O Governo vê a educação como uma despesa
PCP alerta
para efeitos das políticas de Sócrates
Mais precariedade e desemprego
Depois de uma redução dos serviços públicos, vêm aí despedimentos e mais precariedade. Este é o resultado do regime de mobilidade que o Governo quer incrementar como meta final do processo iniciado com o PRACE, adverte o PCP.
«Depois de ter reduzido de forma significativa os serviços públicos, o Governo quer agora proceder ao golpe final e reduzir ao mínimo os recursos humanos, ou no dizer da direita e dos grandes grupos financeiros, emagrecer a administração pública», denunciou a deputada comunista Luísa Mesquita, convicta de que o objectivo visado pelo Executivo de Sócrates «não é a eficiência e eficácia dos serviços públicos» mas sim a sua entrega ulterior ao sector privado.
Falando numa das sessões plenárias da semana transacta, em declaração política proferida em nome da sua bancada, a deputada comunista considerou ser este apenas um dos muitos exemplos que atestam o modo como o Governo «ignora a dramática realidade social» vivida por milhares e milhares de portugueses.
«Para o Governo são só números, só números sem nome, em nome das políticas socialistas que se dizem modernas e que a história da humanidade reconhece como velhas, conservadoras, bafientas e atentatórias da dignidade humana», afirmou Luísa Mesquita, para quem os ataques à educação, à escola pública e aos educadores e professores fazem parte integrante deste mesmo processo de esvaziamento do papel do Estado.

Poupar a todo o custo

Numa crítica cerrada à política governamental na área da educação, nomeadamente à decisão de encerrar 1.500 escolas do primeiro ciclo do ensino básico, a parlamentar do PCP acusou o Governo de não ter a motivá-lo qualquer objectivo norteado pela resolução das «baixas taxas de qualificação do País» ou pelo «encontrar de soluções para o abandono e insucesso escolar». Nem pela elaboração de programas ou definição de áreas curriculares que «definitivamente optem pela aquisição diversificada de competências», do mesmo modo que não se pode dizer que é o combate à desigualdade de oportunidades ou a garantia de um adequado número de professores e alunos por cada espaço escolar que está a tirar o sono ao Governo.
O que verdadeiramente motiva o Executivo, isso sim, segundo a deputada comunista, é «poupar recursos». O que o leva a encarar a «educação não como um investimento mas sim como uma despesa», acusou Luísa Mesquita, antes de lamentar o clima de «suspeição generalizada» que existe sobre os educadores e os professores.
Clima que, para a deputada comunista, tem como objectivos «humilhar profissionalmente» os docentes e «desqualificar a escola pública».


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