Editorial

«Cavaco Silva não ganhará se todos os que estão contra a sua candidatura forem votar»

UM CONTRATO COLECTIVO

Dezenas de milhares de pessoas – homens, mulheres, jovens, crianças, vindos de todo o País - encheram e extravasaram do Pavilhão Atlântico naquele que foi um dos maiores comícios de sempre realizados pelo PCP e que constituiu a mais participada de todas as iniciativas desta campanha eleitoral – sublinhe-se: a iniciativa mais participada não apenas da candidatura de Jerónimo de Sousa mas de todas as candidaturas em presença nestas eleições. O significado da deslocação ao Pavilhão Atlântico de dezenas de milhares de pessoas é por de mais evidente. O comício constituiu uma concludente afirmação do PCP, do seu papel na sociedade portuguesa, da impetuosa dinâmica partidária nascida com o XVII Congresso. Mas foi mais, muito mais do que isso: ele confirmou de forma inequívoca a enorme onda de apoio que envolve a candidatura de Jerónimo de Sousa, a simpatia que ela suscitou a muitos milhares de pessoas que confiam na possibilidade da ruptura democrática e de esquerda com trinta anos de política de direita praticada pelo PS e pelo PSD; que vêem na candidatura de Jerónimo de Sousa o que em nenhuma outra existe: o compromisso assumido de lutar por um novo rumo para o País tendo como referência primeira a revolução de Abril com a sua democracia avançada, participada, simultaneamente económica, social, política e cultural. O facto de, entre os presentes no comício de sábado passado, se encontrarem pessoas que pela primeira vez participaram numa iniciativa com aquelas características comporta, também ele, profundo significado e é razão para encararmos com grande confiança não apenas os resultados das eleições de domingo próximo mas igualmente a luta que é necessário continuar e intensificar após as eleições e seja qual for o resultado destas.

Com todos os órgãos de comunicação social e a generalidade dos comentadores de serviço a garantirem, desde há vários meses, ininterruptamente, a vitória de Cavaco Silva à primeira volta - numa operação de propaganda sem precedentes na sua dimensão e na sua desvergonha – Jerónimo de Sousa foi ao Pavilhão Atlântico afirmar convictamente que «Cavaco Silva não ganhará se todos os que estão contra a sua candidatura forem votar». E colocou como grande objectivo para a intervenção dos apoiantes da sua candidatura nos dias que faltam, «ganhar os portugueses, ganhar os democratas para o voto na minha e nossa candidatura». É esse, de facto, o grande desafio que temos pela frente, o de demonstrar a muitos milhares de portugueses, homens, mulheres e jovens democratas e de esquerda, que o voto que melhor defende os seus próprios interesses e direitos, os seus sonhos e aspirações mais profundas, é o voto em Jerónimo de Sousa – o voto que conta como nenhum outro para a necessária derrota do candidato da direita e que, ao mesmo tempo, conta como nenhum outro para abrir uma nova perspectiva para um Portugal de progresso e desenvolvimento. Porque é o voto que, como nenhum outro, expressa o descontentamento, a luta, o protesto contra a política do grande capital e, como nenhum outro, transporta uma solução de esperança renovada e traz consigo a força da luta dos trabalhadores e do povo pela construção da mudança necessária. É tempo de milhares de homens e mulheres, desiludidos com décadas consecutivas de promessas nunca cumpridas por sucessivos governos do PS e do PSD, assumirem a esperança transformando o seu voto num acto de intervenção activa e consciente, pondo termo a esse passado de sombras e abrindo caminhos para o futuro a que todos, pelo simples facto de existirem, têm direito.

Face a uma vaga massiva de sondagens feitas, na maior parte dos casos, para influenciar o eleitorado, utilizadas como instrumentos de dispendiosa (muito dispendiosa!) propaganda eleitoral – sondagens que, ultimamente, passaram a diárias fornecendo as intenções de voto de 150 pessoas contactadas pelo telefone e procurando fazer das opiniões dessa centena e meia de pessoas o resultado das eleições… – Jerónimo de Sousa, no Pavilhão Atlântico, afirmou convictamente que «nada está resolvido», que «tudo está em aberto», sublinhando a sua confiança – que é a confiança de nós todos - «num bom resultado, um resultado que vai, mais uma vez, derrotar todas as sondagens», que vai, mais uma vez, demonstrar que as sondagens não votam… Assim será já que, como todos os dias podemos observar, a candidatura de Jerónimo de Sousa, «decidida pelo PCP, recebeu uma onda de apoio, entusiasmo e participação que lhe dão a dimensão de uma candidatura nacional, da candidatura dos trabalhadores e do povo» - e, por isso mesmo, é uma candidatura que conta com o apoio crescente não apenas dos comunistas mas também de «verdes, socialistas, pessoas com outras opções partidárias ou sem opção definida»; conta com o apoio de todos os que, cada vez em maior número, se identificam com o seu projecto, com os seus valores, com a sua coerência, com todas as características que fazem dela uma candidatura singular no quadro das várias candidaturas às eleições presidenciais.
«Daqui dizemos aos trabalhadores e ao povo português que contamos com o seu apoio, daqui lhes garantimos que podem também contar com esta força imensa, de luta, de alegria, de esperança e de construção do futuro»: eis, em resumo, o conteúdo do contrato proposto por Jerónimo de Sousa em nome dos muitos milhares que estiveram no Pavilhão Atlântico. É um contrato sério, proposto por gente séria a gente séria. Um contrato colectivo. Para começar a cumprir já no próximo domingo.


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