A luta vai continuar, «de forma coordenada e convergente»
Dia nacional de luta reafirma
Prosseguir e alargar
Nas duas dezenas de iniciativas do dia nacional de luta, promovido pela CGTP-IN, a 8 de Junho, milhares de pessoas afirmaram nas ruas aquilo que provam dia-a-dia nas empresas e serviços: estão dispostas a prosseguir e alargar a luta por uma nova política.
A CGTP-IN estimou em cerca de dez mil os trabalhadores dos distritos de Lisboa e Setúbal, que, na tarde da passada quinta-feira, iniciaram em Entrecampos um desfile que ligou o edifício da Segurança Social ao Ministério do Trabalho, na Praça de Londres.
Outras acções tiveram lugar no Porto, em Viana do Castelo, Braga, Bragança, Vila Real, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre, Elvas, Évora, Beja, Faro, Funchal, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta.
Na moção que foi aprovada pelos participantes neste dia nacional de luta, nas várias iniciativas, lê-se que «as trabalhadores e os trabalhadores, ao mesmo tempo que se solidarizam e apoiam as lutas, em curso e em perspectiva, do sector privado e da Administração Pública, assumem ainda o compromisso de, a não haver uma inversão das actuais políticas e a manter-se a ofensiva contra os seus direitos, prosseguir e intensificar a luta nas empresas, sectores, regiões e a nível nacional, de forma coordenada e convergente, no sentido de dar mais força e eficácia às suas reivindicações laborais e sociais».
O ênfase foi colocado pela CGTP-IN na defesa da Segurança Social, face à proposta de «reforma» que o Governo apresentou. Mas os objectivos da jornada de dia 8 foram mais amplos. A moção sintetiza-os em seis pontos:
- Reclamar uma nova política, que dinamize o crescimento, que impulsione o sector produtivo e oriente o investimento para necessidades estruturais, que sirvam a população, promovam o emprego com direitos e serviços públicos de qualidade; uma política que implemente a coesão social, combatendo as desigualdades e injustiças, e afirme a solidariedade como imperativo nacional;
- Rejeitar as propostas do Governo, que visam penalizar os trabalhadores pelo aumento da esperança de vida, importante factor de progresso social, e apoiar as propostas da CGTP-IN, que garantem a defesa e a melhoria da Segurança Social, declarando que a sustentabilidade do sistema não pode ser feita à custa dos direitos sociais;
- Intensificar a luta pelo direito à contratação colectiva, com vista a garantir condições de trabalho dignas e a melhoria do poder de compra dos salários, e exigir a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho;
- Reclamar a valorização do salário mínimo nacional, de modo a que este atinja 500 euros em Janeiro de 2010;
- Exigir medidas concretas de combate ao desemprego e à precariedade, assim como ao trabalho não declarado e ilegal, e uma acção fiscalizadora eficaz, que ponha termo aos abusos e ilegalidades em muitas empresas;
- Pugnar por uma Administração Pública ao serviço dos cidadãos e do País, que respeite os direitos no trabalho e dignifique e valorize os seus trabalhadores.
Intervindo na Praça de Londres, no final do desfile, o secretário-geral da CGTP-IN realçou que as manifestações de dia 8 constituem «um contributo dos trabalhadores para o futuro». Carvalho da Silva apontou as grandes fortunas e os lucros das maiores empresas, para sublinhar que «esta política não é má para todos». Comentando as propostas apresentadas nos últimos tempos pelo Governo e pelos representantes patronais, chamou a atenção para um traço comum a todas elas: «Em nenhuma área propõem algo que traga um acrescento para as condições de vida dos trabalhadores».


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