«Sabemos que um mundo melhor é possível e por ele lutamos»
Sessão de solidariedade com Cuba
«Cuba contra o terrorismo»
Cerca de um milhar de pessoas participou, na passada semana, numa iniciativa contra o terrorismo e o bloqueio imposto pelos EUA a Cuba. Lembrou-se ainda o atentado à bomba contra a Embaixada daquele país, em Portugal.
A 22 de Abril de 1976, foi colocada uma bomba na Embaixada de Cuba em Lisboa, destruindo as instalações e matando dois diplomatas cubanos: Adriana Corcho e Efrén Monteagudo.
Passam agora 30 anos sobre este acto terrorista que deixou a Av. Fontes Pereira de Melo em estado de sítio. Uma pasta foi colocada à saída do elevador principal. No seu interior havia uma bomba, com mais de seis quilos de TNT. Ao ver fumo algumas pessoas aproximaram-se e quando se perceberam que era uma bomba, tentaram pôr-se a salvo. Às 16h45 acontece a explosão, que destruiu totalmente o piso, com o resto do prédio a sofrer danos consideráveis.
Adriana e Efrén, que tentaram que os seus companheiros passassem para locais mais seguros, perderam a vida. Perdiam-se dois diplomatas valiosos, jovens com 33 e 36 anos, plenos de energia.
Tinham a força suficiente para movimentar o motor da vida. Eram consagrados à sua profissão e dedicados a fortalecer as relações entre os povos de Cuba e Portugal.
Desde o primeiro momento da acção terrorista, uma concentração do povo português, que permaneceu longas horas no lugar, deu mostras de apoio e solidariedade para com o povo cubano. Ouviram-se frases de condenação ao fascismo, à reacção e à CIA.

Internacionalismo revolucionário

«O ataque à embaixada de Cuba significou um ataque à solidariedade sincera e revolucionária de Cuba. Não esquecemos o admirável exemplo de internacionalismo revolucionário de Cuba para com os povos das ex-colónias portuguesas. Não esquecemos o contributo dado por Cuba à luta armada das forças progressistas desses países que foi determinante para a conquista da independência, objectivo que se mostrava totalmente convergente com a luta do povo português contra o colonialismo e pela instauração das liberdade e das democracias», afirmou Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN, no Auditório da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa.
Reafirmando a firme condenação deste acto, o sindicalista relembrou que os seus executores, segundo relatos da imprensa à época, eram oriundos de sectores políticos da direita portuguesa.
«Reavivamos, hoje, a nossa solidariedade para com a Revolução Socialista Cubana, e por essa razão, aqui estamos, de novo, solidários com o povo de Cuba para lhes dizer que estamos do seu lado na luta pela defesa da soberania, pelo direito a decidir do seu futuro, futuro que querem de liberdade, de paz, de progresso e de justiça social», acentuou Carvalho da Silva.
Manifestou-se ainda contra o terrorismo, nas suas diversas formas, e lembrou os casos do Iraque e da Palestina.
«Os direitos humanos são uma questão fundamental e de princípio, mas devem ser analisados e considerados no seu todo, uno e indivisível e em todas as dimensões da sua expressão, tendo sempre presente o desenvolvimento humano como a referência forte de toda e qualquer concepção de desenvolvimento», continuou o secretário-geral da CGTP-IN, interrogando-se: «Como se pode então aceitar esta campanha contra Cuba?».
«Façam-se todas as análises críticas, mas não se escamoteie um facto fundamental: esse bloqueio é gerador de limitações para o povo cubano e para o seu regime político, em praticamente todos os campos de acção e é uma violação, constante e de facto, dos direitos humanos», respondeu.

Presos por combaterem o terrorismo

Nesta iniciativa, Carvalho da Silva exigiu ainda a libertação, em nome dos trabalhadores portugueses, dos cinco compatriotas cubanos presos nas prisões dos EUA, «presos exactamente por combaterem o terrorismo».
«Mesmo depois de um tribunal americano, de Atlanta, ter declarado o processo de prisão destes compatriotas cubanos, arbitrário e ilegal, as autoridades norte-americanas insistem na manutenção desta situação absurda e ilegal, em clara violação dos direitos humanos mais elementares», denunciou, informando que a CGTP-IN, bem como outras forças sociais e políticas e muitas personalidades, «irão participar em diversas iniciativas que, no nosso País, se realizarão, exigindo a sua imediata e incondicional libertação, e noutras acções, de solidariedade mais geral para com os trabalhadores e o povo de Cuba, contra o bloqueio e pela defesa da sua soberania».

Os terroristas têm que ser julgados

Armanda Fonseca, presidente da Associação de Amizade Portugal-Cuba, também interveniente na iniciativa, recordou os crimes perpetrados por Posada Carriles e Orlando Bosh, activos terroristas anti-cubanos, protegidos pelos governos norte-americanos.
Posada Carriles esteve vinculado aos planos de assassinato contra funcionários cubanos no Chile e no atentado orquestrado contra o Presidente de Cuba, Fidel Castro, durante a sua visita a esse país, em 1971.
Está relacionado com o desaparecimento dos funcionários cubanos, assassinados em Agosto de 1976, na Argentina. Participou em diversas missões criminosas em vários países da América Latina. Treinou um bando de terroristas que enviou à DINA chilena, durante o governo fascista de Augusto Pinochet.
Posada e Orlando Bosh foram ainda autores, a 6 de Outubro de 1976, da sabotagem dum avião civil cubano, em Barbados, onde morreram 73 pessoas.
Posada Carriles esteve também ligado ao assassinato do ex-chanceler do Chile, Orlando Letelier.
Em 1985, a CIA prepara um operacional para a fuga de uma prisão venezuelana. El Salvador, tornou-se desde então, no santuário preferido deste perigoso terrorista internacional.
Em 1997, são recrutados Por Posada Carriles cidadãos guatemalecos que colocaram bombas em hotéis e restaurantes cubanos.
Em Novembro de 2000, durante a celebração da Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado no Panamá, Posadas foi detido, junto de outros conotados criminosos de origem cubana, por planear um atentado contra Fidel Castro, no decorrer de uma cerimónia que seria realizada com estudantes universitários.
«Estamos contra todas as formas de terrorismo, nomeadamente de Estado», disse Ana Fonseca, reafirmando: «Somos pela paz e contra a guerra e por isso manifestamos a nossa solidariedade com Cuba e contra o bloqueio imperialista».

«Hasta la Vitória Siempre»

A terminar falou o Embaixador de Cuba, em Portugal. Numa intervenção bastante emotiva, o cubano fez um historial dos actos terroristas perpetrados contra aquela pequena ilha bem junto dos EUA, nomeadamente a explosão do vapor «La Coubre» e o atentado de «Barbados», contra um avião da linha área cubana.
«Várias gerações, durante mais de 45 anos, deram tudo de si para levar em frente o projecto social que decidimos, por vontade própria. Isto apesar da constante ameaça do terror», afirmou Jorge Castro, lamentando que «os que nascem agora em Cuba também correm o risco de se tornarem vítimas das acções terroristas que a ingerência das acções norte-americanas continua a perpetuar para minar a revolução».
Denunciou ainda que a actual luta dos EUA contra o terrorismo «é uma farsa». «Sabemos que um mundo melhor é possível e por ele lutamos. Sabemos que a verdade e a justiça vencerão. Somos filhos de Marti, seguidores de Bolivar e educados por Fidel. Posso assegurar-vos que, com bloqueio ou sem bloqueio, com pressão ou sem pressão, com sanções ridículas ou sem elas, com ameaças ou sem ameaças, o nosso destino está decidido e não é mais que este: Hasta la Vitória Siempre», concluiu o Embaixador de Cuba, em Portugal.
Nesta ocasião de solidariedade com o povo cubano, onde estiveram os dois filhos de Adriana Corcho, saudados pelos presentes com uma enorme salva de palmas, para além das intervenções, apresentadas por Cândido Mota, ocorreram ainda momentos de música, dança, teatro e poesia, com Luísa Bastos, Luís Represas, Morais e Castro, Joaquim Pessoa, Grupo de Teatro «Extremo, Isabel Leitão e Fernando Jorge, Academia de Ballet de Leiria e «Os Cubanitos». Esta iniciativa contou ainda com a animação do grupo «Eduisa».
3478 mortos e 2099 incapacitados

A velha e conhecida política de hostilidade pelos Estados Unidos contra Cuba continua. Nada mudou ao longo das dez administrações norte-americanas que durante 47 anos estiveram no poder. Quase meio século nos separa das primeiras acções hostis. Assistimos a acções políticas, militares, económicas, biológicas, diplomática, psicológicas, propagandísticas, de espionagem, de sabotagem para minar Cuba.
Para a história ficam os actos de terrorismo, a organização e apoio a bandos armados e a grupos mercenários clandestinos, a estímulos à deserção e à emigração e a tentativas de assassinato de líderes cubanos.
As vítimas de todas essas acções totalizam 3478 mortos e 2099 incapacitados. Nos últimos anos, têm-se intensificado as actividades subversivas contra Cuba, perante a crença que esta ilha cairia, como peça de dominó, com o derrube do Socialismo na Europa e a desintegração da União Soviética,
Documentos secretos norte-americanos, entretanto classificados, confirmam que, em Fevereiro de 1960, se orientava a criação de uma organização cubana no exílio para dar cobertura às acções da CIA, criar estruturas propagandísticas, desenvolver a força paramilitar e fomentar a dissidência interna. Nisto se investiram, apenas entre 1960 e 1961, quase 50 milhões de dólares.



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