Povo mantém contestação no Nepal
Rei sem súbditos
Ao fim de quinze dias de intensos protestos populares no Nepal, o Rei Gyanendra foi à televisão estatal, sexta-feira da semana passada, propor à coligação de sete partidos da oposição uma trégua nas manifestações.
No discurso, o monarca pediu aos líderes da contestação que ««indiquem, o quanto antes, o candidato a primeiro-ministro para a formação de um conselho que assuma a responsabilidade de governar», prometendo, ainda, «devolver ao povo o poder executivo que estava seguro nas nossas mãos».
Em resposta, o Partido Comunista do Nepal e o Partido do Congresso, principais formações políticas da oposição, afirmaram que o convite governamental já vem tarde, isto para além de não cumprir nenhuma das exigências feitas desde o início do mês: a restituição dos poderes ao parlamento, a marcação de eleições gerais e a formação de uma assembleia constituinte.
Ambos os partidos acrescentaram que não abdicavam dos protestos e, dois dias depois, centenas de milhares de nepaleses marcharam até ao palácio real, na capital, Katmandu, para demonstrar que o rei perdeu os súbditos. As autoridades responderam com a violência habitual, usando gás lacrimogéneo, jactos de água e balas de borracha.
Desde 6 de Abril, dia em que teve início a greve geral, já morreram nos protestos 15 pessoas, mais de 1300 foram feridas e os presos políticos ascendem aos 3000.
No campo da oposição armada ao monarca do Nepal, a guerrilha lançou um assalto contra o quartel general da província de Sindhuplachowk, a uma centena de quilómetros de Katmandu. Na mesma região, mas na cidade de Chautara, outro ataque incendiou edifícios governamentais, de telecomunicações e correios, e cortou a comunicação via telefone com a capital.


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