O Partido tem que viver e respirar no interior dos locais de trabalho
Assembleias de Organização
AOR Évora
Um Partido vivo e actuante
Por todo o País, as organizações do PCP realizam as suas assembleias. De células de empresa a organizações regionais, os comunistas discutem os problemas dos trabalhadores e das populações e traçam medidas para o reforço da sua organização e intervenção. Até ao momento, realizaram-se mais de 170 assembleias. Estão marcadas mais 259 até ao fim do ano.
No distrito de Évora, os comunistas estão a levar à prática as decisões do XVII Congresso, bem como as orientações traçadas pelo Comité Central. Disso, e de muito mais, foi dada nota na 6.ª Assembleia da Organização Regional de Évora, realizada no passado sábado.
A abrir, Elsa Paixão, do Comité Central e da direcção regional de Évora (DOREV), informou a assembleia do estado actual da organização: 3 616 militantes contabilizados na campanha de contactos, que, lembrou, apenas está concluída no concelho de Montemor-o-Novo, havendo ainda no distrito 1 500 contactos por fazer.
Desde a 5.ª assembleia, realizada em 2001, entraram para o Partido 505 novos militantes. Destes, 97 fizeram-no nos últimos cinco meses, «sendo este um número de recrutamentos superior a qualquer outro dos anos anteriores», lembrou a dirigente comunista.
João Pauzinho, membro do Comité Central e responsável pela DOREV, destacou a importância de reforçar a organização do Partido nas empresas e locais de trabalho. «Não podemos ficar satisfeitos apenas pela simples distribuição de documentos à porta das empresas. O Partido tem que estar dentro dessas mesmas empresas, este Partido tem que viver e respirar nos locais de trabalho, é aí que o conflito de classes se dá», destacou.

Avanços em empresas prioritárias

Alguns passos estão já a ser dados para reforçar a organização e intervenção nas empresas e isso ficou claro na assembleia do passado sábado. Alexandre Rodrigues lembrou que foi já destacado um funcionário do Partido exclusivamente para esta frente e recordou as prioridades do trabalho: assegurar o funcionamento regular das células dos trabalhadores de todas as câmaras municipais; criar o organismo do sector dos Mármores; entrar nos parques industriais de Évora e Vendas Novas; reforçar a intervenção nas empresas prioritárias e na Administração Pública, cujo peso é enorme no distrito.
A Tyco, empresa do sector eléctrico com cerca de 1 700 trabalhadores, é uma das empresas prioritárias definidas pela direcção regional de Évora. Dado o elevado peso de jovens trabalhadores, coube à JCP a entrada naquela empresa. Segundo Maria João Antunes, apesar da repressão que se vive na Tyco, há reais possibilidades de criar um colectivo da JCP.
Nas várias acções feitas junto à empresa, foram feitos dois recrutamentos e mantêm-se conversas regulares com outros jovens trabalhadores. Maria João destaca a importância das vendas do Avante! à porta da empresa, que permitem conversar com os trabalhadores sobre os seus problemas.
Junto à Tyco, a Kemet, do mesmo sector, emprega 650 trabalhadores. Destes, cem estão a prazo e muitos são contratados através de empresas de trabalho temporário. Na tribuna da assembleia, uma delegada denunciou os atropelos aos direitos dos trabalhadores que se vive naquela empresa.
As actualizações salariais foram feitas em Outubro sem que os trabalhadores recebessem quaisquer retroactivos. Foram negociados novos contratos, baseados no Código do Trabalho, que retiravam direitos aos operários. Ao contrário da maioria dos seus colegas, a comunista não assinou esse contrato e não recebeu, por isso, qualquer aumento salarial. Na Kemet como na Tyco, os plenários sindicais são proibidos pelas administrações.

A necessária afirmação do Partido

Vasco Lino, da DOREV, destacou a crise que atravessa o sector dos Mármores, cujas empresas se situam nos concelhos de Estremoz, Vila Viçosa e Moura. A redução das exportações levou ao desaparecimento de mais de mil postos de trabalho. Para o dirigente regional do PCP, é necessário que os comunistas se organizem e que se afirmem como comunistas no interior das empresas.
Jorge Lopes, membro da célula do PCP na Câmara Municipal de Évora, afirmou a necessidade de combater a «autarquização» do trabalho do Partido através da acção própria das células. No concelho de Évora, contou, o boletim da célula vai já no seu sexto número e os trabalhadores da autarquia procuram os membros da célula para «desabafar» os seus problemas. Jorge Lopes deixou um desejo: que na 7.ª assembleia regional já todos os concelhos tenham uma célula de trabalhadores comunistas das câmaras municipais a funcionar.
Emília Fernandes, da Comissão Concelhia de Évora, destacou a existência no concelho de três grandes empregadores públicos: a Câmara Municipal, com 900 trabalhadores, e o hospital e a universidade, com 1000 trabalhadores cada. Em sua opinião, durante anos a iniciativa não institucional do Partido foi bloqueada pela centralidade da acção na Câmara Municipal, tendo-se recuado na ligação aos militantes. Mais recentemente, tomaram-se medidas para inverter a situação. Emília Fernandes considerou fundamental colocar no centro das atenções das organizações os problemas dos trabalhadores e das populações.

Jerónimo de Sousa em Évora
Mais força para quebrar
ciclo do rotativismo


Falando no final da 6.ª Assembleia da Organização Regional de Évora do PCP, Jerónimo de Sousa destacou a necessidade de um Partido com mais força e mais influência para romper com o «ciclo vicioso do rotativismo centrista e do pensamento único». Para o secretário-geral comunista, o «rotativismo da alternância sem alternativa, que o PS e o PSD protagonizam», está a conduzir o País para o marasmo e para a estagnação. Este rotativismo, acrescentou, é, no plano político, a causa da agudização dos principais problemas do País.
Considerando cada vez mais evidente a coincidência de objectivos e de políticas entre os dois partidos que têm assumido a governação do País, Jerónimo de Sousa afirmou que «mais de um ano decorrido com o Governo PS/Sócrates, tornou-se difícil distinguir as diferenças entre a prática governativa dos governos do PSD/CDS-PP e do actual Governo do PS».
O PS e o seu Governo estão a recrudescer a ofensiva em várias frentes, acusou o secretário-geral do PCP. «Depois de um ano de graves medidas contra o emprego, as condições de vida e os direitos dos trabalhadores e do povo e os serviços públicos essenciais», é a vez das propostas relativas à Segurança Social, que «visam o aumento da idade da reforma» e a diminuição dos valores das pensões.
Estas propostas foram apresentadas na Assembleia da República pelo primeiro-ministro como estando inseridas na perspectiva de um Estado social contra o Estado neoliberal, lembrou Jerónimo de Sousa. E questionou: «De que Estado social fala o primeiro-ministro quando quer impor o aumento da idade da reforma de acordo com a esperança de vida?» O dirigente comunista rejeita que se trate da defesa do Estado social quando o Governo se recusa a aumentar as receitas da Segurança Social através da responsabilização das empresas e quando é tão lento a recuperar a dívida destas, avaliada em três mil e quatrocentos milhões de euros.
Para Jerónimo de Sousa, esta evolução da situação política «exige uma luta e uma resposta mais forte e naturalmente um Partido mais forte». Um Partido mais forte, prosseguiu, para «dar mais força à luta dos trabalhadores e do nosso povo contra a política de direita» e para «afirmar a luta por uma alternativa de esquerda e o nosso projecto alternativo».


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