Os trabalhadores admitem recorrer novamente à greve contra o encerramento
Trabalhadores da Opel protestaram em Lisboa
Garantir o emprego e a fábrica
Em defesa dos postos de trabalho e contra a deslocalização, os trabalhadores da Opel deslocaram-se, dia 29, à porta do primeiro-ministro, em Lisboa.
Os milhares de trabalhadores concentraram-se no Terreiro do Paço, em Lisboa, e foram em manifestação até à porta da residência oficial de José Sócrates, em São Bento, onde reiteraram o apoio à resolução que tinham aprovado na Azambuja, em plenário, que foi entregue no gabinete do primeiro-ministro. Ali, os representantes dos trabalhadores da Opel foram recebidos por um assessor.
«A única indicação que tivemos foi que o primeiro-ministro está a acompanhar o processo através do ministro da Economia», revelou Paulo Vicente, à saída do encontro.
Intervindo junto dos trabalhadores, Paulo Vicente salientou que enquanto surgirem propostas de viabilização, elas devem ser estudadas e o Governo deve intervir em defesa da fábrica e dos funcionários.
A Comissão de Trabalhadores diz-se aberta a qualquer proposta que viabilize a unidade e garanta os postos de trabalho. A Opel/Azambuja continua ameaçada de encerramento pelo anúncio da General Motors, de pretender encerrar a unidade a 31 de Outubro próximo.

Cresce a solidariedade

Os milhares de trabalhadores da Opel que se deslocaram a Lisboa puderam sentir a forte onda de solidariedade da generalidade dos trabalhadores portugueses e do movimento sindical com a sua luta em defesa da continuidade da empresa e da manutenção dos postos de trabalho.
Com os trabalhadores, muitos foram os activistas sindicais de vários sectores de actividade e quadrantes políticos que fizeram questão de se juntarem à acção.
Uma delegação do PCP, onde se destacava a presença de Jerónimo de Sousa, percorreu toda a manifestação. Na concentração, em São Bento, Jerónimo de Sousa considerou que a ameaça de deslocalização é uma forma de «chantagem com consequências dramáticas para o nosso país», salientado que a unidade representa 0,6 por cento do PIB nacional e que a sua destruição significaria mais um golpe para Portugal.
Em nome da CGTP-IN, Manuel Carvalho da Silva acusou o Governo de «persistir numa matriz de desenvolvimento que não dá atenção ao sector produtivo e não aposta no investimento».
Registou-se também a presença de representantes de outros partidos políticos e a solidariedade de vários presidentes de autarquias.

A Europa com os trabalhadores

Várias organizações sindicais da Europa participaram na acção, em solidariedade. Em nome da Federação Europeia de Metalúrgicos, esteve Peter Scherer que lembrou aos presentes que a sua luta pelo emprego é a luta de todos os trabalhadores europeus. Andreas Thurer, da Comissão de Trabalhadores da Tyssen Group, salientou a importância da Opel, em Portugal, pelo número de empregos que representa e também apelou à continuação da luta.
Pela central sindical espanhola, Comissiones Obreras, José Fernando salientou que a luta dos trabalhadores, incluindo os de Saragoça, é a mesma e trouxe a solidariedade destes aos operários portugueses.
Chegou ainda uma nota dos trabalhadores da Opel, na Suécia, que iniciaram uma luta de solidariedade com os funcionários da Azambuja, o que não acontecia há décadas naquele país.
Em nome dos trabalhadores portugueses do sector falou o dirigente da Fequimetal/CGTP-IN, João Silva. Para a federação, «o fecho da Opel seria uma ofensa a todos os trabalhadores e um atentado à economia nacional».
Representantes da Comissão de Trabalhadores regressam hoje de uma visita ao Parlamento Europeu, a convite do Grupo Parlamentar do PCP. A visita pretende denunciar junto das instâncias europeias a situação criada na Azambuja e exigir que se tomem medidas em defesa dos postos de trabalho e da Opel/Azambuja.


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