera o candidato do PCP, cuidadosamente pensada, com o objectivo de construir uma nova e «falsa imagem» de Cavaco Silva, apresentando-o como o «economista de rigor e neutro, a planar por cima dos partidos e dos interesses». Esta imagem, que se tenta projectar, do «economista competente» e homem ideal para tirar Portugal da crise é uma mistificação, acusa Jerónimo de Sousa. «Será que os problemas, as dificuldades, a crise que se instalou, os atrasos que Portugal conhece são o resultado da ausência de economistas competentes ou da falta de “ajudantes” economistas no governo ou nas instituições?», questiona o secretário-geral comunista.
Não foi por incompetência, afirmou. Pelo contrário. Tal como Constâncio, Cadilhe, Miguel Beleza, Hernâni Lopes, Braga de Macedo, Campos e Cunha, Pina Moura, Cavaco Silva mostrou muita competência. Mas têm, todos eles, uma «particularidade muito importante e decisiva»: São «competentes executantes das receitas da cartilha neoliberal e monetarista que estão a afundar o país e o condená-lo ao atraso, ao mesmo tempo que fazem crescer a ritmos nunca vistos o património e os lucros do grande capital nacional e das multinacionais».
Para Jerónimo de Sousa, é tempo de dizer basta a «todos aqueles que do alto do seu pedestal passam a vida a dar receitas e a apontar caminhos, mas que sempre que assumiram responsabilidades na governação deixaram o país pior do que o encontraram». E não há camuflagens que escondam as suas responsabilidades e a real natureza da sua candidatura, uma candidatura de submissão do poder político ao poder económico, prosseguiu o dirigente do PCP.

Por uma ruptura democrática

«Vamos para esta nova batalha marcando a nossa genuína diferença e proclamando a imperiosa necessidade de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita que têm conduzido o País ao atraso», afirmou Jerónimo de Sousa. Em sua opinião, é chegado o momento de «nos lançarmos com determinação no desenvolvimento da campanha eleitoral da nossa candidatura», tarefa que, realça, não poder ser de um só homem.
Lembrando que os comunistas não participam na batalha das presidenciais para «descarregar o voto que alivia e tranquiliza a consciência», Jerónimo de Sousa reafirmou que a sua candidatura está determinada a «chegar tão longe quanto seja possível e o nosso povo queira, nos apoios e nos votos que quantos mais forem mais força dão à exigência de mudança».
Recusando, como insinuou Manuel Alegre, um lugar secundário ou subalterno nesta luta, Jerónimo de Sousa reafirmou o objectivo de lutar pelo «máximo de apoios e de votos que ninguém tem garantido à partida». «O que não estamos, como faz Alegre, imitando Cavaco, é a fazer de conta que nada nos prende ou vincula à nossa opção partidária de sempre, como se quem assim fala, não fosse ainda hoje deputado da maioria que governa o país», com uma política que de esquerda tem muito pouco ou nada», acusou.
Para o candidato comunista, a sua candidatura assume todas as prerrogativas como qualquer outra e «não se confunde nem com as candidaturas de Soares, Alegre ou qualquer outra, porque somos uma candidatura distinta de todas as outras e com um projecto de esquerda para Portugal para servir os trabalhadores e o povo».


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