Nos 100 anos do seu nascimento
PCP homenageia<br> Fernando Lopes-Graça
Uma exposição e um momento cultural, a realizar no próximo dia 25, marcam o início das comemorações do centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, «artista genial, maestro de Abril, militante comunista».
Jerónimo de Sousa participa na próxima quinta-feira, 25, pelas 18.30 horas, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, numa iniciativa de homenagem a Fernando Lopes-Graça, no ano em que se assinala o centenário do seu nascimento. Para além da intervenção do secretário-geral, a homenagem consta ainda de um momento cultural, a cargo do pianista Fausto Neves.
O pianista interpretará algumas obras do compositor homenageado, nomeadamente duas das suas glosas sobre canções tradicionais portuguesas, a Sonata n.º 1, Cinco Nocturnos, bem como três homenagens feitas por Lopes-Graça: À memória de Michel Giacometti, Memória festiva (nos 80 anos do grande camarada e amigo Álvaro Cunhal) , e Morto, José Gomes Ferreira, vais ao nosso lado. Esta é a primeira de um conjunto de iniciativas comemorativas do centenário do compositor português, falecido em meados dos anos noventa.
Fausto Neves é oriundo de uma família com tradições musicais, tendo estudado na Academia de Música de Espinho, no Conservatório de Música do Porto e, depois, no Canadá e na Suíça. Estudou com pianistas de renome internacional. Estreou-se aos catorze como solista da Orquestra Sinfónica do Porto. É também professor universitário na Universidade de Aveiro, mas a sua experiência docente é vasta, tendo passado por várias universidades, em Portugal e na Suíça.

Artista, maestro, militante

A exposição que o PCP preparou para a homenagem a Fernando Lopes-Graça – e que estará patente um pouco por todo o País – tem como título «Artista genial, maestro de Abril, militante comunista». Nela faz-se um breve resumo da rica vida de Fernando Lopes-Graça nas suas múltiplas vertentes de músico, de escritor, de humanista, de militante comunista.
Nascido em Tomar, a 17 de Dezembro de 1906, Lopes-Graça iniciou os seus estudos musicais aos 11 anos. Aos 17 ruma a Lisboa para frequentar o Conservatório. O golpe de 28 de Março de 1926 encontra-o em Lisboa e desde a primeira hora assume a sua oposição ao regime fascista.
A obra musical de Lopes-Graça, lê-se nos painéis da exposição, «estende-se pelos mais diversos campos da composição, da peça para piano, passando pela música coral, as mais diversas formações instrumentais até à grande orquestra sinfónica». Das suas obras sinfónicas, destacam-se Viagens na minha terra, Requiem pelas vítimas do fascismo em Portugal e Em louvor da paz. Em 1944, Lopes-Graça expressou: «A experiência que a vida me ensinou em anos de luta e sofrimento não me convenceu da inutilidade do sonhar generoso da mocidade, nem me pôs na boca aquele travo amargo da desilusão e do cepticismo, fonte de todas as renúncias e de todas as contemporizações.»
Para além da sua vasta e rica obra musical, Lopes-Graça foi também autor de uma obra literária de dimensão considerável. A música é o tema principal, mas nela está também presente a sua actividade cívica e política. Actividade essa que o levou à prisão por duas vezes, em 1931 e em 1935. Em 1940 entra para o Movimento de Unidade Democrática, do qual foi dirigente. Foi membro do PCP desde 1948 até à sua morte, numa militância rica e dedicada. No seu funeral, Álvaro Cunhal afirmou: «Lopes-Graça, o artista, o compositor, tinha convicções estéticas próprias e defendia e praticava com coerência e coragem a liberdade de criação artística que por natureza é liberdade, é audácia, é insatisfação, é mesmo por vezes inconformismo, irreverência e rebeldia».


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