• José Casanova

As sondagens, pois claro
As chamadas sondagens de opinião constituem uma das mais importantes armas utilizadas pelos que têm como objectivo primeiro perpetuar a política de direita e enfraquecer os que a combatem e lhe contrapõem uma alternativa de esquerda. Cumprem o seu papel utilizadas não como instrumentos de avaliação das intenções de voto mas como instrumentos de influenciação dos eleitores, e são, na generalidade, autênticas peças de propaganda eleitoral anunciadoras dos resultados que melhor correspondem aos interesses de quem as encomenda e paga.
Ora, dado o objectivo primeiro acima enunciado, é fácil de ver que, se umas favorecem o PS e outras dão preferência ao PSD – os dois pilares, nas últimas três décadas, da execução da política de direita, que o mesmo é dizer da política do grande capital – todas são unânimes no desfavorecimento da única força que, com determinação e coerência, luta contra essa política, a saber, o PCP e as forças que, com ele, compõem a CDU. E, porque os encomendadores e pagadores de sondagens, vêem no BE um caminho para enfraquecer eleitoralmente o PCP e a CDU, os média, propriedade do grande capital, desunham-se na promoção do dito BE, quer tratando-o com diárias demonstrações de afecto e de admiração, quer oferecendo-lhe sondagens a condizer. De tal forma que, se a generalidade das sondagens divulgadas tivesse algo de científico e de verdadeiro, o PCP e a CDU já teriam desaparecido do mapa e o BE estaria próximo de ser o partido nacional mais votado.
É assim, mais coisa menos coisa, que os média, públicos e privados, fazem a coisa: PS sobe e ultrapassa PSD, e em sub-título: CDU continua a descer (ou: BE à frente da CDU); ou: PSD sobe e ultrapassa PS, e em sub-título: BE à frente da CDU (ou: CDU continua a descer).
Foi assim que, no decorrer da recente campanha para as autárquicas, das últimas cinco sondagens realizadas no concelho de Lisboa, duas apresentaram a CDU empatada com o BE e outras duas foram mesmo mais longe: informaram que o BE ficaria à frente da CDU. Outro exemplo concreto: em quinze das dezoito sondagens efectuadas em Lisboa, Oeiras, Sintra, Porto e Faro, o BE obteve resultados acima dos que viria a obter e catorze dessas sondagens deram à CDU resultados inferiores aos que de facto obteve.
A propósito: elas estão aí outra vez, as sondagens, de baterias apontadas para a candidatura de Jerónimo de Sousa. Pois claro.


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