As manifestações de dia 4 foram as maiores de sempre em França
Franceses enterram lei da precariedade
A luta irá até ao fim!
Milhões de trabalhadores e estudantes voltaram a manifestar-se maciçamente, na terça-feira, em cerca de 200 cidades. Na rua, o povo francês mostrou claramente a sua disposição prosseguir o combate pela revogação do contrato de primeiro emprego.
A adesão a esta quinta jornada nacional (apoiada por 54 por cento da opinião pública), foi comparável às mobilizações históricas registadas na passada semana. Estas, sublinhe-se, constituíram um recorde de participação juntando cerca de três milhões de manifestantes em todo o país. Segundo dados dos últimos 40 anos, publicados pelo jornal Le Monde (29 de Março), nunca antes, nem mesmo no Maio de 1968, se tinham registado manifestações com tal dimensão.
Repetindo o protesto um semana depois, trabalhadores e estudantes não deram sinais de fraqueza ou desmobilização. Antes pelo contrário.
A meio da tarde, já em pleno desfile parisiense, a CGT fazia um primeiro balanço da jornada: «Mais de três milhões» de pessoas em toda a França. «A participação é pelo menos igual à de 28 de Março, em muitos casos superior e globalmente ultrapassará os três milhões de pessoas, devemos estar perto dos 3,1 milhões de manifestantes», anunciou a central sindical.
Tal como há oito dias, o desfile em Paris juntou mais de 700 mil pessoas. Na segunda maior cidade francesa, Marselha (sul), cerca de 250 mil pessoas manifestaram-se pela manhã, igualando o protesto anterior.
Já em Nantes (oeste), a mobilização foi superior atingindo 75 mil participantes, número recorde nas últimas duas décadas. Também Grenoble (sudeste) conheceu o segundo maior protesto nos últimos 30 anos, com 60 mil pessoas na rua.
Em Bordéus, 120 mil saíram à rua, em Lyon 45 mil, Nice (25 mil), Reims (16 mil), Angers (17 mil), Brest, (30 mil), Havre (25 mil), Lille (45 mil), Montpellier (45 mil) Nancy (23 mil), Orléans (20 mil), Pau (40 mil), Poiters (35 mil), Rennes (50 mil), Rouen (40 mil), Saint-Brieuc (15 mil), Estrasburgo (20 mil), Toulouse (90 mil), Tours (20 mil). Em numerosas outras cidades as manifestações ultrapassaram largamente a barreira dos dez mil participantes. Ao todo registram-se perto de 200 manifestações e,m centros urbanos.
Apesar de os sindicatos reconhecerem uma ligeira quebra na adesão às greves convocadas no sector público, a maioria dos serviços, escolas, transportes públicos, rodoviários, ferroviários e aéreos, telecomunicações, correios foram afectados pelas paralisações.
Por outro lado, de acordo com dados da CGT, aumentou o número de greves decretadas no sector privado, abrangendo comércio e serviços, a construção, a industria agro-alimentar, comunicações, informática, química, entre outros. O protesto afectou ainda vários órgãos de comunicação, designadamente as emissões televisivas e de rádio.

Direita derrotada

As sondagens já o tinham previsto. As cedências anunciadas pelo presidente Jacques Chirac em relação ao contrato de primeiro emprego não convenceram a maioria esmagadora dos franceses (cerca de 60 por cento), para os quais a retirada do diploma era a única decisão aceitável.
Porém, em vez disso, o presidente francês decidiu promulgar a lei na passada sexta-feira, dia 31, incumbindo ao mesmo tempo a maioria parlamentar do UMP (União para um Movimento Popular), de preparar um novo diploma com as alterações que considerou indispensáveis.
Chirac terá pensado que bastava prometer a redução do período experimental de dois para um ano e introduzir a obrigatoriedade do empregador informar o jovem contratado do motivo do despedimento para desanuviar a tensão social acumulada nos últimos meses. Mas enganou-se.
Os sindicatos, associações de estudantes e partidos da esquerda parlamentar condenaram a intervenção presidencial, alertando que o essencial do projecto permanecia inalterado e reforçaram os apelos à participação nas manifestações e greves convocadas para anteontem, dia 4. A resposta foi grandiosa.


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