Editorial

«O verdadeiro opositor do candidato do grande capital é o candidato dos trabalhadores»

DETERMINAÇÃO E CONFIANÇA

A menos de dois meses da primeira volta das eleições presidenciais, o colectivo partidário prossegue, com determinação e confiança, a pré-campanha da candidatura de Jerónimo de Sousa, a qual, a cada dia que passa, se afirma de forma inequívoca como a candidatura de Abril e dos trabalhadores, da coerência e da luta, da verdade e da esperança - e que, por tudo isso, se confirma quer como a mais eficaz no combate à candidatura do grande capital protagonizada por Cavaco Silva, quer como a que representa, como nenhuma outra, os interesses e os valores da esquerda.
Paralelamente a essa importante batalha, temos vindo a dar resposta às exigências colocadas pela situação nacional e internacional, ocupando a fila da frente da luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda, certamente tendo a nosso lado, e ainda bem, trabalhadores das mais diversas opções político-partidárias, muitos dos quais estarão connosco, igualmente, na jornada de luta de 22 de Janeiro na qual o voto em Jerónimo de Sousa é a melhor forma de dar continuidade e maior expressão à luta de todos os dias.
Ao mesmo tempo, preparamos o arranque para o vasto e diversificado conjunto de iniciativas que farão de 2006 o ano do reforço do Partido, enquanto, por seu lado, os jovens comunistas comemoram mais um aniversário da JCP, que cumpre o papel de força motriz essencial das lutas juvenis, e dão os primeiros passos na preparação do seu 8º Congresso.
Em resumo: prosseguimos com muita confiança a forte dinâmica nascida desse acontecimento maior da actividade partidária que foi o XVII Congresso do Partido, realizado há precisamente um ano.

Hoje será votado, na Assembleia da República, o Orçamento de Estado para o ano de 2006, contra o qual votarão, naturalmente, os deputados comunistas não sem que, no decorrer do debate na especialidade, tenham apresentado um conjunto de importantes propostas de conteúdo social – todas rejeitadas, registe-se, pela arrogante maioria que detém o poder. Mais do mesmo, para pior: eis uma síntese que define bem este OE que, tal como todos os que o antecederam, é feito não para resolver mas para agravar a crise; para acentuar o agravamento das condições de trabalho e de vida da imensa maioria dos portugueses; para aumentar os lucros dos grandes grupos económicos e financeiros. Trata-se, de facto, do OE-tipo da política de direita que ao longo de quase trinta anos tem vindo a ser aplicada por sucessivos governos PS e PSD. São estes os partidos que – sozinhos, de braço dado ou com o CDS atrelado - têm governado nas últimas três décadas, pelo que são eles e só eles os responsáveis pelo grave estado actual do País. Disso parecem ter consciência cada vez mais amplos segmentos da sociedade, desde os trabalhadores de todas as áreas de actividade dos sectores público e privado, até aos jovens, às mulheres, aos reformados e pensionistas, passando pelos micro, pequenos e médios empresários. As lutas levadas a cabo nas últimas semanas – e as que se perspectivam para o futuro imediato – evidenciam de forma clara essa consciencialização e impõem-se como caminho indispensável e insubstituível no combate à política de direita e às suas nefastas consequências para Portugal e para a imensa maioria dos portugueses.

Parte integrante desta política de direita é, igualmente, a política externa de submissão aos interesses dos grandes e poderosos do mundo, expressa, nomeadamente, na participação de forças portuguesas em guerras de ocupação decididas pelos EUA. São elucidativas as reacções do Presidente da República e do primeiro-ministro à morte de um militar português no Afeganistão e aos ferimentos sofridos por três outros.
Ao contrário do que afirmou o Presidente da República, não há «bondade» nem «justiça» nesta missão que, aliás, viola a Lei Fundamental do País. Ao contrário do que disse o primeiro-ministro, a participação de forças portuguesas nessas guerras não «é da maior importância para Portugal e para o mundo» e muito menos serve «a paz e a liberdade». Ao contrário do que dizem os que apoiam essa guerras, os militares portugueses que os governos da política de direita para lá têm enviado não estão a lutar contra o terrorismo – estão, sim, a colaborar em bárbaras ocupações de países e povos, ao serviço do país que é o maior centro de terrorismo do mundo, os EUA, e o regresso imediato de todos eles impõe-se como um imperativo democrático e constitucional.

Voltando à grande batalha do momento que são as eleições presidenciais: sublinhe-se a confirmação da justeza da decisão de apresentarmos uma candidatura e de a nossa escolha ter recaído no camarada Jerónimo de Sousa, secretário-Geral do Partido. Sublinhe-se, ainda, que, como a pré-campanha tem vindo a confirmar, a candidatura de Jerónimo de Sousa constitui o maior obstáculo com que o candidato do grande capital tem deparado; que o verdadeiro opositor do candidato dos grupos económicos é o candidato dos trabalhadores; que a proposta de ruptura democrática e de esquerda com as políticas de direita é susceptível de fazer confluir na candidatura de Jerónimo de Sousa as vontades e as esperanças dos flagelados por essas políticas, de todos os que vêem na Constituição da República o melhor ponto de partida para fazer o País sair da crise em que está mergulhado – e que uma forte votação em Jerónimo de Sousa no dia 22 de Janeiro é a opção mais segura para derrotar Cavaco Silva e para dar mais força à luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda.


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