Editorial

«Trunfo que conta no dia 22 de Janeiro, trunfo que conta para o futuro»

A CANDIDATURA DOS TRABALHADORES

Observando os comentários dos comentadores de serviço aos debates travados entre os diversos candidatos às eleições presidenciais, constatar-se-á, em primeiro lugar, que, na generalidade dos casos, esses comentadores são os mesmos que, todos os dias, durante todo o ano, em feéricas exibições de pluralismo mediático, cantam, do alto dos respectivos poleiros, a síncrona cantilena do louvor à política de direita – e, ouvindo-lhes os comentários a esses debates eleitorais, constatar-se-á, logo a seguir, que não apenas repetem a referida cantilena como fazem dela um instrumento de desbragada propaganda eleitoral, traduzido num despudorado tempo de antena a favor de Cavaco Silva.
Esperar-se-ia de um profissional, contratado e pago para comentar a prestação de dois participantes num debate, que – quanto mais não fosse por respeito pelos ouvintes e leitores - opinasse não tanto (ou, pelo menos, não apenas) sobre o projecto que cada participante defende, mas essencialmente, sobre as capacidades reveladas por cada um dos participantes na defesa do seu projecto; sobre o rigor, a lucidez, a inteligência com que cada um expõe aos telespectadores as suas propostas e as contrapõe às propostas do adversário. Não vale – e é feio - o comentador partir para o comentário ao debate levando, já, no bolso, o nome do vencedor do debate… E vale ainda menos – e é ainda mais feio – que os comentadores saiam todos do mesmo saco e leiam todos pela mesma cartilha.
Mas é assim que o sistema funciona; é para isso e por isso que são escolhidos aqueles, sempre aqueles e nunca outros, comentadores; é assim que funciona o pluralismo reinante; é assim a «democracia adulta» em que vivemos – neste caso concreto com a particularidade hilariante de assegurar os resultados dos debates antes mesmo de eles se efectuarem. Assim, mais coisa menos coisa, como quem, por força de quaisquer especiais prerrogativas, faz os prognósticos depois do jogo terminar...

Nesta campanha eleitoral é óbvio, desde o início, o objectivo da comunicação social dominante: eleger o candidato do grande capital – e a esse objectivo principal se tem dedicado, e continuará a dedicar, num vale tudo sem fronteiras. Natural é que assim seja, sabendo-se, como se sabe, que o grande capital é o proprietário da dita comunicação social. Assim, não surpreende que todos os caminhos da propaganda mediática convirjam para o elogio, a exaltação, a entronização (quase a canonização…) do candidato Cavaco Silva e, simultaneamente, tratem os restantes candidatos da forma que melhor serve os interesses eleitorais do candidato do Patrão – o que, como temos visto, corresponde à aplicação de tratamentos criteriosamente seleccionados e diferenciados a cada um desses candidatos: nuns casos, pegando-lhes ao colo e embalando-os, noutros casos, atirando-os ao chão.
A verdade é que Cavaco Silva é não apenas o melhor seguro de vida para a política de direita no imediato, mas, igualmente, a garantia de uma mudança de regime que a instale e institucionalize com carácter definitivo, para que o grande capital possa dormir tranquilo. Quanto às restantes candidaturas, os passados e os presentes (e também os futuros) de cada uma delas falam por si e é, obviamente, na candidatura de Jerónimo de Sousa que se localiza a certeza do combate permanente à política de direita e a garantia da luta constante e determinada por uma alternativa de esquerda.
Ditas as coisas de outro jeito: há um candidato - um acima de todos - cuja eleição interessa, acima de todas, aos grandes grupos económicos e financeiros que nele jogam todos os trunfos de que dispõem: Cavaco Silva; e há um candidato – apenas um – cuja eleição, ou mesmo a obtenção de uma votação expressiva, é vista, por esses mesmos grupos, como coisa intolerável: Jerónimo de Sousa.

É tendo em mira estes dois objectivos que age a generalidade da comunicação social dominante. E é tudo isto que confere uma importância singular à candidatura de Jerónimo de Sousa - a candidatura que, de facto, representa a luta de todos os dias (no passado, no presente e, portanto, no futuro) em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País; a candidatura que sendo a candidatura do trabalho é, nas actuais circunstâncias, aquela que, com maior eficácia, combate a do grande capital; a candidatura que garante, para o dia a seguir às eleições, a continuação da luta contra a política de direita e por uma política que inicie a resolução dos grandes e graves problemas que afligem a imensa maioria dos portugueses, ou seja, por uma política de esquerda – a candidatura que, por tudo isto, pela sua estreita ligação aos trabalhadores, reúne as condições necessárias não apenas para, como temos visto, superar com êxito os obstáculos que lhe são colocados à frente, mas para avançar, com confiança e determinação, à conquista de um expressivo resultado eleitoral.
Da candidatura de Jerónimo de Sousa pode dizer-se o que de nenhuma outra pode ser dito: ela é a candidatura dos trabalhadores, Jerónimo de Sousa é o candidato dos trabalhadores. E não se trata de um slogan eleitoral: trata-se de uma realidade confirmada por milhares e milhares de trabalhadores que vêem em Jerónimo de Sousa o seu candidato e que sabem que, votando na sua candidatura, estão a votar em si próprios, estão a votar nos seus direitos e interesses, estão a votar no seu futuro e no futuro dos seus filhos.
É este o mais forte trunfo de que dispõe esta candidatura: trunfo que conta no dia 22 de Janeiro, trunfo que conta para o futuro.


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