Editorial

«A campanha de Jerónimo de Sousa deixou marcas que darão sinal de si nas lutas do futuro»

AGORA, O PARTIDO

A eleição de Cavaco Silva, num sentido negativo, e a expressiva votação em Jerónimo de Sousa, num sentido positivo, constituem os dois dados marcantes das eleições presidenciais de domingo passado.
No primeiro caso, há que sublinhar a escassa margem de votos obtida, muito, muito longe das percentagens asfixiantes, das vitórias esmagadoras, das coroações antecipadas com que as sondagens, os comentadores políticos de serviço e a comunicação social dominante foram fabricando a eleição do candidato do grande capital. Uma escassa margem que confirma, como repetidas vezes afirmou Jerónimo de Sousa, as possibilidades existentes, por parte dos que se opunham a Cavaco Silva, de lhe impor a derrota que o seu projecto exigia – bastando para isso que o empenhamento evidenciado pela candidatura de Jerónimo de Sousa fosse seguido pelas restantes candidaturas. Isto, não obstante os meios poderosos postos ao serviço da candidatura de Cavaco Silva, nomeadamente a colossal operação de branqueamento da sua negra acção política passada e de ocultação dos seus sombrios projectos e ambições futuras e os apoios dos senhores dos grandes grupos económicos e financeiros. Cavaco Silva beneficiou, ainda, da mais do que notória falta de empenhamento do PS na campanha eleitoral – um baixar de braços cujo significado torna legítimas todas as suposições - e teve na política praticada pelo Governo de Sócrates uma aliada de peso - dir-se-ia que o primeiro-ministro escolheu o tempo de campanha eleitoral para se desdobrar em medidas anti-populares que o candidato da direita aproveitava para facturar votos.
A eleição de Cavaco Silva, animando os sectores mais reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital, veio dar força à aplicação da política de direita com graves consequências para os trabalhadores, o povo e o País. E coloca novas e maiores exigências à luta por uma ruptura democrática e de esquerda com essa política.

No caso da candidatura de Jerónimo de Sousa, há que sublinhar, em primeiro lugar, o importante resultado obtido – 8,6% e cerca de 470 mil votos, ou seja, mais do dobro da votação das últimas presidenciais; mais 34 mil votos do que nas últimas legislativas e uma subida percentual em todos os distritos e regiões autónomas; a vitória no Distrito de Beja e em numerosos concelhos. Trata-se de um importante sucesso eleitoral que, na continuidade dos êxitos obtidos pela CDU nas legislativas e nas autárquicas, virá contribuir para dar mais força à luta contra a política de direita, que trará novo ânimo aos que acreditam que é possível, através da luta confiante e determinada, repor a esperança num Portugal melhor conquistando uma alternativa de esquerda que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que afectam a imensa maioria dos portugueses.
O resultado alcançado comprova a justeza da decisão tomada pelo Comité Central do Partido de apresentar uma candidatura própria às eleições – a primeira de todas as candidaturas apresentadas, após repetidas chamadas de atenção, sempre desvalorizadas pelo PS, para as exigências que a candidatura da direita, em visível processo de preparação, colocava ao campo democrático. A campanha eleitoral confirmou não apenas o acerto cirúrgico da escolha do candidato, camarada Jerónimo de Sousa, secretário-geral do Partido, mas igualmente a disponibilidade de participação, o entusiasmo, a alegria, a confiança, de milhares e milhares de homens, mulheres e jovens das mais diversas opções políticas e partidárias, donde emergiu a intervenção entusiástica e decisiva do colectivo partidário. Semeando simpatias, vontades, confianças, esperanças, ideais, a campanha de Jerónimo de Sousa deixou marcas que perdurarão para além destas eleições e darão sinal de si nas lutas do futuro.

A situação saída das presidenciais coloca ao PCP exigências maiores na resposta às consequências decorrentes da aplicação da política de direita. A resposta eficaz a essas exigências implica o reforço orgânico e interventivo do Partido que, assim, se apresenta como a prioridade maior para o colectivo partidário. Na sequência do XVII Congresso, foram dados significativos passos em frente nesse sentido e a resolução aprovada pelo Comité Central em Novembro passado – definindo o ano de 2006 como ano de reforço do Partido e afirmando com confiança «Sim, é possível! Um PCP mais forte» - abre perspectivas de novos e sólidos avanços. No espaço de um ano, o colectivo partidário, apesar de intervir em três importantes batalhas eleitorais – em todas elas alcançando resultados que se traduziram no reforço da expressão eleitoral do Partido – conseguiu, mesmo assim, dar resposta a muitas das orientações visando o reforço orgânico e interventivo. Temos agora à nossa frente um tempo sem eleições no horizonte imediato e que, por isso, nos abre possibilidades de uma maior atenção a estas questões; portanto um tempo que nos pode proporcionar fazer do ano de 2006, de facto, um ano de reforço do Partido; um tempo que nos pode permitir um maior e mais forte empenho colectivo na materialização das linhas de reforço da organização definidas colectivamente. Um tempo que começa amanhã, quando, no decorrer das reuniões e plenários que iremos realizar em todas as organizações para discussão das eleições presidenciais, concluirmos com determinação e confiança: Agora, o Partido. Naturalmente, tendo sempre presente que quanto mais forte for o Partido mais eficaz será a sua resposta de todos os dias à política de direita.


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