A grave situação do distrito mereceu a realização de uma assembleia extraordinária
V Assembleia Regional da Guarda do PCP
Responder ao ataque contra o distrito
A 5.ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP (Extraordinária) analisou aquela que é a «maior e mais prolongada e profunda ofensiva contra o distrito da Guarda, seus trabalhadores e populações».
Realizada apenas um ano depois da quarta assembleia, a 5.ª reunião magna (extraordinária) dos comunistas do distrito da Guarda não elegeu novos organismos de direcção. Nem era essa a intenção. A assembleia foi convocada explicitamente para analisar as «gravíssimas consequências da política de direita do Governo PS, nomeadamente no que à desertificação diz respeito», bem como «traçar as linhas de acção e luta» para travar esta política. Na reunião participaram mais de uma centena de militantes comunistas, bem como cerca de três dezenas de simpatizantes do Partido.
Rejeitando a lógica neoliberal do Governo do PS, os comunistas da Guarda denunciam que esta lógica «está presente na intenção de encerrar serviços de saúde e maternidades», nunca se colocando a hipótese de apetrechar estes equipamentos com as condições técnicas necessárias ou de «vencer o isolamento e a falta de vias de comunicação». Por isso, lê-se na resolução política, «no nosso distrito, a grave decisão de encerrar os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) e maternidades está a causar a mais viva indignação das populações».
Na área do ensino, o Governo pretende encerrar 132 escolas do 1.º ciclo, o que equivaleria a 41,5 por cento do total, a que se acrescentariam umas dezenas de jardins-de-infância. Jose Vaz, de Almeida, destacou que no concelho apenas 8 das 29 freguesias terão escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico. O mesmo militante contou que devido ao aumento do IVA, dois postos fronteiriços de abastecimento de combustível já encerraram, estando um terceiro a atravessar sérias dificuldades.

Reforça-se o isolamento

Na intervenção de abertura, Armando Morais, responsável pela Organização Regional da Guarda, denunciou também o encerramento de estações dos CTT um pouco por todo o distrito «acabando com o serviço de proximidade realizado há centenas de anos». «Sempre com o argumento de melhor servir as populações», o Governo do PS pretende também acabar com os comboios «Intercidades», fechar tribunais, cartórios notariais, serviços do Ministério da Agricultura e residências de estudantes do ensino secundário. «Todos os dias, todas as semanas, chegam notícias de liquidação de serviços públicos e de ameaças de novos encerramentos», lembrou Armando Morais.
A contribuir também para a desertificação do distrito está a liquidação de carreiras de transporte rodoviário, destacou o dirigente comunista. Segundo Armando Morais, «há um mês acabou a carreira “Expresso”, de Almendra para a Guarda, que servia as populações de Figueira, Almeida, e Pinhel. Como também acabou o autocarro de Foz Côa para Viseu, da empresa Satão».

Aumenta o desemprego

Também na indústria, a política de direita tem tido consequências «igualmente desastrosas», acusam os comunistas. Para Armando Morais, o «aparelho produtivo tem sido desprezado e esquecido continuando o encerramento de empresas». Com o anterior governo do PS, com Pina Moura na pasta da Economia, encerraram importantes empresas, como a Gartêxtil, a Vodratex ou a Belinos & Belinos. Depois de, com o governo do PSD/PP, se ter prosseguido e intensificado esta tendência, o actual Governo do PS a situação agravou-se.
O encerramento definitivo da Rohde, em Pinhel, empurrou para o desemprego 20 por cento da população activa desse concelho. Em Manteigas, a Sotave também encerrou, roubando o emprego a quase duas centenas de trabalhadores, denuncia o PCP. Neste caso, a administração «desgastou os trabalhadores com sucessivos atrasos de pagamento de salários». O PS, para ganhar uns votos nas eleições autárquicas, acusa o PCP, «ajudou a criar ilusões de que “estava tudo resolvido” quanto ao futuro da empresa». Poucos meses depois, a laboração parou.
Para Armando Morais, foi acertada, face à gravidade da acção do governo, a marcação da Assembleia (Extraordinária) da ORG. Em sua opinião, o Partido sai dela «com um melhor conhecimento da situação e mais e melhor apetrechados para a luta pelos direitos dos trabalhadores e do povo deste distrito».

font size=+1>Resistir
com organização e luta

«A actividade do Partido tem sido regular e intensa», afirma a resolução política da 5.ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP (Extraordinária). A braços com uma violenta ofensiva contra os trabalhadores do distrito, o Partido «deu resposta a variados problemas dos trabalhadores e da população, nomeadamente a acção desenvolvida em defesa do emprego, na Rohde e na Sotave». As questões da agricultura e da defesa dos serviços públicos também mobilizaram os comunistas da Guarda, afirma a resolução política.
Aplicando as decisões do XVII Congresso e do Comité Central, está já em marcha a estruturação do Partido no distrito, ao nível do organismo das empresas prioritárias (Delphi, Beiralã e ARA, Hospital Sousa Martins e Centro de Saúde da Guarda) e da constituição de organismos distritais de sectores profissionais, bem como novas comissões de freguesia.
A responsabilização de 15 quadros com tarefas de organização «também está a avançar em bom ritmo», destaca a resolução política. Destes, 10 são jovens. Quanto ao recrutamento, entraram para o Partido 27 novos militantes, 45 por cento dos quais com menos de 30 anos, revelou Armando Morais, responsável pela Direcção da Organização Regional da Guarda. Para o PCP, isto confirma a «capacidade de atracção do Partido, fruto do reconhecimento público da sua luta em defesa dos trabalhadores e da região».

Jerónimo de Sousa na Guarda
«Política neoliberal acentua
desenvolvimento desigual»


Encerrando a 5.ª Assembleia (Extraordinária) da Organização Regional da Guarda do PCP, Jerónimo de Sousa considerou «muito justa» a sua conclusão de que «é necessária outra política, no plano regional e no plano nacional». Para o secretário-geral do PCP, «o que fica da acção e intervenção governativa dos sucessivos governos, nestes anos, são largos espaços dos territórios do interior do País cada vez mais isolados e mais pobres».
Jerónimo de Sousa considera que a criação do desenvolvimento desigual é a «dura lei do capitalismo». É precisamente por «sabermos que assim é, que mais se impunha o desenvolvimento de políticas que atenuassem e compensassem esta criação de desigualdades, «congénita ao sistema capitalista», afirmou o dirigente comunista. Mas, lembrou, «não foi isso que aconteceu, nem é isso que está a acontecer».
Muito pelo contrário, a «política de direita exacerbada com a acentuação das concepções neoliberais, acelerou ainda mais esta tendência para o aprofundamento das desigualdades regionais e sociais», denunciou o dirigente do PCP. As políticas orçamentais restritivas, que penalizam sobretudo as regiões do interior, e a canalização dos fundos comunitários em favor dos grandes interesses em detrimento das pequenas e médias empresas e da produção nacional são responsáveis pela situação, afirmou Jerónimo de Sousa.
«Também a ausência de duradouras e efectivas políticas de desenvolvimento regional dirigidas para a revitalização das economias debilitadas do País interior» está na origem do acentuado declínio económico, social e demográfico que o interior do País conhece, destacou o dirigente comunista. Este declínio, prosseguiu, agravou-se com as políticas neoliberais de ataque aos serviços públicos e de privatização de empresas públicas.


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