Breves
<br>Direita espanhola<br>sai à rua
Centenas de milhares de pessoas (um milhão e meios segundo os promotores) manifestaram-se no sábado, dia 12, em Madrid, contra o projecto de reforma educativa apresentado pelo governo socialistas de José Luís Rodriguez Zapatero, que prevê, designadamente, o fim da obrigatoriedade da disciplina de Religião no ensino público primário e secundário.
A proposta mantém disciplina nos programas escolares, mas estas passa a ter carácter facultativo, deixando de influenciar as médias finais designadamente para o acesso ao ensino superior. Os estudantes que o desejem poderão optar no futuro por uma nova disciplina de «cidadania».
Os opositores à nova lei orgânica da Educação, arregimentados em associações católicas de pais de estudantes e de defesa da família, com o apoio declarado da Igreja Católica e do Partido Popular, exigiram na rua a retirada do projecto, conseguindo realizar uma das maiores manifestações dos últimos 30 anos, só comparável com desfiles contra a guerra do Iraque e em solidariedade com as vítimas dos atentados de 11 de Março de 2004. Entre os manifestantes contava-se uma dezena de altos dignatários eclesiásticos, designadamente o secretário da conferência episcopal, José António Martinez Camino, vários bispos e arcebispos.
Esta é a terceira manifestação organizada este ano pela direita espanhola. Em Junho, mobilizou-se contra a abertura de negociações entre o governo e a organização independentista basca ETA, mais tarde contra a legalização do casamento entre homossexuais.

Liberais <br>derrotados em Genebra
Pela primeira vez em 70 anos, o governo cantonal de Genebra, na Suíça, será dirigido por uma maioria formada por socialistas e verdes, após a vitória eleitoral, no domingo, dia 13, que lhes permitiu conquistar quatro dos sete assentos no Conselho de Estado.
Desde 1936, que este órgão executivo era dominado por uma maioria de liberais e democratas cristãos. No entanto, o novo governo deverá conviver com uma maioria de direita no Grande Conselho, a instituição parlamentar cantonal onde, desde Outubro passado, conta com 67 dos 100 deputados.

«Comuns»<br> arrasam Tony Blair
O primeiro-ministro britânico sofreu, na passada semana, dia 9, uma humilhante derrota na Câmara dos Comuns, onde, pela primeira vez desde que chegou ao poder há oito anos, a maioria trabalhista se dividiu permitindo a rejeição do polémico dispositivo da lei antiterrorista que propunha o alargamento de 14 para 90 dias do prazo de detenção sem culpa formada.
Na sessão, 49 deputados trabalhistas rebelaram-se contra o seu governo votando contra o projecto, que acabou por ser chumbado por 322 votos contra e 291 a favor.
Blair lamentou a decisão de parte da sua bancada, declarando não compreender que «as liberdades cívicas de um pequeno número de suspeitos de terrorismo» possam «passar à frente da liberdade cívica fundamental de se proteger do terrorismo».
Todas as restantes disposições do diploma foram aprovadas, designadamente a que criminaliza os actos de «glorificação» do terrorismo.

PAC <br>beneficia ricos
A organização britânica Oxfam, que milita pela alteração das regras do comércio mundial, voltou a acusar a Política Agrícola Comum (PAC) de beneficiar principalmente ricos proprietários e não os pequenos agricultores.
Em comunicado, divulgado na passada semana, dia 7, esta ONG sublinha que, em França, «70 por cento dos pequenos agricultores apenas recebem 17 por cento do total das subvenções», enquanto que «60 por cento são destinados a 15 por cento das empresas agrícolas mais prósperas».
Na lista dos «subsidiados» surge o príncipe do Mónaco, «cuja fortuna pessoal está avaliada em dois mil milhões de euros, que recebeu 287.308 euros de ajudas comunitárias em 2004, pelos cerca de 700 hectares de campos cerealíferos que possui no Norte de França.
A Oxafam acusa igualmente de hipocrisia o governo britânico, lembrando que, apesar da sua retórica anti-PAC, foi precisamente o Reino Unido que, em 2003, bloqueou a proposta de limitar a 277 milhões de euros o envelope anual de subsídios às explorações com mais de mil hectares.
Não surpreende pois que entre os maiores beneficiários britânicos da PAC estejam grandes companhias como a Tate & Lyle (177 milhões de euros), bem como figuras da aristocracia, nomeadamente os duques de Wesminster e de Malborouht, e mesmo a rainha Elizabeth que ocupa o 93.º lugar na lista, com 592 milhões de euros em ajudas.