«Sócrates escuta, Barcelos está em luta»
Protestos em todo o País
Utentes da saúde em luta
Um pouco por todo o País, muitos milhares de pessoas manifestaram-se, domingo, Dia da Mãe, contra os anunciados encerramentos de maternidades.
Cerca de dez mil pessoas deslocaram-se de Barcelos a Lisboa para se manifestarem à porta do primeiro-ministro contra o encerramento da maternidade da cidade, uma decisão que consideram «errada», «injusta» e «discriminatória».
Transportados em mais de uma centena autocarros, os barcelenses, na sua maioria mulheres, mas também muitos homens e algumas crianças, prometeram não desistir da sua luta.
Uma delegação de 11 manifestantes foi, entretanto, recebida por um assessor do primeiro-ministro a quem entregaram as conclusões de uma conferência realizada em Barcelos, nas quais se considera que «o serviço de maternidade do Hospital Santa Maria Maior tem as condições adequadas para atender as parturientes».
Numa manifestação ordeira e organizada, onde as pessoas vestiam t-shirts com a fotografia de um recém-nascido e a frase «o direito de nascer em Barcelos», gritava-se «Sócrates escuta, Barcelos está em luta».
Esta manifestação contou, entre outros, com a participação do líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares.
Por seu lado, o movimento cívico «Nascer na Figueira» realizou uma marcha branca contra a decisão governamental de encerrar o bloco de partos do Hospital Distrital da Figueira da Foz.
Esta iniciativa, que contou com a participação de 2500 pessoas, consistiu numa caminhada entre a Torre do Relógio e a Câmara da Figueira da Foz.
Esta foi a primeira iniciativa deste movimento de cidadãos, criado para lutar pela manutenção do bloco de partos naquele hospital, revelou, Silvina Queirós, à Lusa.
De acordo com a mesma responsável, um abaixo-assinado contra o encerramento da unidade, posto a circular por iniciativa do PCP, foi assinado já por três mil pessoas, estando ainda muitas adesões por contabilizar.
«Esta cidade tem maternidade há larguíssimos anos, com um corpo de especialistas acreditado», salientou Silvina Queirós, adiantando que «as razões invocadas para o encerramento não convencem».
Em Lamego, um grupo de mulheres promoveu, junto do monumento ao soldado desconhecido, com direcção ao hospital distrital, uma concentração contra o fecho da maternidade.
O Movimento Cívico Pró-Maternidade de Elvas, distribuiu poemas nas ruas da cidade de Portalegre, alertando a população para a necessidade da continuidade da unidade de obstétrica naquela cidade.
Em Santo Tirso e Mirandela a população também reivindicou ao Governo a manutenção das maternidades naquelas cidades.

Defender o Hospital de Chaves

A Comissão de Defesa do Hospital de Chaves está contra a integração desta unidade no Centro Hospitalar Vila Real/Peso da Régua, alegando a perda de serviços médicos e dificuldades no acesso das populações a cuidados de saúde.
«Uma simples concentração de serviços e funções hospitalares na nossa região, por mais lógica que seja numa perspectiva economicista, apenas conduzirá a um esvaziamento do Hospital Distrital de Chaves e a um difícil acesso das populações a cuidados de saúde», denunciou, na passada semana, o porta-voz da comissão, o médico e dirigente do PCP, Manuel Cunha.
Dias antes, a Assembleia Municipal de Chaves aprovou a criação de uma comissão para defender o Hospital de Chaves, o qual, por vontade do Governo, deverá ser integrado no Centro Hospitalar de Vila Real/Régua.
Segundo Manuel Cunha, em declarações à comunicação social, a comissão propõe-se a dinamizar e coordenar todo um movimento que defenda a manutenção da autonomia desta unidade hospitalar, necessariamente articulada com todas as outras unidades do Serviço Nacional de Saúde.
E reivindica que todo o processo de articulação e hierarquização dos cuidados de saúde hospitalar na região seja discutido com a direcção e os profissionais de saúde do Hospital Distrital de Chaves, bem como com os responsáveis políticos do Alto Tâmega e com suas populações.
Propôs ainda que nos próximos 12 meses se abra um processo de discussão e de planificação dos cuidados de saúde na região, prévio a qualquer decisão administrativa de integração.
A comissão desafiou ainda o Ministério da Saúde e os responsáveis e profissionais de saúde do Hospital Distrital de Chaves a melhorarem a qualidade e a eficiência dos cuidados hospitalares numa perspectiva de avanço nos cuidados de saúde na região.
«Disto será um bom exemplo a determinação com que é necessário encarar o desafio da viabilização da maternidade e dos cuidados de saúde materno-infantis na região do Alto Tâmega», salientou Manuel Cunha.

Zona Oeste
Combater a «ofensiva» do Governo

Os comunistas da zona Oeste vão iniciar uma recolha de assinaturas nos cinco concelhos servidos pelo Hospital de Torres Vedras contra o encerramento da maternidade.
«Pretendemos recolher milhares de assinaturas porque achamos fundamental uma resposta das populações face à ofensiva do Governo (que pode vir a encerrar o bloco de partos) com consequências negativas para estes concelhos», afirmou Miguel Soares, da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP, em declarações à comunicação social.
«Sem a luta das populações não é possível combater esta ofensiva do Governo que quer não só encerrar a maternidade de Torres Vedras como os serviços de atendimento permanente, no período nocturno, do Cadaval e Lourinhã», especificou o dirigente.

Santa Maria da Feira
À espera da saúde

Em Santa Maria da Feira, os utentes que recorram ao médico de família sem consulta marcada, têm de estar à porta dos centros às cinco da manhã, ou mais cedo, ao sol ou à chuva, à espera de uma vaga. Isto porque as vagas são limitadas e as consultas por marcação só se conseguem para cerca de dois meses depois, diz a Comissão Concelhia de Santa Maria da Feira do PCP.
Por outro lado, os Serviços de Atendimento Permanentes (SAP) não têm capacidade para dar resposta a todas as situações, como, por exemplo, no caso das baixas médicas. Neste momento, se um doente recorre ao seu médico de família sem consulta marcada e este lhe passa uma baixa – que por lei tem uma duração máxima de doze dias – não lhe é logo marcada consulta para o dia em que a baixa termina. Assim, passado esse período, terá de recorrer de novo às vagas (incertas), e a horas de espera ao relento, para que o seu médico de família lhe renove a baixa ou lhe dê alta. São situações que o PCP pensa que poderiam ser resolvidas se os médicos de família – que só dão consultas no período da manhã – prolongassem o atendimento para a parte da tarde.
Para o PCP é óbvio que a responsabilidade por esta situação não é dos médicos, pelo contrário, também eles, que «trabalham em condições de terceiro mundo», a sentem na pele. A responsabilidade é da política de desmembramento dos serviços públicos de saúde dos governos PS, PSD e CDS-PP, cujo intuito é «privatizar este sector, fundamental para a qualidade de vida dos portugueses».


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