42 pessoas foram fuziladas em Bagadad
Assassinatos selectivos no Iraque
Violência sem tréguas
Mais de 40 pessoas foram assassinadas na zona Sul de Bagdad. A Norte e a Oeste da capital iraquiana, os combates entre a resistência e os ocupantes não cessam.
No domingo, o número de vítimas resultantes da acção dos esquadrões da morte voltou a elevar-se, situação que pode desencadear uma nova onda de violência com as habituais consequências trágicas a recaírem sempre sobre os mesmos, as populações, sunitas ou xiitas, e todos os que ousam resistir aos ocupantes e aos grupos em disputa pelo poder. O episódio mais chocante ocorreu em Bagdad e é, até agora, a maior matança selectiva conhecida após a invasão e ocupação do País.
Segundo informações veiculadas pela resistência iraquiana, um suposto esquadrão xiita liderado por Jalal as-Saghir, alegadamente gozando da cobertura dos militares norte-americanos, montou postos de controlo e efectuou buscas domiciliárias com o objectivo de assassinar habitantes dos bairros de al-Jihad e al-Qadisiyah, zona de maioria sunita tida como bastião da resistência na cidade. Pelo menos 42 pessoas foram fuziladas, mas a mesma fonte revela que os moradores ripostaram contra o grupo armado.
Este ataque surge na sequência da explosão de uma bomba, na noite anterior, junto à mesquita de az-Zahra, antigo local de culto da corrente sunita entretanto tomado de assalto pelas milícias xiitas. Num relatório divulgado domingo, a resistência acredita que o incidente de sábado pode ser o pretexto para a matança da manhã seguinte.
Depois do massacre, outros 20 iraquianos perderam a vida e pelo menos 60 ficaram feridos quando um santuário xiita foi atacado por vários carros-bomba.
As operações de «limpeza» em Bagdad não se ficam, no entanto, por aqui. No mesmo dia, tropas dos EUA e do governo fantoche de Bagdad entraram no bairro de al-Kazemiya, este de maioria xiita mas nem por isso menos insurrecto, prenderam nove presumíveis resistentes e deixaram por terra outros tantos.
Neste contexto há ainda a lamentar o desaparecimento de Majid al-Jannabi, cientista nuclear e professor na Universidade Técnica de Bagdad, vítima de uma bomba accionada por controlo remoto. Estima-se que desde 2003 já tenham sido assassinados cerca de 200 cientistas iraquianos.

Combates em al-Anbar

Entretanto, nas províncias de al-Anbar, al-Ta’mim e Ninwa as operações da resistência não dão tréguas aos ocupantes e respectivos colaboradores.
Em Fallujah, o quartel norte-americano foi bombardeado com obuses de morteiro, enquanto em Ramadi um soldado norte-americano foi abatido por um atirador furtivo quando participava numa patrulha a uma casa na cidade.
Em Kirkuk e Mawsil, os alvos foram as patrulhas da polícia iraquiana, atacadas pela resistência durante o dia de domingo.


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