Empresa Rodhe, em Pinhel
Resistir e lutar
O Grupo Parlamentar do PCP desafiou o Governo a esclarecer quais as medidas ou curso ou que pensa adoptar para evitar o encerramento da empresa Rodhe, situada em Pinhel.

Esta posição foi veiculada através de requerimento do deputado Bernardino Soares, na sequência de uma recente visita por este efectuada àquela unidade industrial onde se avistou com trabalhadores e seus representantes a quem expressou o apoio e solidariedade da bancada a que preside.
Em causa, como o Avante! noticiou em edições anteriores, está o anunciado propósito da administração de encerrar a fábrica e deslocalizá-la para outro país onde existam mais apoios públicos à sua instalação. Esta é uma prática, como é sabido, que se tornou num verdadeiro drama para milhares de famílias e para muitas economias locais.
Será também este o caso, se o processo não for travado, da Rodhe, actualmente com 372 trabalhadores, o que corresponde a 20 por cento da população activa do concelho de Pinhel.
E o que é mais escandaloso é que também esta empresa recebeu, ao que se sabe, apoios públicos de pelo menos, como refere o líder parlamentar comunista, dois tipo: «a cedência de terreno infra-estruturado comprado pela câmara municipal e o pagamento pelo Estado dos custos da formação profissional dos trabalhadores a fim de os habilitar para a produção naquela unidade».
Em curso está, entretanto, uma «operação de intimidação dos trabalhadores», visando levá-los a rescindir o respectivo contrato, o que em parte já foi conseguido. É uma espécie de vale tudo, com a administração da empresa, aproveitando a fragilidade da situação dos trabalhadores, como lembra Bernardino Soares, a utilizar todo o tipo de pressões e chantagens. Se os trabalhadores não aceitarem agora a rescisão, só daqui a vários anos é que receberão as indemnizações, disse a administração que não se coibiu ainda de mentir ao afirmar que o Governo vai alterar o regime legal do subsídio de desemprego nas próximas semanas, pelo que devem aproveitar agora, pois, caso contrário, ficam sem ele.
Daí que, face à arbitrariedade da administração, seja tão importante a intervenção do Governo, na perspectiva da formação comunista, que quer saber exactamente quais os apoios recebidos pela Rodhe e qual a razão para que não tenham sido garantidas condições para que a empresa não se deslocalizasse em busca de novos apoios noutro país.
«Como pensa o Governo intervir no sentido de pôr fim ao clima de intimidação que está a ser usado pela administração para forçar os trabalhadores a assinarem a rescisão amigável», pergunta ainda Bernardino Soares, insistindo em saber, por outro lado, que medidas tem o Governo em carteira perante um cenário em que se consume o fecho atirando para o desemprego um quinto dos activos do concelho de Pinhel.


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