Memorial na antiga sede da PIDE

A União de Resistência anti-Fascista Portuguesa (URAP) entregou, na passada semana, um abaixo assinado ao então Presidente da República, Jorge Sampaio, a pedir a construção de um memorial no local da antiga sede da PIDE, em Lisboa.
«Já que não foi possível travar a demolição do edifício e a consequente transformação em condomínios de luxo, queremos que seja construída um memorial que lembre as gerações futuras do que se passou naqueles edifícios durante os anos da ditadura e onde foi torturada e assassinada muita gente», explicou, à Lusa, uma das dirigentes do movimento, Marília Vilaverde.
A polémica em torno do antigo edifício, situado na Rua António Maria Cardoso, começou em Outubro do ano passada, quando um grupo de cidadãos ali se concentrou como forma de protesto contra a intenção de demolição e posterior construção de um condomínio de luxo e exigindo a transformação da antiga sede da PIDE em museu.
Na altura, os manifestantes colocaram dois panos, um à entrada do edifício, onde se lia «não deixamos que nos apaguem a memória», e outro na fachada em ruínas com os nomes de várias pessoas que morreram durante o regime fascista, entre os quais o general Humberto Delgado, Catarina Eufémia e Soeiro Pereira Gomes.


Reintegração social da comunidade cigana

A Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas (AMUCIP) inaugurou, quinta-feira, da passada semana, a sua primeira sede, no Bairro da Cucena, em Paio Pires, para apoiar as crianças ciganas com insucesso escolar. As instalações da sede foram cedidas pela Câmara Municipal do Seixal.
Em declarações à comunicação social, a vice-presidente da AMUCIP, Anabela Barvalho, disse, sem concretizar prazos, que entre os projectos a desenvolver se contam o transporte das crianças para a escola e o apoio escolar de alunos com dificuldades de aprendizagem. A responsável contou que muitos pais acabam por não incentivar os filhos a ir à escola por falta de transportes públicos nas proximidades do bairro.
Construído há cerca de quatro anos, o Bairro da Cucena acolhe, além de agregados de origem africana, 80 famílias de etnia cigana. A sede da AMUCIP ainda não está equipada, mas o objectivo, diz Anabela Carvalho, é venha acolher projectos de reintegração social que abranjam a comunidade cigana portuguesa, em especial as mulheres e as crianças.
Fundada há cinco anos por cinco mulheres ciganas que desempenham funções de mediadoras entre a comunidade cigana e não cigana, a associação tem organizado acções de sensibilização junto de profissionais da saúde, professores e assistentes sociais e encontros sobre conciliação entre trabalho e vida familiar.


Mulheres «sem-terra» ocupam propriedade rural

Cerca de duas mil mulheres da organização internacional Via Campesina ocuparam uma propriedade de um dos maiores fabricantes de papel do Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul. A propriedade Barba Negra, localizada numa região fronteiriça entre o Brasil, Argentina e Uruguai, é um das principais unidades de produção da Aracruz Celulose.
A acção do movimento, que representa trabalhadores «sem-terra» em 56 países, foi realizada apenas por mulheres no quadro das comemorações do Dia Internacional da Mulher.
«Neste 8 de Março solidarizamo-nos com as mulheres camponesas e trabalhadoras urbanas de todo o mundo, que sofrem as várias formas de violência imposta por esta sociedade capitalista e patriarcal», refere o grupo em comunicado.
A ocupação ocorre durante a II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural da FA, que decorre em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, com a presença de representantes de 80 países.
A ocupação da propriedade é ainda uma forma de a Via Campesina se manifestar contra «os desertos verdes, as enormes plantações de eucalipto para produção de celulose, que cobrem milhões de hectares na América Latina».
A Via Campesina salienta ainda que as plantações de eucalipto criam apenas um emprego em cada 185 hectares plantados, enquanto as pequenas propriedades criam um emprego por hectare.


Bronze para Naide Gomes

A portuguesa Naide Gomes conquistou domingo a medalha de bronze no salto em comprimento nos Mundiais de atletismo, que decorrem em Moscovo, com uma marca que lhe permitiu melhorar o seu recorde nacional (6,76 metros).
Naide Gomes, que no seu melhor salto conseguiu 6,76 metros, terminou atrás da russa Tatyana Kotova (7,00) e da norte-americana Tiana Madison (6,80), medalhas de ouro e prata, respectivamente.
A quarta classificada foi espanhola Concepcion Montaner, que igualou a marca de Naide Gomes (6,76), mas que no desempate, calculado pelo segundo melhor salto, ficou atrás da portuguesa.
Na final de domingo, Naide Gomes melhorou duas vezes o seu recorde nacional (6,75 e 6,76), que sábado já tinha batido.


Londres forneceu plutónio<br> a Israel nos anos 60

A Grã-Bretanha, um dos actores principais na polémica nuclear com o Irão, forneceu a Israel, nos anos 60, plutónio e outros materiais sensíveis utilizados no fabrico de armas atómicas, revelou quinta-feira a BBC.
Citando documentos secretos a que teve acesso e conversas com antigos responsáveis do governo britânico, a BBC referiu que Londres forneceu a Israel amostras de produtos nucleares numa altura em que Telavive desenvolvia em segredo o seu reactor nuclear Dimona.


Resumo da Semana