Maus tratos a idosos

Paula Guimarães, representante da Rede Internacional de Prevenção da Violência contra as Pessoas Idosas denuncia, em entrevista ao jornal «Público», a existência continuada de maus tratos a idosos, em Portugal. «É rara a semana em que não há a denúncia de uma situação de maus tratos», diz. Os maus tratos, geralmente fruto do «stress do cuidador», verificam-se na família, dentro das instituições e «a diferentes níveis», incluindo alguma violência física, e vão da «violação ao aparecimento de escaras por ausência de tratamento». Não raras vezes, registam-se também por «ignorância» e «ausência de informação» às famílias sobre como tratar os idosos.
Para esta jurista, tem havido, nos últimos trinta anos, uma total ausência de políticas sobre envelhecimento, com a saúde a trabalhar «de costas voltadas para a segurança social...». Assim, «exigir às famílias, neste contexto, que prestem cuidados é também uma violência sobre as famílias».
«Violência tremenda» é também, para Paula Guimarães, condicionar a prestação do Complemento Solidário para Idosos à declaração de rendimentos dos filhos. Exigir alimentos aos filhos, diz, é cortar «o último resquício de uma relação afectiva», sendo Direito português muito claro quando diz «que o exercício da acção de reivindicação de alimentos tem que ser o exercício de uma vontade livre».


Novo romance de Filipe Leandro Martins

«A Face de Lado» (histórias políticas) é o novo título da obra já vasta de Filipe Leandro Martins, cujo lançamento ocorreu na passada quinta-feira nas instalações da Associação 25 de Abril. Publicado pela editorial Caminho, o romance de Filipe Leandro Martins, Chefe de Redacção do Avante, foi apresentado por José Casanova, director do nosso Jornal.
Na sessão estiveram presentes numerosos amigos e camaradas do autor, entre eles vários membros da direcção do PCP.
«A Face de Lado» é, segundo o apresentador da obra, «uma excelente história superiormente contada», «o romance de um tempo vivido por muitos dos que aqui estamos» e do qual «muitos de nós hão-de sentir-se personagens - enquanto protagonistas de um percurso iniciado na última década da resistência antifascista, prosseguido nos tempos exaltantes da revolução de Abril e continuado, nos dias de hoje - com aquela esperança que nasce da força das convicções e dos ideais - na resistência à contra-revolução».


Portugal envia militares para o Congo

O ministro da Defesa reafirmou, segunda-feira, após uma reunião dos ministros da Defesa dos «25» a disponibilidade de Portugal aumentar a sua contribuição para a missão militar da União Europeia na República Democrática do Congo, a propósito da realização de eleições presidenciais e legislativas naquele país africano em 30 de Julho. Portugal participará na missão com um destacamento de 25 homens, um avião Hércules C-130 e um oficial. Ao todo, a missão contará com mais de 20 mil homens, da ONU e da UE. Segundo o ministro, esta é uma missão de «enorme importância» para a União Europeia. Esta é a segunda missão militar da União Europeia, após a substituição da NATO na Bósnia-Herzegovina. O ministro considerou ainda que Portugal está «extremamente envolvido no processo de consolidação de uma política europeia de segurança e defesa», nome vulgarmente dado ao processo de militarização da União.


Campo Pequeno inaugurado

Depois de sete anos encerrado por falta de segurança, o Campo Pequeno foi formalmente inaugurado na terça-feira passada e reaberto ao público na quarta-feira.
Depois de sofrer obras de recuperação no valor de 60 milhões de euros, o Campo Pequeno surge agora como mais um empreendimento comercial, com duas componentes fundamentais: o edifício antigo recuperado e uma área nova, no anel circundante, que integra um parque de estacionamento para mais de 1200 carros.
Para além de uma grande sala de espectáculos renovada, o empreendimento oferece uma galeria comercial com sete mil metros quadrados de área bruta locável, que será ocupada por 60 lojas e oito cinemas.


Violência no Brasil

A transferência de centenas de presos para um estabelecimento prisional de alta segurança gerou, no Estado de São Paulo, Brasil, uma onda de violência que, na segunda-feira, tinha feito já 81 mortos e 49 feridos. Os ataques, que inicialmente visavam bases policiais, atingem agora alvos civis, ocorrendo à luz do dia e lançando o medo e a insegurança entre a população.
As forças de segurança do Estado de São Paulo atribuíram esta acção coordenada à principal organização criminosa da região, o Primeiro Comando da Capital (PCC), como represália pela transferência de presos, que visava precisamente prevenir um plano de fuga das prisões organizado por aquele Comando e previsto para domingo, 14 de Maio.
Entre sexta-feira e o início de sábado, o PCC perpetrou 55 ataques contra esquadras de polícia, bases da polícia militar, um quartel de bombeiros, vários veículos da polícia e agentes de patrulha. Paralelamente, registaram-se motins em 22 prisões do Estado, com os presos a fazerem mais de uma centena de reféns.
Entretanto, os 50 portugueses detidos nas prisões do Estado de São Paulo encontram-se «bem de saúde», informou a cônsul geral adjunta de Portugal em São Paulo, Sofia Batalha, à Agência Lusa.


Resumo da Semana