Editorial

«Na Festa do Avante!, a luta atinge expressão e significado relevantes»

ESTA NOSSA MANEIRA DE VIVER E DE LUTAR

Estamos a menos de dois meses da 30ª edição da Festa do Avante! Vivemos o período exaltante da construção da enorme e bela cidade que, durante três dias, acolherá com amizade milhares e milhares de homens, mulheres, jovens e crianças, vindos de todo o continente e das regiões autónomas e das emigrações espalhadas pelo mundo. Trata-se de uma cidade muito especial, e que tem muito – tem tudo – a ver com o que somos, nós militantes comunistas, com o que é o nosso Partido, com o que é a nossa luta pela «libertação dos trabalhadores portugueses, do povo português de todas as formas de opressão e de exploração». Trata-se de uma cidade onde os visitantes se sentem felizes e convivem num ambiente fraterno e solidário, sem conflitos de gerações ou quaisquer outros – e que, para muitos milhares, é todos os anos o reencontro marcado no ano anterior; e para muitos outros milhares é o primeiro de muitos encontros dos anos futuros. Trata-se de uma cidade onde os visitantes dispõem de uma multiplicidade de ofertas de ocupação de tempo que não existe em qualquer outro lado, e que vai da cultura ao debate político, do teatro aos mais diversificados espectáculos, da gastronomia ao artesanato, do comício político às manifestações de solidariedade internacionalista – e tudo, sempre, num clima de agradável convívio, de festa, de alegria. Trata-se de uma cidade que, por tudo isso, durante os seus três dias de existência, constitui um espaço novo de vida nova com iniludíveis sinais de futuro – um espaço onde estão presentes os sonhos, os anseios, as aspirações de todos os que não desistem do projecto de construção de um mundo novo.

A montante destes três dias de Festa, está todo o processo da sua construção. Não apenas pela razão, óbvia, de que para ela se efectivar tem que ser construída…, mas também porque o ambiente que ali se vive durante aqueles três dias só é o que é, porque a Festa foi construída como foi. Ou seja: todo o processo de construção incorpora e é gerador dos valores que dão à Festa a dimensão humana que a caracteriza. Com efeito, ela é construída de forma singular: com o trabalho voluntário e colectivo que decorre da militância partidária e do estilo dessa militância, criados ao longo dos oitenta e cinco anos de vida e de luta do PCP; num ambiente de amizade e camaradagem e com uma imensa alegria, só possíveis em quem transporta consigo ideais que têm como referência básica a concepção de que todo o ser humano, pelo simples facto de existir, tem direitos que ninguém tem o direito de lhe negar – de tal forma que são muitos os seus construtores a dizer que melhor do que a Festa, só a festa de a construir. E as jornadas de trabalho – particularmente os fins-de-semana e os feriados – são bem o exemplo dessa alegria de construir.
Paralelamente a este processo no terreno, há o trabalho de casa, que é como quem diz: a preparação de todos os materiais que irão abastecer os diversos stands; a organização dos turnos que hão-de garantir a execução das múltiplas tarefas indispensáveis ao bom funcionamento de todos os serviços no decorrer dos três dias; os cartazes e folhetos fazendo chegar ao maior número possível de pessoas, a informação sobre o que é a Festa; a venda militante da Entrada Permanente – a EP – que, na medida em que é fonte essencial de financiamento da Festa, importa ser vendida com a máxima antecedência.
E tudo isto – construção no terreno e construção nas organizações do Partido - é Festa, porque tudo isto é feito por operários em construção, com a consciência do que fazem e das razões por que o fazem, por isso mesmo com a determinação, a confiança, a criatividade, a alegria com que se constrói tudo o que é belo.

É fácil de ver que, sendo a Festa o que é, ela é parte integrante da luta que os militantes comunistas travam todos os dias contra a política de direita do Governo PS/Sócrates e por uma ruptura de esquerda com essa política. Luta complexa e cheia de dificuldades, já que, como a realidade mostra, enfrenta uma poderosa e perigosa ofensiva tendo como alvo os direitos dos trabalhadores, a Constituição da República Portuguesa, a soberania e a independência nacionais, o conteúdo democrático do regime nascido da revolução de Abril. Luta que dura há trinta anos, num processo longo e desgastante contra sucessivos governos do PS e do PSD – sozinhos, de braço dado ou com o CDS/PP atrelado. Luta que, como a experiência mostra, enfrenta adversários que não olham a meios nem a métodos para alcançarem os seus fins, num vale tudo que manda às urtigas os princípios democráticos e não hesita em golpear as liberdades, direitos e garantias dos trabalhadores e dos cidadãos, quando esses fins o exigem, isto é, quando o exige o objectivo de servir integralmente os interesses do grande capital. Luta que, apesar de todos os obstáculos que se lhe deparam, valeu e vale a pena, e é necessário continuar, dando-lhe mais força, ampliando-a e intensificando-a. Luta que, naturalmente, atinge expressão e significado relevantes no processo de construção e realização da Festa do Avante! – festa só possível de construir por homens, mulheres e jovens que lutam, militantes e simpatizantes de um partido que sempre ocupou a primeira linha dessa luta, enquanto portador do mais belo de todos os ideais: o ideal de liberdade, de justiça social, de fraternidade, de solidariedade: o ideal comunista, razão maior desta nossa maneira de viver e de lutar.


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