Editorial

«A candidatura de Jerónimo de Sousa irá tão longe quanto o povo português o entender»

DERROTAR<br> A CANDIDATURA DA DIREITA

Cavaco Silva deu entrevista. É a segunda desde que anunciou candidatar-se às eleições presidenciais. E se, na primeira, à TVI, pôs a nu as suas diversificadas e incomensuráveis limitações, na segunda, ao Público, revelou-se inesgotável nessa matéria. Dizem os entrevistadores que, no decorrer da entrevista, «o candidato nunca se desviou da linha de força da sua campanha – a ideia de que pode criar um novo clima de confiança – mas explicou melhor como tenciona exercer o mandato». Eles lá sabem…
Debrucemo-nos, então, sobre a explicação do entrevistado em torno da magna questão de «criar um novo clima de confiança». Para além de uma sucessão de explicações que nada explicam – e nada acrescentam ao caudal de banalidades e abstracções vertido na entrevista anterior - Cavaco Silva explicou assim: «na situação em que o país se encontra o Presidente pode dar uma ajuda significativa (ao Governo e à AR), porque pode criar um clima de confiança (já que) só algo exterior ao Governo, como as próximas eleições presidenciais, podem trazer uma dose acrescida de confiança». Mesmo admitindo que a clareza do discurso tenha ficado prejudicada pelos tratos de polé a que este candidato à Presidência da República submete a Língua Portuguesa, é difícil descobrir na supra citado discurso o mínimo sinal da tal explicação. É claro que a explicação é outra: como o entrevistado - com a subtileza que lhe é característica e com o sorriso cúmplice que se lhe conhece - fez questão de sublinhar, a solução para a retoma da confiança é «talvez um Presidente que chegue de novo, alguém que seja visto como competente, rigoroso, exigente»; e, umas linhas adiante, explica: «Os portugueses vêem-me como alguém que faz aquilo que diz, como uma pessoa de palavra (…) rigorosa, exigente»; e, logo a seguir, conclui: «Ora esses elementos são importantes para ajudar a criar confiança». Que grande explicador!

Sendo esta «a linha de força da sua campanha», e abordando-a ele do jeito que acima se enuncia, não surpreendem as suas declarações sobre a restante matéria vinda a lume na entrevista. Assim, não surpreende que a «pessoa de palavra» que, segundo ele, ele é, se tenha esquecido das garantias que repetidas vezes deu aos portugueses de que Portugal integrava o grupo de países que constituíam o «pelotão da frente da Comunidade Europeia» e agora, em tempo de campanha eleitoral, venha apontar como «problema central que condicionará a acção do próximo Presidente» o de «Portugal estar confrontado com saber se vai ficar, nos próximos cinco a dez anos, na cauda da Europa» - entenda-se: não apenas na cauda da Europa dos quinze, porque aí sempre esteve, mas «na cauda da Europa dos 25».
Também não é surpresa a postura do candidato da direita no que respeita à participação de Portugal em missões internacionais. Vamos por partes, de modo a podermos decifrar o, digamos assim, pensamento de Cavaco Silva: entende ele que «intervenções (das Forças Armadas portuguesas) noutros países devem ser feitas sob a égide da ONU»; por isso, na entrevista à TVI condenou a intervenção no Iraque, «embora sabendo que tinha sido feita uma outra na Sérvia à margem da ONU (…) mas não esquecendo que Saddam era um dos ditadores mais sanguinários que havia ao cimo da terra» - por tudo isso, à pergunta sobre se «aceitaria o envio de tropas para uma intervenção à margem da ONU», respondeu: 1) – blá-blá-blá; 2) - «não devemos, no entanto, excluir-nos de dar o nosso contributo no quadro das alianças de que fazemos parte»; 3) - «nunca critiquei o governo por essa opção (o envio de tropas para a Sérvia) pois ele é que tinha os elementos para julgar a situação»; 4) – «mas o princípio geral (…) será o de respeitar a ONU». Traduzida esta algaraviada, leia-se: se fosse eleito Presidente da República, Cavaco Silva faria o que os Estados Unidos da América lhe ordenassem.

Esta segunda entrevista de Cavaco Silva, confirmando tudo o que já se sabia sobre o entrevistado, confirma, igualmente e por isso mesmo, a necessidade imperiosa de derrotar a sua candidatura nas eleições de 22 de Janeiro. Esse é, como se sabe, o objectivo primeiro da candidatura de Jerónimo de Sousa – um objectivo colocado desde o início, que tem constituído o tema prioritário e central da nossa pré-campanha eleitoral e que vai continuar a ser a nossa preocupação maior até à eleição do futuro Presidente da República. Por outro lado, a realidade tem vindo a mostrar, de forma cada vez mais evidente, que a candidatura de Jerónimo de Sousa constitui o elo mais forte no combate à candidatura da direita e que a derrota de Cavaco Silva será tanto mais possível quanto mais vasto for o apoio e mais expressiva for a votação em Jerónimo de Sousa no dia 22 de Janeiro. De resto, a candidatura de Jerónimo de Sousa irá tão longe quanto o povo português o entender, mantendo sempre, até ao fim e em qualquer circunstância, como objectivo principal derrotar a candidatura da direita.
É muito o trabalho que os militantes e simpatizantes comunistas têm à sua frente nos próximos dois meses, são muitas as tarefas que se lhes colocam e a que têm que dar resposta. Para isso, impõe-se a mobilização plena de todo o Partido, da JCP, de todos os democratas, de todos os homens, mulheres e jovens que vêem a candidatura de Jerónimo de Sousa como a que mais sólidas garantias dá de tudo fazer para derrotar a candidatura da direita; a que melhor serve os interesses dos trabalhadores, do povo e do País; a única que assegura a continuidade da luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda.


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