Editorial

«Um olhar para a situação actual do Partido remete-nos, inevitavelmente, para o XVII Congresso»

O ANO DE REFORÇO DO PARTIDO

Na intervenção proferida no comício de sábado passado, em Lisboa, o camarada Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, sublinhou o facto de, neste ano de 75º aniversário do Avante! e de 85º aniversário do Partido - e num momento em que o colectivo partidário acaba de travar, com êxito, a terceira batalha eleitoral no espaço de doze meses - estarem reunidas as condições essenciais para darmos um significativo passo em frente no desenvolvimento da luta e no reforço do Partido.
Os resultados obtidos nos três actos eleitorais realizados, assumem uma importância relevante em vários aspectos. Eles marcam, em relação aos últimos anos, uma clara inversão da tendência de evolução da nossa influência eleitoral, traduzida no reforço da afirmação do Partido e das potencialidades de desenvolvimento da sua actividade bem como no fortalecimento do nosso grupo parlamentar e da nossa presença nas autarquias locais. Essa evolução positiva da expressão eleitoral do Partido traz consigo mais força, mais ânimo, mais confiança, mais determinação, ao colectivo partidário, constituindo, por isso mesmo, um importante factor de mobilização, de alargamento e acentuação da militância partidária – condição fundamental para que o Partido dê resposta plena às exigências impostas pela situação em cada momento. O reforço orgânico e interventivo do Partido, objectivo sempre presente nas preocupações do colectivo partidário, tem na situação decorrente das eleições presidenciais evidentes possibilidades de materialização. Levar por diante de forma entusiástica e criativa as orientações e linhas de trabalho definidas pelo XVII Congresso e reafirmadas e desenvolvidas posteriormente pelo Comité Central do Partido, é o caminho que conduz a esse reforço e é, por isso, a tarefa prioritária que hoje se coloca a todo o colectivo partidário. Daí a designação, para o ano de 2006, de ano de reforço do Partido.

Um olhar para a situação actual do Partido – para a sua influência, a sua actividade, a sua dinâmica interventiva, a sua imagem junto da sociedade portuguesa – remete-nos, inevitavelmente, para o XVII Congresso realizado há pouco mais de um ano. Tratou-se de um Congresso histórico, como na altura dissemos e a realidade tem vindo a confirmar. Contudo, não basta constatarmos essa realidade e darmo-nos por satisfeitos com ela. É necessário e imperioso prosseguir, dar continuidade ao trabalho desenvolvido desde o Congresso, continuar a levar por diante, em todas as áreas e em todas as vertentes, as orientações por ele definidas. Os bons resultados em três actos eleitorais, a intervenção intensa na luta contra a política de direita e por uma alternativa de esquerda e os passos dados no reforço orgânico do Partido, confirmando as potencialidades existentes, convocam-nos à crescente mobilização militante. Por outro lado, a campanha eleitoral das presidenciais – de facto, uma expressiva campanha política de massas – semeou esperanças e novas perspectivas em muitos milhares de homens, mulheres e jovens que viram na nossa candidatura a resposta séria à política de direita responsável pelos problemas do País e do povo e um projecto alternativo transportador da resolução desses problemas. E semeou esperanças, também, e despertou as consciências de muitos outros milhares de homens, mulheres e jovens que, não tendo ainda desta vez optado pela nossa candidatura, lhe identificaram os traços distintivos e a assinalaram com uma aproximação feita de simpatia, de reconhecimento de seriedade, de confiança.
É deste quadro que emergem as condições para fazermos, com êxito, deste ano de 85º aniversário do PCP, o ano de reforço do Partido.

Se é verdade, e é, que um ou vários bons resultados eleitorais dão mais força à nossa intervenção – quantos mais votos tivermos numa eleição maior é a nossa capacidade de acção e de mobilização para a luta - também sabemos, por experiência própria, que um ou vários maus resultados eleitorais não nos levam a desistir de lutar, a perder perspectivas, a abandonar os nossos objectivos, a deixar de cumprir o papel de partido da classe operária e de todos os trabalhadores. Isto porque a actividade do Partido, tendo na luta eleitoral uma importantíssima componente, de forma alguma se esgota nela – ao contrário do que acontece com a generalidade dos restantes partidos políticos. Sabemos que, contados os votos de cada acto eleitoral e independentemente do resultado obtido, no dia seguinte a luta continua: com maiores dificuldades se o resultado é mau ou menos bom, com menores dificuldades se o resultado é positivo – mas continua sempre. Aliás, é esta postura que, ao longo dos anos, tem vindo a ridicularizar o chamado declínio irreversível do PCP, tantas vezes decretado, anunciado, dado como certo e festejado pelo batalhão de comentadores e analistas ao serviço dos interesses do grande capital.
É nesta perspectiva que iremos, este ano, comemorar o 85º aniversário do PCP e fazer dessas comemorações uma afirmação do projecto político e ideológico do Partido, «da divulgação da sua história ímpar, de projecção da sua análise e proposta de alternativa política, de alargamento da confiança, da esperança, e da determinação na luta por um Portugal e um mundo mais justos». É nesta perspectiva, e tendo sempre como objectivo um PCP mais forte, que uniremos as forças, capacidades e vontades do nosso grande colectivo partidário e com elas faremos do ano de 2006 o ano de reforço do Partido.


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