Não apaguem a memória!

O movimento «Não apaguem a memória» denunciou, sexta-feira da semana passada, em comunicado aos órgãos de comunicação social, a constituição como arguidos de dois dos seus membros após uma manifestação pacífica contra a edificação de um condomínio privado no espaço da antiga sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
A associação considera a convocação judicial de Duran Clemente e João Almeida como «uma incompreensível acção intimidatória» e uma «ridícula e injustificada perseguição policial», pelo que apelam à formação de um «firme e mais vasto movimento de repúdio na sociedade portuguesa».
A estrutura acrescenta que o protesto foi um «acto de liberdade, que não devia ser perseguido nem criminalizado, mas valorizado», até porque em causa está a luta pela «preservação da memória colectiva sobre a ditadura», disseram.


Alberto Vilaça lança livro

Decorreu no passado sábado, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, a sessão de lançamento do novo livro do escritor e advogado Alberto Vilaça, uma cerimónia de sala cheia que contou com a presença de Urbano Tavares Rodrigues e do vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, Mário Nunes.
«A Comuna de Paris e a 1.ª Internacional revisitadas em Portugal» é fruto de uma série de investigações e estudos, alguns dos quais inéditos, levados a cabo por Vilaça sobre a repercussão que a primeira experiência de poder operário e popular teve no nosso país e o consequente estímulo ao desenvolvimento do movimento comunista em Portugal.
Para além da compilação da vasta bibliografia sobre a Comuna de Paris, a mais recente obra do dirigente da Organização Regional de Coimbra do PCP traz à luz do dia a comunicação que Nobre dos Santos levou ao Congresso da Internacional Socialista sobre a situação económica e social em Portugal, realizado em Haia, em 1872.


Sem samba, mas Carnaval

Muito embora o Carnaval em Portugal seja cada vez mais associado aos corsos e desfiles onde pontificam as escolas de samba e as estrelas da televisão mais em voga, há quem insista em festejar mantendo o cariz popular e pagão da quadra.
No distrito de Viseu, milhares de pessoas também se juntam nas ruas de sábado a quarta-feira, mas para participarem na «Dança dos Cus», verem passar os Caretos e lançarem bocas e provocações aos bairros vizinhos.
Em Cabanas de Viriato, os foliões de todas as idades desfilam ao som da valsa batendo ancas e cus uns contra os outros, uma «dança» que, dizem os habitantes locais, tem raízes no século XIX.
Em Lazarim são os Caretos e o desfile etnográfico com os tradicionais Zés Pereiras, e em Canas de Senhorim a «segunda-feira das velhas» faz saltar a imaginação com «ajustes de contas» verbais lançados ao desafio. Em ambas localidades, o carnaval anima ainda o estômago com a patuscada de porco, a cerveja, o caldo de farinha e a feijoada para todos os visitantes, em Lazarim, e a «batatada» (couves, bacalhau e batatas) em Canas.
Mais a Norte, em Trás-os-Montes, a tradição com mais de 400 anos continua a fazer festa rija no Entrudo. Em Podence também há Caretos. Com máscaras de ferro, trajes berrantes e chocalhos à cintura, percorrem a vila em provocações saudáveis às mulheres da terra, especialmente as solteiras.
Em localidades mais a Sul do distrito, a sátira social e política toma partido e, sem pudor, «arrasa» novos e velhos, num ritual de liberdade e expressão popular onde todos têm lugar, para brincar, criticar e serem criticados.
Em Lisboa, as juntas de freguesia da zona de Alfama organizaram, pela 8.ª vez, um desfile de Carnaval envolvendo colectividades e associações culturais locais. Do Castelo de São Jorge até ao Largo do Chafariz de Dentro, o destaque vai para a recuperação da tradição da festa e da folia popular.


Venezuela promove <em>software</em> livre

O presidente do Centro Nacional de Tecnologias da Informação da Venezuela, Jorge Berrizbeitia, anunciou, sábado, a conclusão de um acordo com a IBM para a construção de um centro de pesquisa e investigação informática.
Neste centro dedicado às chamadas «novas tecnologias», os venezuelanos contam proporcionar assistência e promover a troca de conhecimentos entre investigadores de software livre, isto para além de se comprometerem a formar dez mil novos programadores nesta área.
Acresce que, recentemente, o governo venezuelano aprovou uma medida que obriga todas as empresas, ministérios, departamentos, e instituições estatais a usarem software de codificação aberta, decisão que, para além de promover a liberdade de criação e o avanço do conhecimento na matéria, permite poupar alguns milhares de dólares em licenças à multinacional Microsoft.


Resumo da Semana