Os agricultores pendem o controlo severo das importações
Por diferentes políticas
Agricultores protestam <br>em Pombal e Viseu
Os agricultores de Pombal e Viseu protestaram contra as políticas que o Governo e a União Europeia implementam no sector e apresentaram um conjunto de reivindicações para melhorar a sitaução.
A cidade de Pombal foi palco de uma concentração de agricultores na segunda-feira, promovida pela Federação dos Agricultores do Distrito de Leiria. Na ocasião, foi entregue ao presidente da Câmara Municipal um conjunto de reclamações dos agricultores da região que deverá ser enviado para o Governo de José Sócrates.
«A agricultura e a floresta precisam de mais apoios, Portugal precisa de outras políticas agro-rurais», defendem os profissionais no documento. «Está cada vez pior a situação da lavoura e da floresta. Para acudir à crise é preciso mais apoios governamentais e diferentes políticas agrícolas em Portugal e na União Europeia», salientam.
A Federação dos Agricultores do Distrito de Leiria reclamam garantias de escoamento e melhores preços para a produção nacional de vinhos, carne, fruta, hortaliças e madeira de rolaria, bem como indemnizações para os prejuízos com os incêndios florestais semelhantes aos apoios a fundo perdido atribuídos à cortiça queimada em 2003 e 2004, de oito euros por arroba.
Os agricultores apresentam outras reivindicações, como o controlo severo das importações e combate às traficâncias; o pagamento das dívidas do Estado agricultores; a defesa dos interesses da agricultura familiar dos pequenos produtores florestais; a manutenção das contribuições dos agricultores para a segurança social; e a não redução das verbas da União Europeia para a agricultura portuguesa de 2007 e 2013.
Outras exigências prendem-se com o aumento dos apoios para compensar as consequências da seca e para a prevenção de incêndios, ordenamento das florestas e reflorestação.
Ao agricultores defendem ainda que a agricultura e a alimentação deve estar fora da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que as ajudas ligadas ao máximo de produção devem ser escalonadas e com tectos limites máximos para os grandes proprietários e para a grande agro-indústria.

Duas concentrações em Viseu

Agricultores do distrito de Viseu participaram em duas concentrações que se realizaram na cidade na terça-feira, dia 6, no jardim de Santo António e em frente ao Governo Civil.
O protesto integrou-se na Jornada Distrital de Reclamação da Agricultura, promovida pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o Secretariado dos Baldios do Distrito de Viseu (Balflora), a Associação de Desenvolvimento Rural de Lafões (ADRL).
Durante a segunda concentração, uma delegação entregou no Governo Civil um caderno de reclamações que aborda diversos temas que afectam os agricultores: escoamento e preços dos produtos agrícolas; apoios governamentais para os pequenos produtores florestais e para os baldios; indemnizações por expropriação de terrenos para a construção de estradas e por prejuízos causados pelos incêndios florestais; redução de prestações para a segurança social; construção do matadouro de Viseu; comércio de aves; melhores apoios à prevenção dos incêndios e às Brigadas de Sapadores Florestais; aprovação de projectos de investimento das explorações agro-florestais familiares; e a adopção de outra Política Agrícola Comum (PAC).

Dia de festa e de luta em Aveiro

A Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) comemorou o seu 17.º aniversário no Troviscal, Oliveira do Bairro, no domingo, numa iniciativa que contou com a participação de uma centena de pessoas.
O dia era de festa, mas também de luta e os agricultores não deixaram de afirmar as suas posições em defesa dos seus interesses e do sector. Os participantes decidiram aderir à jornada de luta que se realiza no concelho de Estarreja amanhã, sexta-feira. Este protesto integra-se nas jornadas regionalizadas de luta promovidas pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA).
O presidente da AlDA, Albino Silva, lembrou na ocasião que a agricultura nacional está a atravessar um momento muito difícil e defendeu que a única forma de ultrapassar a situação é «projectar a nossa voz, mobilizando os agricultores para novas lutas». «São imperativos de força para que se altere o rumo imposto ao nosso sector, nomeadamente à pequena e média agricultura, a agricultura familiar», acrescentou.
«Natal é solidariedade e união. A vida difícil dos agricultores obriga à luta, com confiança e determinação. Solidários e unidos, em defesa da agricultura e do distrito de Aveiro, construamos um 2006 bem melhor», afirmou.


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