Editorial

«Um mar de sangue assinala a acção dos EUA no continente americano»

CUBA VENCERÁ

Os Estados Unidos da América estendem as garras para Cuba. Nada de novo no facto: trata-se de uma prática constante do imperialismo norte-americano desde que a revolução cubana restituiu ao povo a liberdade e a democracia. A actual ofensiva - cujo pretexto é a doença do Presidente Fidel Castro - tem atrás de si um longo e sinistro rasto de crimes da responsabilidade dos sucessivos governos dos EUA. Desde a vitória da revolução cubana - que pôs termo à ditadura fascista de Baptista, apoiada e ao serviço dos interesses dos EUA - sucederam-se as tentativas de esmagamento da revolução. Como é seu hábito, os EUA têm recorrido a todos os métodos visando a re-ocupação de Cuba e a instalação, ali, de um governo chefiado por um qualquer Baptista com certificado de garantia democrática e anti-terrorista made in USA – ou seja, um governo chefiado pelo facínora mais à mão, porventura proveniente do esgoto político de Miami. Tudo tem valido, para liquidar Cuba livre: desembarques, invasões, tentativas de ocupação da Ilha; assassinato de milhares de cidadãos cubanos através de actos de terrorismo bombista; destruição da produção agrícola e pecuária – para além do cerrado embargo económico que, há quase cinquenta anos, tenta estrangular Cuba e o povo cubano. Todos estes actos criminosos têm sido praticados em nome da liberdade, da democracia e dos direitos humanos com que os EUA justificam sempre a sua política criminosa e terrorista.
Os povos do mundo sabem o significado dessa tríade quando utilizada pelo imperialismo norte-americano. Sabem que todos os casos de implantação dessa liberdade, dessa democracia, desses direitos humanos se fizeram à custa de muitos milhares de vidas humanas e das mais cruéis atrocidades.

A todas estas ofensivas brutais, tem resistido o heróico povo cubano. À custa de muitos sacrifícios, de muita coragem, de muita dignidade. E tem resistido com êxito. Conquistando e exercendo o direito de decidir sobre o modelo de sociedade que prefere; conquistando e exercendo o direito de decidir sobre seu destino – mostrando que a coragem e a dignidade são mais fortes do que a força bruta das armas e do terror e constituindo, por isso, uma referência essencial para todos os que, por todo o Planeta, persistem na luta por um mundo de paz, de justiça, de progresso. Ao mesmo tempo, o povo cubano mostra a sua solidariedade para com outros povos do mundo: centenas de milhares de pessoas pobres beneficiaram e beneficiam de cuidados médicos proporcionados pelo governo cubano; 260 mil latino- americanos foram operados desde 2004 por médicos cubanos; 30 mil médicos e técnicos de saúde cubanos prestam assistência médica em dezenas de países – uma assistência médica que é gratuita em mais de 60 desses países.
Com o povo de Cuba, a sua Revolução, o seu Partido, estiveram, estão e estarão solidários milhões de homens, mulheres e jovens de todos ao países do mundo – aí incluídos muitos milhares de cidadãos norte-americanos. Com o povo de Cuba, a sua Revolução, o seu Partido, estiveram, estão e estarão solidários os comunistas portugueses e o seu Partido, o PCP - uma solidariedade nos bons como nos maus momentos: clara e inequívoca: total: sem margens: porque internacionalista e de classe.

Mal tiveram conhecimento do estado de saúde de Fidel Castro, Bush, Condoleezza e Cia afiaram as garras e vieram a público dizer como queriam que fosse. E puseram em movimento acelerado a sua multifacetada máquina de propaganda e de provocação: a escória de Miami; o exército de propagandistas do Império na comunicação social dominante (para pagar aos quais, Bush disponibilizou recentemente uma verba de centenas de milhões de dólares); e todo o poderoso arsenal ao serviço dos interesses imperialistas.
Bush, Condoleezza e Cia., democratas dos quatro costados (o que, reportando-se a eles, quer dizer criminosos de guerra responsáveis pela morte de centenas e centenas de milhares de inocentes) «querem, para Cuba, uma mudança democrática», «uma verdadeira transição para uma verdadeira democracia» - e, para isso, estão dispostos a prestar a Cuba «ajuda humanitária, económica e de outra natureza». E, confirmando que não dormem em serviço, proclamam, com a arrogância que lhes é característica: «estamos a trabalhar activamente para uma mudança em Cuba e não de braços cruzados à espera que essa mudança ocorra»
Descodificado este linguajar bárbaro, ficamos a saber que, de facto, estão a preparar o golpe contra Cuba, a ingerir-se na vida interna de um país soberano, a violar os mais elementares princípios democráticos. E quanto ao conteúdo «humanitário» da ajuda e à «verdadeira democracia» que «querem para Cuba», a história explica-nos o que isso quer dizer. Basta olharmos para a América Latina: a barbárie, o terror, o horror constituem as mais impressivas marcas da passagem do país de Bush, Condoleezza e Cia. pela América Latina, ao longo dos anos. Um mar de sangue assinala a acção dos EUA em todo o continente. Muitas centenas de milhares de homens, mulheres, jovens e crianças – sublinhe-se: muitas centenas de milhares – foram assassinadas pelas tropas invasoras dos EUA e por ditaduras fascistas por elas instaladas em práticamente todos os países da América Latina. Foi o país de Bush, Condoleezza e Cia. que organizou golpes sangrentos no Brasil, no Chile, na Guatemala, na Venezuela, na Nicarágua, no Panamá, em Granada, no Uruguai, na Bolívia, em El Salvador, na Colômbia, no Peru...
É esta a sua liberdade. É esta a sua democracia. São estes os seus direitos humanos.


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