«Dar voz à luta dos reformados»

Sob o lema «Envelhecer com direitos», «Dar voz à luta dos reformados» e «O MURPI quer ser parceiro social», realizou-se, sábado, no Cine-Teatro São João de Palmela, o 5.º Congresso da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos.
A alteração das regras de atribuição do complemento solidário foi uma das reivindicações expostas. «O complemento solidário só garante uma reforma de 300 euros aos reformados com mais de 80 anos quando o mínimo necessário, de acordo com limiar de pobreza definido pelo Eurostat, deveria ser de 350 euros», disse, dias antes, em declarações à comunicação social, a presidente do MURPI, Maria Vilar, que também criticou o excesso de burocracia nas candidaturas.
«Para beneficiarem deste complemento solidário, os idosos têm de permitir a devassa das suas contas bancárias e são obrigados a assinar um documento que poderá penalizar os filhos, pelo que muitos abdicam de formalizar a candidatura», acrescentou Maria Vilar.
Para corrigir a actual situação, a presidente do MURPI defende uma «menor exigência de documentos» e um processo de candidatura ao complemento solidário que seja idêntico ao da atribuição do Rendimento de Inserção Social.
No congresso, a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, que integra cerca de 200 associações em representação de dois milhões de idosos, alertou-se ainda para a degradação das condições de vida de uma grande parte dos portugueses.


Contra fecho da escola D. João Castro

A Associação de País da Escola Secundária D. João de Castro, em Lisboa, e as juntas de freguesia de Alcântara e Ajuda entregaram, sexta-feira, em tribunal, uma providência cautelar contra o encerramento daquele estabelecimento de ensino.
A providência cautelar, que foi entregue no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa, «é o único meio para evitar o encerramento da escola», disse, à Lusa, Carlos Filipe, da Associação de Pais.


Viajem ao Sul do Chile

O velejador Genuíno Madruga, primeiro açoriano a dar a volta ao mundo em solitário, anunciou, na passada semana, que pretende iniciar uma segunda viagem de circum-navegação em Outubro, que inclui a passagem pelo mítico cabo Horn, Sul do Chile.
Com 56 anos, o pescador natural da ilha do Pico mas há muitos anos a residir no Faial, prevê partir com o veleiro «Hemingway» - com 11 metros de comprimento - do porto das Lajes em Outubro, onde deverá chegar em Maio de 2009.
A nova viagem marítima vai dobrar, desta vez, o mítico Cabo Horn (no extremo Sul do continente americano), por onde passou também o famoso velejador Marcel Bardiaux, um dos nomes que inspirou Genuíno Madruga para esta aventura.


«Minhas Senhoras e Meus Senhores...»

No âmbito de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Beja e a Cooperativa Cultural Alentejana – acordo que tem como objectivo o levantamento de testemunhos de memória oral que integrarão o acervo do Arquivo de História Oral – foi lançado, no dia 18 de Maio, o audiolivro «Minhas Senhoras e Meus Senhores...».
O audiolivro relata, na primeira pessoa, o testemunho das formas de vida nos campos de Beja durante o salazarismo e é, simultâneo, uma forma de reconhecimento para tantos personagens anónimos que construíram uma história em que os valores da honra, da solidariedade e da dignidade estiveram sempre presentes.
«Minhas Senhoras e Meus Senhores» é um trabalho onde perpassa a dor, a dificuldade de viver a vida, a violência gratuita e a fome sentida por milhares de homens e mulheres alentejanos nos tempos do salazarismo.
Nesta recolha de depoimentos, Antónia Leandro, natural da freguesia de Baleizão, recorda,por exemplo, os versos de uma moda entoada pelos trabalhadores agrícolas contra o regime da altura.


Morreu Vítor Palla

Faleceu, recentemente, o arquitecto Vítor Palla, uma das personalidades mais multifacetadas, talentosas e também mais insuficientemente valorizadas da arquitectura, da arte e da cultura do século XX português.
Comunista de longa data, manteve contacto com o PCP desde o início da década de 1940. Foi um dos organizadores das Exposições Gerais de Artes Plásticas que, nas décadas de 40 e 50, desempenharam um tão importante papel na resistência cultural ao fascismo.
Como arquitecto, trabalhando em muitos projectos em parceria com Bento de Almeida, realizou uma obra de notável afirmação criativa das concepções do Movimento Moderno, em edifícios de habitação individual e colectiva, em escolas, em instalações industriais. Inovou a imagem de espaços comerciais urbanos, nomeadamente restaurantes e cafés, alguns dos quais se tornaram emblemáticos da Lisboa dos anos 50 e 60.
Recuperou a revista «Arquitectura», de que foi director a partir de 1952 e onde publicou importantes textos teóricos e de crítica. Foi um notável desenhador e pintor. Foi um inovador nas artes gráficas. Editou algumas das obras mais marcantes da literatura do nosso século, portuguesas e estrangeiras, em vários casos sendo ele próprio quem traduzia e desenhava as capas. Foi um excepcional e pioneiro fotógrafo.


Resumo da Semana