Breves
Confusão nas legislativas em São Tomé
Os primeiros resultados das eleições legislativas de domingo passado em São Tomé e Príncipe foram divulgados, segunda-feira, em conferência de imprensa, pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CNE), José Carlos Barreiros.
Sem avançar outra percentagem que não o número dos boletins já apurados, aproximadamente 75 por cento do total, o responsável da CNE afirmou que a abstenção deverá rondar os 52 por cento e o número de localidades onde se registaram boicotes eleitorais subiu para 18, ao invés das treze inicialmente anunciadas, estando prevista a repetição do acto nas respectivas mesas de voto no próximo domingo.
Quanto à divulgação antecipada dos resultados do escrutínio, atribuída a um fax posto a circular supostamente proveniente da Procuradoria-Geral da República, Barreiros declarou não fazer ideia da forma de apuramento e contagem dos votos utilizada, pelo que se recusou a comentar a veracidade das informações.
Segundo o alegado documento, na frente da corrida eleitoral, com mais de 35 por cento, está o Movimento Democrático Força da Mudança – Partido da Convergência Democrática (MDFM – PCD), apoiado pelo actual Presidente da República, Fradique de Menezes. Em segundo lugar surge o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP – PSD), com pouco menos de 29 por -cento, enquanto a Aliança Democrática Independente (ADI) e o movimento Novo Rumo (NR) não recolheram mais de 22 e 4,5 por cento dos votos.
Antes, durante e depois da realização do sufrágio, entre as forças políticas em disputa, avolumaram-se as acusações de interferência no processo e até da alegada compra de votos, ou «banho», método supostamente usado pelos agentes políticos locais para assegurarem a fidelidade dos eleitores.

Aviação bombardeia escola
Um ataque aéreo levado a cabo por forças leais ao monarca do Nepal, Gyanendra, contra uma escola perto da localidade de Sindhupalchow causou a morte a quatro guerrilheiros e pelo menos uma outra pessoa que se encontravam no interior.
Este ataque surge na sequência de uma campanha lançada pelo autocrata de Katmandu com o objectivo de recuperar o controle territorial do país dos Himalaias, perdido já em grande parte a favor dos insurgentes.

RASD firma acordos e...
Um representante da República Árabe do Saara Ocidental (RASD), M’Hamed Jadad, anunciou, quinta-feira da semana passada, em Londres, o estabelecimento de vários acordos para a exploração das jazidas de petróleo e gás natural do país com empresas britânicas.
A concessão dos campos de Hausa, Mahbes, Bir Lehlu, Hagunia, Mijek, Bojador, La Güera e Güelta foi feita mediante concurso internacional, realizado em Maio passado, e surge no contexto de «uma intensa campanha marroquina para promover a ideia de uma solução de autonomia e não de independência», frisou Jadad.
O responsável considerou ainda que «os acordos confirmam igualmente a determinação do povo saaraui de avançar na consolidação da sua independência nacional e recuperar a soberania sobre as decisões relativas aos seus recursos naturais».

...Marrocos não detém protestos
A visita de Mohamed VI, sábado passado, à capital dos territórios ocupados, El Aaiún, para empossar oficialmente o novo Conselho Consultivo Real para os Assuntos do Saara Ocidental, foi acompanhada por intensos protestos.
No discurso cerimonial, o monarca insistiu na caducidade do plano da ONU para o território, nomeadamente na impossibilidade de se efectuar um referendo sobre um tema que considerou «fictício», a autodeterminação reclamada pelo povo e pelo seu principal representante político, a Frente POLISARIO.
A visita real motivou uma gigantesca operação de segurança por parte das autoridades marroquinas. Em torno das cidades de El Aaiún e Bojador foram estacionadas dezenas de unidades mecanizadas e de infantaria do exército. Nas estradas entre a capital, Rabat, e a cidade de Agadir, na costa Sul, importantes pólos universitários de Marrocos, foram montadas barreiras de segurança para impedir o movimento de estudantes saarauis, apoiantes da independência e elementos tradicionalmente activos nas contestações populares.
Não obstante o aparato, que incluía também elementos infiltrados da polícia secreta, foram distribuídos milhares de documentos a apelar à sublevação do povo, iniciativa que resultou na realização de manifestações em Smara, Bojador e Tan Tan, onde a inúmeras bandeiras do Saara Ocidental saíram mesmo para as ruas.