Jerónimo de Sousa obteve cerca de meio milhão de votos

Apesar da vitória de Cavaco Silva
Uma grande votação para continuar o combate
A grande votação obtida pela candidatura de Jerónimo de Sousa (8,6 por cento) constitui uma garantia de que o combate por um Portugal com futuro «prosseguirá com confiança e determinação», afirmou o candidato comunista. Comentando, no domingo à noite, os resultados das eleições, Jerónimo de Sousa realçou que estas ficam negativamente marcadas pela vitória de Cavaco Silva.
Quase meio milhão de votos e 8,6 por cento foi o resultado obtido pela candidatura de Jerónimo de Sousa nas eleições presidenciais do passado domingo. O candidato comunista, que foi o mais votado em 16 concelhos e no distrito de Beja, lembrou que este resultado se situa muito acima do alcançado nas últimas eleições presidenciais e que constitui mesmo um importante avanço relativamente ao resultado obtido pela CDU nas legislativas de Fevereiro do ano passado. Para Jerónimo de Sousa, a sua candidatura ultrapassou as fronteiras das forças políticas que lhe deram suporte e apoio e reuniu em seu redor «milhares de homens e mulheres sem partido ou com outras opções políticas».
Comentando as eleições, no domingo à noite, o candidato comunista destacou que o resultado alcançado pela sua candidatura representa um «sinal de confiança de muitos milhares de portugueses e portuguesas que não se resignando perante as injustiças e as desigualdades acreditam que é possível um novo rumo para o País». Após reafirmar a «inabalável determinação de honrar o apoio recebido e de prosseguir o trabalho e a luta», o candidato comunista deixou aos trabalhadores e ao povo um compromisso: «o seu apoio e os seus votos encontrarão em mim e no projecto colectivo pelo qual luto – hoje, amanhã e sempre – uma presença activa na defesa dos seus direitos e das suas aspirações a uma vida melhor.» Mais do que expressão de um homem só, a candidatura de Jerónimo de Sousa é uma «construção colectiva de milhares de homens e mulheres, jovens e menos jovens, unidos pela força dos valores que defendem e pela enorme confiança no futuro do País que é seu», afirmou.
Jerónimo de Sousa lia a sua declaração perante as câmaras de televisão quando todas as estações interromperam a transmissão. O candidato comunista desceu ao andar térreo da sede do PCP e prosseguiu a sua intervenção para as dezenas de apoiantes que ali se encontravam a seguir os resultados.

Resultado anima direita revanchista

«A eleição de Cavaco Silva à primeira volta marca negativamente o resultado da presente eleição para a Presidência da República», afirmou Jerónimo de Sousa. Mas, para o candidato comunista, há que notar o facto de esta eleição se ter verificado «por uma pequena margem de votos, bem distante das coroações antecipadas que alguns lhe vaticinavam». Pela escassa margem verificada, este resultado revela, prosseguiu Jerónimo de Sousa, que a derrota do candidato da direita estava ao alcance dos que a ele se opunham «se tivesse existido em outras forças políticas o empenhamento com que a minha candidatura travou esta batalha».
Destacando que com a vitória de Cavaco Silva «não foi o País que ganhou em estabilidade mas sim a política de direita e as condições para ser prosseguida», Jerónimo de Sousa reafirmou que esta eleição «não deixará de animar os sectores mais reaccionários e revanchistas da direita e do grande capital e o seu desejo de voragem dos recursos e da riqueza nacional».
Para o candidato comunista, a vitória de Cavaco Silva foi suportada numa campanha «ao serviço da qual se concentraram os mais poderosos meios económicos, beneficiando de apoios e simpatias indisfarçáveis dos principais grupos de comunicação social e projectada para branquear o passado do candidato e esconder os seus projectos e ambições para o futuro». Só assim foi possível à direita, trinta anos depois do 25 de Abril, apoderar-se deste órgão de soberania, denunciou o candidato.

Rendição do PS ajudou Cavaco

Cavaco Silva beneficiou das «hesitações, atitudes e posicionamentos do PS e do seu Governo», acusou Jerónimo de Sousa na noite das eleições presidenciais. Para o candidato comunista, as «hesitações e ambiguidades que marcaram desde sempre a posição do PS, a notória falta de empenhamento posta na campanha associada ao baixar de braços e à resignação patenteada pela direcção do PS perante as exigências deste combate político jogaram a favor do desfecho final destas eleições».
Na opinião de Jerónimo de Sousa, o aumento do descontentamento social legitimamente provocado pelas medidas antipopulares do Governo, algumas delas tomadas em plena campanha eleitoral, foram «hipocritamente» revertidas a favor de Cavaco Silva.
O candidato comunista considerou ainda que uma das vantagens de que o candidato da direita beneficiou residiu «nas divisões, desmobilização e rendição antecipada que o PS protagonizou, bem patente na simples leitura dos resultados eleitorais». E não, como «alguns, para iludir as suas responsabilidades, sustentam», na existência de mais do que um candidato à sua esquerda.


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