As lutas populares fizeram avançar alguns projectos estruturantes no Alentejo
13.º Encontro de Quadros do Alentejo
Experiência mostra que vale a pena lutar!
Com o objectivo principal de discutir questões de organização do Partido e as próximas eleições presidenciais, reuniu, na quinta-feira passada, entre as 10h30 e as 16h30, o 13.º Encontro de Quadros do Alentejo do PCP.
Na mesa, a presidir ao Encontro, que teve a participação de duas centenas e meia de camaradas, encontravam-se membros da Direcção Regional e de Comissões Concelhias, presidentes de Câmara e membros da JCP e, ainda, Agostinho Lopes, Francisco Lopes e José Catalino, da Comissão Política, Maria da Piedade Morgadinho, da Comissão Central de Controlo, e Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP.
Coube a José Catalino abrir os trabalhos, com uma intervenção que abordou as principais questões que deram corpo ao Encontro e apontou as tarefas que considera prioritárias para os comunistas alentejanos.
Por razões de tempo, das dezenas de participantes que pediram a palavra, apenas 27 puderam intervir. Abordaram, contudo, os mais diversos problemas, desde questões de organização partidária e recrutamento, à recolha de assinaturas contra o aumento da idade da reforma ou à necessidade de afirmar a candidatura de Jerónimo de Sousa como a única capaz de implementar uma política de esquerda e com a participação dos cidadãos.
Esta última questão foi, aliás, objecto também da Resolução Politica que, depois de amplamente debatida, foi aprovada por unanimidade.

As maiores taxas de desemprego

Entre as desastrosas consequências da política de direita do PSD e do PS que o Projecto de Resolução Política analisa, sobressaem a privatização e destruição de sectores estratégicos do Estado, «negociatas megalómanas» de que é exemplo o aeroporto da Ota, o estrangulamento financeiro do Poder Local e a subida «galopante» do desemprego que hoje atinge novos sectores e camadas sociais e relativamente ao qual o Alentejo continua a deter as maiores taxas.
Contudo, «como a experiência do PCP e dos alentejanos demonstra», vale a pena lutar, sendo fruto dessas lutas populares que, no Alentejo, estão a avançar alguns dos projectos estruturantes defendidos pelos comunistas.
A Resolução Política alerta, entretanto, para alguns problemas preocupantes, como é o facto de a EDIA – Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva – estar a ser descapitalizada e obrigada a recorrer ao crédito bancário e de o Governo não só não estar a dinamizar o projecto como a trazer-lhe novos factores de perturbação, caso da passagem da responsabilidade da EDIA para o Ministério da Agricultura e da nomeação do seu presidente com base em critérios partidários.
No documento, o PCP congratula-se com o desbloqueamento de verbas para o arranque do Aeroporto de Beja – se de facto se concretizar – e considera necessário e urgente a existência de investimentos do poder central no complexo de Sines, que se assume no plano do Litoral Alentejano, do Alentejo e do País como um pólo muito importante de desenvolvimento e criação de emprego.
Sublinhando, ainda, a importância do surgimento de projectos na área das energias renováveis, liderado pelo projecto de criação da maior central solar fotovoltaica do mundo, no concelho de Moura, gerido pela CDU, a Resolução Política critica, contudo, o facto de a agricultura continuar a ser tratada com o «parente pobre» da economia, agravando a dependência agro-alimentar do País face ao estrangeiro. Enquanto isto, as seguradoras e grandes proprietários recebem respectivamente à volta de 50 milhões de euros por ano e os agricultores com pouca terra estão impedidos de aceder a mais terra por falta de apoios.
No final nos trabalhos, encerrados com uma intervenção de fundo sobre organização, proferida por Francisco Lopes, o ex-presidente da Câmara de Sines, leu um poema de um livro seu, que ofereceu a Jerónimo de Sousa.

Organizar sempre mais e melhor

A intervenção de abertura de José Catalino, novo responsável pela Organização Regional de Beja, em substituição de António Vitória, segundo informação prestada ao Encontro, abordou fundamentalmente questões de organização.
Começando por referir o recrutamento de 218 militantes em 2005 – bom mas insuficiente – este camarada considerou como motivo principal de regozijo o facto de muitos amigos do Partido estarem a «um pequeno passo» de integrarem o grande colectivo partidário do PCP.
Para José Catalino, contudo, a realização de Assembleias de Organização não mereceu a importância devida e apesar de terem sido já contactados 10.200 militantes, no âmbito na campanha nacional de contacto com os membros do Partido, muitos outros continuam ainda por contactar. Por sua vez, a recolha de assinaturas – 6684 – contra o aumento da idade da reforma, constituindo embora um número significativo, não alcançou a meta que a organização se propunha – 9000 –, o que implica continuar este trabalho.
Entretanto, disse José Catalino, nada do que foi referido significa qualquer «desvalorização do trabalho, da abnegação e dos êxitos» alcançados em 2005, caso, aliás, das últimas autárquicas. Tais êxitos servem mesmo para desmentir o «definhamento» do PCP que a imprensa burguesa tanto proclamou.
Um olhar crítico mas construtivo sobre o trabalho em 2005 foi dirigido também à atenção dada às células de empresa, tarefa prioritária definida pelo último Comité Central. Empresas há no Alentejo, afirmou, nomeadamente na zona dos mármores e no Complexo Industrial de Sines, onde, laborando milhares de trabalhadores, o Partido ou tem pouca influência ou não possui mesmo qualquer organismo.
Os problemas dos deficientes, jovens e mulheres, a responsabilização de quadros jovens, a formação ideológica, a realização de Assembleias de Organização são outras questões em que é fundamental apostar, chamando ainda José Catalino a atenção para a necessidade de envolvimento da organização na campanha em torno da candidatura de Jerónimo de Sousa, com vista a ganhar o voto do eleitorado para esta candidatura, levando-a à segunda volta.
Por fim, José Catalino informou que Joaquim Tavares, a seu pedido, vai deixar a responsabilidade da Organização do Litoral, substituindo-o Manuel Valente, e que Raimundo Cabral deixará de acompanhar o distrito de Évora, transferindo-se por necessidade do Partido para outra região do País, vindo para o distrito um camarada de outra região.


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